Sistema ajudará a nortear compra de grãosvoltar

13/09/2017
Sistema ajudará a nortear compra de grãos

1-Sistema ajudará a nortear compra de grãos

 

Indústria e organizações ambientais apresentarão hoje, em São Paulo, a "Agroideal", uma nova plataforma para a cadeia da soja. Mas, diferentemente de outras ferramentas já no mercado, essa traz um olhar inovador: em vez de monitorar os passos do produtor rural ou desencorajar o plantio, ela ajudará a guiar as tradings agrícolas no processo de expansão de sua originação de grãos e outros investimentos logísticos, sem riscos socioambientais embutidos.
Segundo ambientalistas, não se trata de "abrir a porteira" para que os grãos avancem a qualquer preço, mas contribuir para o norteamento da expansão sustentável da agricultura. A premissa é simples: se não é possível estancar o avanço da soja no país, melhor então que ele seja bem feito. Sem atritos com a legislação ambiental ou com comunidades passíveis de serem impactadas.
Com uma produção estimada em 238 milhões de toneladas nesta safra, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil é um fornecedor importante para atender à crescente demanda mundial por grãos. Estudo recente do banco holandês Rabobank apontou que os produtores brasileiros poderão absorver até 80% da demanda extra da China por soja na próxima década, que deverá subir em 35 milhões de toneladas.
"É uma ferramenta de inteligência estratégica, que nos ajudará a saber melhor onde pisamos", afirmou ao Valor, de Nova York, o brasileiro Michel Santos, diretor global de sustentabilidade da Bunge.
A plataforma foi uma iniciativa costurada por bancos (Rabobank e Banco do Brasil), indústria (Abiove, ADM, Bunge, Cofco, Dreyfus, Amaggi), institutos de pesquisa (Embrapa, Agroícone, Agrosatélite e Inpa) e terceiro setor (TNC, WWF, Earth Innovation Institute, entre outros). O desenvolvimento da plataforma contou com o aporte de US$ 1,7 milhão da Bunge e Fundação Gordon e Betty Moore.
Com a Agroideal, as tradings podem, a partir de agora, fazer cruzamentos de um número significativo de informações (são 23 indicadores atualmente), que resultarão em percentuais diferenciados de risco – ou de oportunidades.
As decisões estratégicas de investimento podem ser estudadas sob um espectro muito maior de dados alimentados por fontes oficiais, estudos e prognósticos atualizados. A construção de um silo, por exemplo, pode levar em consideração projeções de produtividade, informações de conflitos agrários, mapas de corredores logísticos, listas de desmatamento e de áreas protegidas. Tudo cruzado, a plataforma apontará qual o grau de risco ou oportunidade para o investimento. Caberá ao tomador de decisão de trading bancar ou não a orientação do programa.
"A plataforma não põe o zoom na fazenda, mas olha a paisagem", diz Santos. Segundo ele, a diferença entre a nova plataforma e outras está no fato de ela "olhar para a frente, e não para o retrovisor". "A ferramenta vê o potencial [para investimento] em áreas que nem estavam no nosso radar ou endossa reflexos [riscos] que já tinham sido identificados".
Na primeira versão, a Agroideal estará voltada somente à região do Cerrado. Já no fim deste ano, será estendida para o Chaco paraguaio e argentino. Depois, para a Amazônia. A partir do ano que vem, o sistema deverá estar rodando também para pecuaristas desses mesmos biomas.
Rodrigo Spuri – Foto -, coordenador de engajamento do setor da The Nature Conservancy (TNC), responsável pela manutenção técnica da Agroideal, explica que uma preocupação das empresas era em evitar a rastreabilidade do sistema – quem entrou, que tipos de buscas fez, quais regiões foram pesquisadas, etc. Por isso, construíram uma ferramenta com a opção de entrada sem login. "A trading realiza a simulação de cenário e faz o download para a sua própria máquina, sem deixar rastros. São informações confidenciais estratégicas" (Assessoria de Comunicação, 12/9/17)

2-Bunge e parceiros lançam base de dados para combater desmatamento

A Bunge e alguns parceiros lançaram nesta terça-feira uma base de dados online com o objetivo de ajudar companhias a tomar decisões de compras e investimentos que desencorajam produtores de cortarem árvores para tornar a terra cultivável.

A base de dados em português www.agroideal.org atualmente possui dados sobre o Cerrado brasileiro e mais tarde incluirá dados sobre a região da Amazônia. Essa informação pode ser usada para avaliar os riscos ambientais e sociais de contribuir ao desmatamento por meio da expansão do plantio de soja no Brasil, maior exportador mundial da oleaginosa.

“Estamos agora testando a ferramenta em uma série de maneiras do lado comercial, testando vários cenários”, disse Stewart Lindsay, vice-presidente para questões corporativas globais da Bunge, durante o lançamento da iniciativa em São Paulo.

O projeto foi financiado em maior parte pela Bunge e desenvolvido em parcerias com ONGs, outras tradings globais, bancos, empresas de consultoria e a Embrapa. O projeto será replicado no Paraguai e na Argentina, disse Lindsay.

A Bunge, que investiu cerca de 1,3 milhão de dólares na plataforma, assumiu um compromisso há dois anos de eliminar o desmatamento em sua cadeia produtiva.

Lindsay disse que o foco da Bunge é de aumentar a rastreabilidade de sua cadeia produtiva, apontando a fronteira agrícola brasileira do Matopiba como uma área de alta prioridade. A Bunge disse em maio que era capaz de rastrear as origens de 80 por cento de suas compras em importantes municípios do Brasil, Paraguai e Argentina.

Tradings como a Bunge deverão ser os usuários primários da base de dados, uma vez que eles originam grãos, disse David Cleary, diretor de agricultura da The Nature Conservancy, o grupo ambiental que ajudou a conceber a plataforma.

Outros possíveis usuários da Agroideal incluem autoridades brasileiras responsáveis por planejar políticas de infraestrutura, disse ele (Reuters, 12/9/17)

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