biomassa pode chegar a 15% da matriz elétrica em 2020, projeta cogen-spvoltar

14/11/2007
Setor precisa ultrapassar três desafios: conexão, licenciamento ambiental e equilíbrio remuneratório, aponta dirigente. A biomassa de cana-de-açúcar pode se tornar uma das principais fontes da matriz elétrica brasileira. As projeções da Associação Paulista de Cogeração de Energia mostram que a fonte pode ser responsável por 15% da matriz, com a adição de até 12 mil MW médios, até 2020. “São projetos que estão postos, mas não seguros, que precisam ser desenvolvidos ao longo do tempo”, diz Carlos Roberto Silvestrin, vice-presidente executivo da Cogen-SP. As previsões estão baseadas na perspectiva de aumento da produção de cana-de-açúcar, dos atuais 430 milhões de toneladas, para 1,038 bilhão de toneladas na safra 2020/2021. Com isso, a geração de energia passaria de 1,4 mil MW médios para 13,4 mil MW médios. Somente o estado de São Paulo pode ganhar mais 4 mil MW médios até 2014 apenas com a modernização das atuais usinas de cogeração, que vão trocar as caldeiras atuais por modelos de alta eficiência. Os investimentos previstos apenas para São Paulo são de R$ 12 bilhões entre 2008 e 2014, sendo a maior parte para o retrofit das usinas. Segundo Silvestrin, o setor de biomassa de cana precisa, contudo, superar três obstáculos: conexão à rede básica, licenciamento ambiental e equilíbrio de remuneração. A questão da conexão já está sendo tratada pela Empresa de Pesquisa Energética, que finaliza estudo para licitação de estações coletoras que irão conectar as usinas à rede básica. Para Silvestrin, isso vai tirar o peso dos acessantes - as usinas de açúcar e álcool -, que tinham que arcar com o custo para se ligar às linhas de transmissão em 138 kV e em 230 kV. LICENCIAMENTO AMBIENTAL Na questão ambiental, o executivo salientou que a problemática é mais administrativa, pois hoje o empreendedor precisa de duas licenças ambientais uma para a colheita da cana e outra para usina de cogeração. Silvestrin avaliou que a licença prévia poderia ser concedida para integralidade do projeto. “Assim haveria mais tempo para conseguir a licença de instalação”, contou o vice-presidente da Cogen-SP, que participou nesta terça-feira, 13 de novembro, do seminário “Desafios e Perspectivas da Infra-Estrutura no Estado de São Paulo”, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Base e Infra-Estrutura. Silvestrin contou que o Mato Grosso do Sul unificou no mês passado a concessão da licença ambiental para empreendimento de cogeração de energia. O equilíbrio de remuneração do projeto, afirmou, seria conseguido através de melhores preços para a energia vendida ou redução da carga tributária incidente (CanalEnergia, 14/11/07) Distribuidoras querem investir em PCHs e biomassa, mas esbarram na legislação Concessionárias também querem reavaliação dos descontos na Tusd para energia alternativa, diz executivo As distribuidoras podem ser o grande indutor do crescimento da capacidade de geração, principalmente, por meio da construção de pequenas centrais hidrelétricas e cogeração a biomassa. A afirmação é do presidente da CPFL, Wilson Ferreira Júnior, que participou nesta terça-feira, 13 de novembro, do seminário “Desafios e Perspectivas da Infra-Estrutura no Estado de São Paulo”, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Base e Infra-Estrutura. O setor, contudo, esbarra na legislação que não permite investimentos por parte dos distribuidores fora do foco do negócio. Segundo Ferreira, somente em São Paulo existem 20 projetos de PCHs outorgados que não encontram investidores para implementá-los. O sentido de permitir esse investimento, diz o executivo, é porque os empreendimentos são ligados diretamente à rede de distribuição. “Hoje existe esse potencial, mas não tem agentes para investir”, avalia o executivo. Para ele, esses investimentos permitirão otimizar a estrutura das distribuidoras, além de beneficiar os consumidores e garantir o abastecimento. TUSD O executivo também pediu atenção aos descontos na tarifa de uso do sistema de distribuição concedido à energia vendida para o mercado livre por PCHs e empreendimentos térmicos a biomassa. “Esse incentivo impacta os consumidores cativos, apesar de não ter peso significativo, atualmente”, afirma o executivo. Ele mostrou que, atualmente, o desconto já equivalente a 0,5% da arrecadação da CPFL Paulista (SP). A projeção dele mostra que o peso poderá chegar a 1,5% da tarifa, se o potencial de biomassa da área de concessão subir dos atuais 800 MW, para 3,6 mil MW, nos próximos cinco anos. “Isso ocorrerá se esse potencial for desviado para o mercado livre. É um assunto que merece atenção”, salienta.

Fonte: CanalEnergia, 14/11/07