A recuperação está se consolidando - Por José Roberto Mendonça de Barrosvoltar

20/03/2017
A recuperação está se consolidando - Por José Roberto Mendonça de Barros



Desde o último trimestre de 2016, estamos convencidos aqui na MB de que a economia brasileira sairá da recessão em 2017 e voltará a crescer em 2018. Em termos de números, projetamos uma expansão do PIB de 1% em 2017 e de 2,6% em 2018.
Resumidamente, nossos argumentos a favor da recuperação são os seguintes:
1- No segundo semestre, a taxa de desemprego vai começar, lentamente, a cair, revertendo a trajetória negativa dos últimos anos. Além disso, os bancos relatam que está se reduzindo o número de empresas que são transferidas do departamento de crédito para a área de recuperação de crédito. Emprego e balanços estão deixando de piorar.
2- Já começou a liberação das contas inativas do FGTS. Tudo indica que algo como R$ 35 bilhões entrará no sistema, reduzindo o endividamento das famílias e, em menor escala, levando a gastos em bens e serviços.
3- A produção agrícola não apenas será muito boa, como já está sendo revisada para cima. A Conab agora estima o volume de grãos em 220 milhões de toneladas, numa expansão de 20%. Projetamos um crescimento de 7,7% do PIB agrícola deste ano. Com isso, a redução da inflação de alimentos será acentuada, o volume de renda injetado no setor será grande e as exportações crescerão. Em janeiro e fevereiro, houve um salto de 42% nas vendas ao exterior.
4- A inflação continua surpreendendo para baixo. Projetamos agora um crescimento de 4,1%, muito abaixo da meta de 4,5%. Como resultado, o ganho real da massa de salários será superior a 2,5%, com evidentes impactos sobre o consumo ao longo do ano.
5- O Banco Central vai acelerar a queda dos juros. Projetamos agora um número de 8,5% para o final do ano. Com isso, certamente, haverá uma indução à elevação de consumo, especialmente no segundo semestre.
6- Embora o investimento industrial ainda seja medíocre, devido ao excesso de capacidade ociosa, teremos avanços em algumas áreas. A mais importante delas é o petróleo: a Petrobrás vai executar o programa de investimento a que se propôs, bem como as empresas internacionais que já operam no Brasil elevaram seu orçamento de gastos para este ano e para os próximos. Finalmente, teremos pelo menos três leilões nessa área que provavelmente serão bem-sucedidos, levando-se em conta a revisão da regulação do setor e o interesse já manifestado.
Por outro lado, existem avanços relevantes também na regulação do setor elétrico, os quais já produzem resultados especialmente na área de transmissão de alta tensão, na qual já houve um leilão bem-sucedido, implicando um volume de investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.
Além disso, vale a pena lembrar a entrada de novos players na disputa: a Equatorial, a CTEEP e o grupo comandado pelo Banco Pátria. Esse, na verdade, foi o primeiro evento com uma novidade altamente relevante: do certame não participaram as empreiteiras enroladas na Lava Jato. Os ganhadores do leilão é que terão a responsabilidade de contratar seus construtores.
Nas últimas semanas, uma sucessão de indicadores revela que a recuperação, de fato, está em marcha. E será puxada por melhoras significativas em uma grande gama de setores. Alguns exemplos: conforme revelado pelo Caged nesta semana, o número de empregos formais em fevereiro cresceu 35 mil postos de trabalho, invertendo a trajetória de perdas que já se prolongava por mais de 20 meses.
Setores industriais básicos mostram expansão. A produção da indústria química em janeiro cresceu 4%, enquanto o consumo aparente cresceu 7,2% em 12 meses. Como o setor está na base do sistema produtivo, isso mostra que a indústria começou a se mover.
Ainda em setores básicos, a produção de petróleo no início do ano está crescendo 3,4%; e a de minério, quase 6%.
Na área de concessões, dois eventos bem-sucedidos ocorreram nestes dias. A concessão do lote “Centro-Oeste” de rodovias no Estado de São Paulo foi ganha pelo Pátria, implicando um investimento da ordem de R$ 1,4 bilhão.
Finalmente, a concessão de quatro aeroportos importantes também foi bem-sucedida, implicando um investimento de R$ 3,7 bilhões. Vale observar que as empresas ganhadoras são experientes e importantes na Europa e que também aqui as empreiteiras não participaram do consórcio ganhador.
Considerando tudo isso, reafirmo minha convicção de que teremos uma recuperação importante no crescimento do País (O Estado de S.Paulo, 19/3/17)

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