Com R$ 56 milhões em dívidas, Dedini faz 96 anos e aponta reação à crisevoltar

24/08/2016
Com R$ 56 milhões em dívidas, Dedini faz 96 anos e aponta reação à crise

 

Ao completar 96 anos nesta terça-feira (23), em meio a um processo de recuperação judicial para evitar falência e dívidas trabalhistas de, pelo menos, R$ 56,5 milhões, a Dedini Indústria de Base de Piracicaba (SP) divulgou nota em que prevê uma reação à crise pela qual atravessa ainda em 2016. A metalúrgica é uma das principais empresas da cidade, mas demitiu cerca de 1.600 trabalhadores desde 2014.
Segundo a companhia, a própria recuperação judicial representa "o início desse novo momento". Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região, no entanto, a empresa não tem honrado compromissos com funcionários ativos e demitidos.
A estratégia para o momento, conforme a Dedini, é manter em dia pagamentos de funcionários operacionais, reduzir custos e reorganizar pessoal, com revisão de hierarquias.
A proposta do Plano de Recuperação Judicial da metalúrgica é, basicamente, pagar ainda neste primeiro ano de processo créditos trabalhistas de aproximadamente R$ 36,5 milhões, além de cerca de R$ 20 milhões em rescisões trabalhistas, segundo o consultor Alexandre Temerloglou, da Siegen, que assessora a Dedini na recuperação judicial.
De acordo com a assessoria da empresa, projeções indicam que a Dedini deve atingir receita líquida operacional de R$ 306 milhões também no primeiro ano de cumprimento do plano, com um crescimento de 1,5% ao ano a partir de 2017.
“O que nos faz olhar para frente é a compreensão de que a Dedini é um patrimônio de Piracicaba, construída pelas mãos de tantos piracicabanos que sempre amaram seu trabalho. Faremos de tudo para voltar a ser uma grande geradora de emprego, para contribuir com o progresso do Brasil”, afirmou em nota Giuliano Dedini Ometto Duarte, presidente do Conselho de Administração.
Sindicato critica
Apesar do otimismo da empresa, o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região informou que a Justiça do Trabalho de Piracicaba determinou em 2015 que os funcionários demitidos da Dedini em agosto do ano passado receberiam o valor de R$ 1.000 por mês mais ticket alimentação e os desligados em fevereiro e novembro de 2014 R$ 1.226 mensais. Os valores não têm sido pagos pela metalúrgica, conforme a entidade.
"O sindicato repudia o pagamento simbólico que a Dedini tem feito aos ex-funcionários de R$ 300 mensais, valor este que não atende às necessidades dos trabalhadores, e muitos deles passam por sérias dificuldades econômicas e até sem condições decomprar alimentos", afirma em nota a entidade sindical.
O documento diz ainda que não são somente os demitidos que passam por dificuldades, já que funcionários ativos têm salários atrasados e recebem apenas 70% do pagamento. "Há ainda atraso no depósito de FGTS, férias e outros", informou o sindicato.
A Dedini informou que "está empenhada" em pagar as dívidas, mas que "é inviável" aumentar o pagamento mensal dos demitidos de R$ 300 para R$ 1.000 (Agência Estado, 23/8/16)

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