Cada robô desemprega 3 nos EUA, mas humanos terão vagas, indica estudovoltar

19/05/2017
Cada robô desemprega 3 nos EUA, mas humanos terão vagas, indica estudo
Robô multitarefas trabalha na montadora Gestamp Automocion na região de Barcelona

 

Cada novo robô industrial por 1.000 trabalhadores instalado nos Estados Unidos desempregou três pessoas, segundo estudo recém-divulgado por Daron Acemoglu, professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), e Pascual Restrepo, da Universidade de Boston.
"Há muita especulação sobre o que pode acontecer quando os robôs chegarem. Decidimos ir além e investigar o que já está de fato ocorrendo", escrevem os dois na apresentação do trabalho.
De fato, as estimativas variam muito: de 9% dos empregos em risco nos próximos 20 anos nos países desenvolvidos, nos cálculos de Arnoud Arntz, da Universidade de Amsterdã, a 57%, na previsão do Banco Mundial, ambos sobre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne os países mais ricos do mundo).
Para medir o impacto real, Acemoglu e Restrepo estudaram regiões industrializadas dos EUA após a implantação de robôs classificados como "máquinas multitarefas reprogramáveis e controladas automaticamente".
Há hoje em operação nos EUA quase 1,8 robô por 1.000 trabalhadores -em 2010, era 1,4 e na virada do século, 0,7. A indústria que mais os usa é a automotiva (39%), seguida por eletrônicos (19%).
para mais e para menos
O trabalho de Acemoglu e Restrepo exclui outras tecnologias que podem substituir o trabalho humano (software ou máquinas mais simples) e decompõe o impacto dos robôs em duas vertentes: uma negativa, que ocorre diretamente sobre os trabalhadores, e outra positiva, com o aumento de produtividade da economia como um todo.
Nas regiões do país mais expostas às máquinas multitarefas -o centro-oeste americano e parte da Nova Inglaterra-, os economistas observaram redução significativa do emprego e do salário.
De 1990 a 2007, quando a taxa de robôs por 1.000 habitantes triplicou (de 0,4 para 1,2), cada nova máquina desempregou 6,2 trabalhadores (queda de 0,37 pontos percentuais da população ocupada) e os salários caíram 0,73%.
No país como um todo há consequências econômicas positivas, como a redução do custo de produção que pode beneficiar outros setores. Esse ganho, no entanto, depende de quão fácil é substituir os produtos e do mercado de trabalho em cada região.
Em seu estudo, Acemoglu e Restrepo calcularam que a possibilidade de substituição suaviza (pouco) o efeito sobre emprego e salário: a queda no emprego passa de 0,4 para 0,34 e a dos salários, de 0,75 para 0,5.
Considerada a repercussão positiva sobre outros setores, a redução final é de 3 demitidos para cada novo robô e redução de 0,25% no salário.
No total, segundo eles, foram desempregados entre 360 mil e 670 mil americanos desde a introdução das máquinas multitarefas no país, nos anos 1990.
O próximo passo do estudo será aperfeiçoar estimativas de impacto futuro.
Tomando como base o cenário mais agressivo do Boston Consulting Group de que o número de robôs industriais quadruplicaria até 2025, Acemoglu e Restrepo calculam uma perda de até 1,76 ponto percentual na taxa de ocupação e de até 2,6% na remuneração nessa década.
"É um efeito mensurável, mas é preciso notar que, mesmo no mais agressivo dos cenários, estamos falando sobre uma fração pequena do mercado de trabalho sendo afetado", escrevem.
"Nada respalda até o momento a visão de que novas tecnologias tornarão obsoleta a maior parte dos empregos e dos humanos" (Folha de S.Paulo, 18/5/17)

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