'Agora negociação é por trabalhadoras rurais', diz Soraya Santosvoltar

19/04/2017
'Agora negociação é por trabalhadoras rurais', diz Soraya Santos
Da esquerda para a direita: deputadas Sheridan e Soraya Santos, presidente Michel Temer e as deputadas Gorete Pereira e Dulce Miranda

Coordenadora da bancada feminina na Câmara dos Deputados conseguiu, junto de outras deputadas, dobrar as resistências do governo e reduzir de 65 anos para 62 a idade mínima para as mulheres.

A bancada feminina da Câmara dos Deputados conseguiu dobrar as resistências do governo e reduzir de 65 anos para 62 anos a idade mínima para aposentadoria das mulheres na proposta de Reforma da Previdência. Mas o acordo não pôs fim às negociações: as deputadas ainda querem discutir alterações nas regras para as trabalhadoras rurais.
"Temos que ver a questão das mulheres rurais também. Está sendo discutido. Se a gente tem dupla jornada, imagina as trabalhadoras rurais", disse a coordenadora da bancada, deputada Soraya Santos (PMDB-RJ). Pela proposta as mulheres que trabalham no campo poderão se aposentar com 60 anos (mesma idade de homens na mesma condição). Haverá uma transição de 10 anos para que a idade mínima - hoje cinco anos mais baixa - chegue aos 60 anos.
A seguir, a entrevista da coordenadora da bancada feminina:
Broadcast: Como a bancada conseguiu dobrar o presidente Michel Temer e garantir idade mínima diferenciada para as mulheres?
Soraya Santos: Todas as constituições até hoje fizeram essa diferença de idade. Nada mais, nada menos por conta da mulher brasileira ainda ter, infelizmente, dupla jornada. Esse é ponto central. Essa diferença foi feita para chamar a atenção de uma dívida que o Brasil tem com ele mesmo. Há uma necessidade de mudança cultural nas próprias famílias.
Broadcast: O acordo garante o compromisso de votos das deputadas da bancada feminina da base?
Soraya: O que temos colocado é que tínhamos vários pontos em relação à reforma. Entre eles, esse era um muito específico. Fizemos uma reunião com o presidente e argumentamos que havia uma interpretação errada pelo Executivo, achando que seria uma compensação social. Nunca foi uma compensação! Na verdade, foca a dupla jornada. O presidente compreendeu isso e apoiou a bancada.
Broadcast: Mas as deputadas vão votar a favor do relatório?
Soraya: Nós estamos vencendo vários pontos. Temos um movimento, sim, de atendimento, como a questão da desvinculação do salário mínimo do BPC, já foi atendido. Tínhamos a questão das professoras e já foi acolhido. Tudo está caminhando para que tenhamos um compromisso final de votação, mas ainda não tem 100%. Vamos ter uma reunião amanhã à tarde e teremos um panorama melhor.
Broadcast: O que falta para o compromisso?
Soraya: temos que ver a questão das mulheres rurais também. Está sendo discutido. Se a gente tem dupla jornada, imagina as trabalhadoras rurais.
Broadcast: Ter um regra diferente para as mulheres não é contraditório com o discurso de igualdade?
Soraya: Não é. Essa diferença é uma luta para fazer a inclusão da mulher. A gente sonha com o dia de poder votar a idade igual para mulher. Nesse dia, a mulher não estará mais com uma carga de trabalho maior do que a dos homens (O Estado de S.Paulo, 19/4/17)

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