50% do trabalho no Brasil pode ser feito por robô, diz estudovoltar

18/05/2017
50% do trabalho no Brasil pode ser feito por robô, diz estudo
Robôs em fábrica de automóveis

O Brasil é um dos países com maior potencial de automatização de mão de obra, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos na quantidade de trabalhadores que poderiam ser substituídos por máquinas.

De acordo com estudo da consultoria McKinsey, 50% dos atuais postos de trabalho no Brasil poderiam ser automatizados, ou 53,7 milhões de um total de 107,3 milhões.
O setor com maior percentual de empregos automatizáveis no Brasil é a indústria, com 69% dos postos. Em seguida, ficam hotelaria e comida (63%) e transporte e armazenamento (61%).
"Todos os países estão passando por redução de empregados na indústria e migração para os serviços", afirma Bruno Ottoni, pesquisador de economia aplicada do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia). "A fronteira dos serviços vai demorar mais a ser cruzada, já que os postos são mais qualificados", diz.
China e Índia têm, juntas, 700 milhões de postos que poderiam ser cortados.
A consultoria não prevê quantos postos serão criados com tecnologia nos próximos anos, mas fala de uma reestruturação do ambiente de trabalho, semelhante à revolução verde na agricultura, na metade do século 20.
Para Ottoni, as previsões não necessariamente levam em conta as dificuldades de replicar em larga escala as novas tecnologias. "São barreiras culturais. Como um robô do Google vai dirigir em uma estrada esburacada do Rio de Janeiro?", afirma.
O estudo considera que máquinas são boas em reconhecer padrões, otimizar e planejar ações, recuperar informação e executar ações motoras que não exijam muita sensibilidade ou destreza.
Cerca de 60% das profissões poderiam ter ao menos 30% de suas atividades automatizadas, de acordo com essa premissa.
Não são apenas trabalhos braçais —presidentes-executivos e banqueiros correm risco, assim como lojistas, agentes de viagens, costureiros e relojoeiros. Já legisladores e psiquiatras são as profissões com menor chance de serem automatizadas.
O relatório foi feito com base em dados de 54 países, representando 78% do mercado de trabalho mundial.
Os empregos que podem ser substituídos têm um custo de US$ 89 bilhões por ano no Brasil (R$ 275 bilhões) e US$ 14,6 trilhões no mundo (R$ 45,2 trilhões), equivalente a 1,2 bilhão de trabalhadores, metade da força de trabalho mundial.
O estudo estima que, entre 2036 e 2066, deve-se chegar a metade dessas substituições. A produtividade mundial pode, consequentemente, aumentar de 0,8% a 1,4% no mesmo período.
As substituições dependem de as tecnologias se tornarem mais baratas que a mão de obra, do dinamismo do mercado e da "aceitação social", segundo o estudo.
Em 2016, o Fórum Econômico Mundial estimou que a automatização poderá causar a perda no mundo de 7,1 milhões de empregos de 2015 a 2020, mas gerar, em compensação, 2 milhões de postos.
No mesmo ano, um estudo do Citibank, com dados do Banco Mundial, concluiu que 57% dos postos poderiam ser substituídos por máquinas nos 35 países da OCDE (Folha de S.Paulo, 17/5/17)

 

  • Com alta de salários, operário chinês cede lugar para máquinas

Produção industrial na China mostra recuperação

Uma década atrás, a montagem de automóveis na China era uma operação de baixa tecnologia. Nas fábricas, milhares de operários com salários de pouco mais de US$ 1 por hora executavam tarefas altamente repetitivas, e o número de robôs industriais em operação era mínimo.

Isso mudou.
Na mais nova linha de montagem da Ford em Hangzhou, ao menos 650 robôs se movimentam velozmente para montar as estruturas de aço. Operários cuidam de algumas das soldagens, mas boa parte do processo foi automatizada.
A moderna fábrica exemplifica a vasta transformação que aconteceu na indústria chinesa, com montadoras investindo bilhões no país, que se tornou o maior mercado de automóveis do planeta.
Para as montadoras, a opção é em parte questão de custo. Os salários dispararam porque companhias multinacionais transferiram boa parte de sua produção à China, e a mão de obra do país está mudando rapidamente.
A combinação entre a política que limitava os casais chineses a um só filho, que reduziu os índices de natalidade, e o salto de 800% no número de matriculados em cursos superiores reduziu em mais de 50% o número de pessoas que ingressam na força de trabalho a cada ano com educação inferior ao ensino médio —o grupo potencialmente mais interessado em empregos nas fábricas.
A automação também é uma necessidade competitiva. As montadoras estão disputando a atenção dos consumidores e não têm escolha a não ser empregar as mais recentes tecnologias.
A automação não causa na China um medo de perdas de empregos comparável ao que causa nos Estados Unidos.
A demanda por automóveis na China está crescendo rapidamente, e cada vez mais fábricas e operários são necessários para produzir mais carros. A fábrica da Ford em Hangzhou pode ter 650 robôs, mas possui 2.800 operários.
"Os robôs não são a ameaça", diz Paul Buetow, diretor da GM. "A ameaça é não podermos manter o negócio se não tivermos produtos que as pessoas desejam comprar" (Folha de S.Paulo, 17/5/17)

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