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Cana, Açúcar e Agroenergia

16/08/2012 - 06:56:09 - Versão para impressão

Cenário adverso para usinas do Nordeste em 2012/13


Por causa do cenário adverso que afeta o setor sucroalcooleiro, algumas usinas do Centro-Sul deixaram de moer cana neste ciclo 2012/13, e já se prevê que, no Nordeste, onde a safra começa em setembro, algumas unidades também não vão conseguir operar. A estimativa é que cinco das 77 usinas nordestinas não processem cana neste ciclo. Assim, a moagem da região, que foi de 65 milhões de toneladas no ciclo passado, pode cair para 59 milhões nesta temporada.
Além dos problemas de competitividade que afligem o setor em todo o país, as usinas do Nordeste, concentradas em Pernambuco e Alagoas, convivem com custos mais expressivos de mão de obra, por conta do baixo índice de mecanização dos canaviais.
Entre as unidades que devem ficar paradas na próxima safra está a Usina Catende, localizada no município de mesmo nome, na Zona da Mata pernambucana. Em seus tempos áureos, na década de 1920, Catende era considerada a mais importante processadora de cana do país, com 1,5 milhão de toneladas de moagem.
Sucateada e com uma dívida que passa de R$ 1 bilhão, a usina foi a leilão duas vezes neste ano, porém não houve interessados em pagar os R$ 100 milhões estipulados como lance mínimo. O preço para o próximo certame, marcado para o dia 29 deste mês, caiu para R$ 39,3 milhões.
Pelo menos outras três unidades de Pernambuco também correm o risco de ficar paradas, entre elas as usinas Cruangi e Vitória, ambas na Zona da Mata. Em Alagoas, maior Estado produtor da região, existe a possibilidade de que a moagem local seja concentrada em um número reduzido de usinas. Unidades da Paraíba também estão ameaçadas.
Responsável por cerca de 12% da cana moída no país, o Nordeste concentra 30% dos custos com mão de obra, o que torna a região ainda mais vulnerável aos efeitos da crise em que o etanol não consegue competir com o preço da gasolina. Além disso, a economia menos diversificada da região torna os Estados mais dependentes do setor. "Cerca de um quarto dos municípios de Pernambuco tem ligação com a cana", diz Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE.
O dirigente sublinha que o cenário é ainda mais complicado para as destilarias nordestinas, que produzem apenas etanol em tempos em que a produção de açúcar tem garantido alguma rentabilidade à indústria.
Em busca de alternativas, representantes do Fórum Nacional Sucroenergético se reuniram na última quarta-feira com técnicos do governo federal, em Brasília. Na pauta, os empresários defenderam maior previsibilidade para o percentual de mistura de álcool anidro à gasolina e, eventualmente, alguma desoneração fiscal.
No Centro-Sul, entre as usinas que não estão operando está a Dracena, localizada no município paulista de mesmo nome. A empresa decidiu vender sua cana para a ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht. Há também na região muitas usinas à venda por dificuldades financeiras, que se aprofundaram nas últimas safras. A estimativa do mercado é que esse grupo seja formado por usinas que somam capacidade para moer 75 milhões de toneladas de cana (Valor, 16/8/12)

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