26/03/2024

Etanol de milho: Grupos Mafra e CMAA investem R$ 2 bi em usina no Pará

Etanol de milho: Grupos Mafra e CMAA investem R$ 2 bi em usina no Pará

Representantes dos Grupos Mafra e CMAA e o gov. Helder Barbalho (quarto, a partir da esquerda), em reunião na semana passada. Foto Marcos Santos Agência Pará

 

Saiba o que é a joint venture que deve operar em 18 meses, utilizando grão da safrinha 2025.

 

Os grupos Mafra e CMAA (Companhia Mineira de Açúcar e Álcool), anunciaram nesta segunda (25) a criação da joint venture Grão Pará Bioenergia para a construção de uma refinaria de biocombustíveis em Redenção, sudeste do Pará, para a produção de etanol de milho. Os investimentos estão previstos em cerca de R$ 2 bilhões até 2029, sendo que R$ 600 milhões já serão alocados neste ano.

 

 

O empreendimento prevê a geração de 600 empregos diretos e 3 mil indiretos, além de fomentar a produção agrícola e florestal na região. A previsão é que a industrialização comece em 18 meses, utilizando milho da safrinha 2025.

 

A Grão Pará Bioenergia é formada pelo Grupo Mafra, fundador da Viveo, empresa de saúde humana, e presente no Pará há 20 anos com agricultura e pecuária, e o Grupo CMAA, que atua no setor sucroalcooleiro, com três usinas em Minas Gerais. O presidente executivo será Flávio Inoue.

 

Segundo a Unem (União Nacional de Etanol de Milho), o Brasil possui atualmente 22 usinas em atividade.   O etanol de milho e cereais representa atualmente cerca de 20% da produção de biocombustíveis no país. No ano passado, a Pagrisa e da norte-americana Lucas E3 anunciaram que iriam produzir etanol de milho em Ulianópolis (PA), com previsão do início da operação neste ano.

 

Agora, com mais o investimento Mafra-CNMA, o etanol de milho entra definitivamente na agenda do estado.  De acordo com os investidores, o projeto deve contribuir para o Pará se tornar uma fronteira de produção agrícola e pecuária sustentável ainda mais importante. Eles confiam que a oferta de milho, principal matéria-prima da refinaria, também deverá crescer na região. Da mesma forma, o projeto tem potencial para alavancar o consumo regional de etanol. “Como se trata de um investimento sustentável e balanceado, será positivo para o Pará como um todo, além de ser muito atrativo para diversos mercados”, informam os investidores, em comunicado.

 

 

“A pauta de sustentabilidade converge totalmente com a estratégia de investimentos dos Grupo Mafra e CMAA. Isso agrega altíssimo valor na produção em áreas já antropizadas, por meio de transformação das áreas de pastagens degradadas em agricultura, intensificando a pecuária e agricultura, com zero necessidade de abertura de novas áreas e preservando as reservas de florestas nativas”, destaca Carlos Mafra Júnior, do Grupo Mafra.

 

 

“São muito importantes essas iniciativas no estado do Pará, como a da viabilização do biocombustível fruto do milho”, afirma o governador do Pará, Helder Barbalho, destacando que o empreendimento proporciona consistentes benefícios econômicos ao Pará. “Além de movimentar a economia local, gerará renda e oportunidades de negócios para os mais diversos setores envolvidos, como construção civil, transporte, comércio e serviços, entre outros. A indústria também tem potencial de aumentar a arrecadação de impostos para o estado”. O investidores estiveram com o governador na sexta-feira (22), para apresentar o projeto fechado.

 

A plena capacidade, a indústria demandará mais de 1,5 milhão de toneladas de milho por ano, o que incentivará os agricultores a aumentar a área plantada e a produtividade. O cultivo de florestas de eucalipto para o fornecimento de biomassa para a geração de vapor e energia elétrica à refinaria também será impulsionado. O cultivo de eucalipto também proporciona benefícios ambientais, como recuperação de áreas degradadas, proteção do solo, conservação da água e sequestro de carbono.

 

A indústria também oferecerá um serviço de engorda de bovinos para os pecuaristas parceiros, que poderão utilizar a estrutura da unidade para confinar bovinos em regime de boitel, com o uso de DDG (dry distillers grains) proveniente da produção de etanol de milho (Forbes, 25/3/24)