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CLIPPING EXTRA

03/06/2008 - 16:02:29 - Versão para impressão

CLIPPING EXTRA 3/06/2008

LULA DESMISTIFICA E RESPONDE À ALTURA ATAQUES AO ETANOL “VERDE-AMARELO”
Em pronunciamento histórico, na manhã de hoje em Roma, o presidente Lula foi incisivo ao declarar que “dedos que apontam contra os biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão”, desmistificando os ataques que o etanol brasileiro vem recebendo, de forma orquestrada e sistemática, por parte de autoridades que usam instituições internacionais e uma mídia desinformada para denegrir, intencionalmente a imagem do nosso país e do nosso biocombustível.
A propósito, nesta quarta-feira (4), a partir das 15h, na sede da Canaoeste em Sertãozinho (SP), o embaixador Rubens Ricupero fará uma análise desta crise artificial e apontando os caminhos para debelá-la. Ricupero, que foi embaixador do Brasil nos EUA e na Itália, ex-ministro da Fazenda, do Meio Ambiente e de Assuntos Amazônicos, foi também secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctat), é o mais experiente e bem sucedido diplomata brasileiro em questões que se relacionem com o comércio internacional.
As inscrições para a palestra, gratuitas, podem ser feitas através do e-mail tv@brasilagro.com.Br.
A seguir estamos divulgando as notícias distribuídas pelos principais órgãos de comunicação do Brasil e do mundo com a repercussão do pronunciamento do presidente Lula (Da Redação, 3/06/08)


LULA CULPA LOBBY DE PETRÓLEO POR DISCURSO ANTI-ETANOL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira na conferência da FAO sobre a crise do preço dos alimentos que os "dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão".
No plenário da agência da ONU para Agricultura e Alimentos, Lula disse aos líderes mundiais que "para entender plenamente as verdadeiras razões da atual crise alimentar, é indispensável afastar a cortina de fumaça lançada por lobbies poderosos, que pretendem atribuir à produção de etanol a responsabilidade pela recente inflação do preço dos alimentos".
"Esse comportamento não é neutro nem desinteressado", afirmou.
Lula disse que um dos principais fatores da crise são as "absurdas políticas protecionistas na agricultura dos países ricos" e distanciou a produção brasileira de etanol da americana, que é baseada no milho.
Segundo ele, o milho americano só é competitivo contra a cana-de-açúcar brasileira quando "anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias".
"Não sou favorável a que se produza etanol a partir de alimentos, como no caso do milho e outros. Não acredito que alguém vá querer encher o tanque do seu carro com combustível, se para isso tiver de ficar de estômago vazio", disse.
"Findas as reuniões e apagadas as luzes, parece que as pessoas voltam-se para seus afazeres do dia-a-dia. E aí a fome é esquecida, para ser lembrada apenas quando ocorre uma explosão como a das últimas semanas."
DISCURSO DE LULA NA CONFERÊNCIA
A Conferência da FAO, que começou nesta terça-feira, tenta chegar a uma conclusão sobre o peso dos diferentes fatores que estão causando a alta do preço dos alimentos. Lula discursou no plenário diante dos chefes de Estado do Japão, França, Espanha, Irã e Argentina, entre outros.
O presidente começou o discurso afirmando que seu governo liderou o combate à fome e criticou a comunidade internacional por não dar continuidade a ações negociadas em encontros.
"Findas as reuniões e apagadas as luzes, parece que as pessoas voltam-se para seus afazeres do dia-a-dia. E aí a fome é esquecida, para ser lembrada apenas quando ocorre uma explosão como a das últimas semanas."
Lula falou por quase 30 minutos, o que gerou uma manifestação de desconforto do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.
Após o discurso, Berlusconi disse que quando Karl Marx pediu um mês para falar aos trabalhadores sobre a revolução do proletariado, recebeu apenas três segundos. "Acho que cinco minutos é um tempo bom", disse o italiano.
PROTECIONISMO
O protecionismo dos países ricos à produção agrícola dos emergentes foi um dos alvos preferidos de Lula em seu discurso.
"É preciso reconhecer que, se a agricultura dos países em desenvolvimento tivesse sido estimulada por um mercado livre, talvez não estivéssemos vivendo essa crise de alimentos"
"Vejo com desolação que muitos dos que responsabilizam o etanol - inclusive o etanol da cana-de-açúcar - pelo alto preço dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo", disse.
"Baratear a energia e os fertilizantes e acabar com os subsídios intoleráveis da agricultura nos países ricos - estes são nossos maiores desafios hoje."
"É preciso reconhecer que, se a agricultura dos países em desenvolvimento tivesse sido estimulada por um mercado livre, talvez não estivéssemos vivendo essa crise de alimentos."
VILÃO
Lula disse que a inflação dos alimentos é causada não só por um fator, mas por vários – como a alta do petróleo, as mudanças cambiais, a especulação nos mercados financeiros, as quedas nos estoques mundiais, o aumento do consumo em países em desenvolvimento, como China, Índia, Brasil e as políticas protecionistas dos países ricos.
"Os biocombustíveis não são o vilão que ameaça a segurança alimentar das nações mais pobres", disse.
Sobre o preço do petróleo, Lula apresentou uma série de estatísticas. Ele disse que o petróleo, que representaria 37% da matriz energética brasileira, seria responsável por 30% do custo final.
"Aí, eu me pergunto: e quanto não pesa o petróleo no custo de produção de alimentos de outros países que dele dependem muito mais do que nós? Ainda mais quando se sabe que, nos últimos anos, o preço do barril saltou de 30 para mais de 130 dólares."
"Os biocombustíveis não são o vilão que ameaça a segurança alimentar das nações mais pobres."
Lula também rebateu as críticas de que o etanol estaria invadindo outras lavouras ou que ela ameaçasse a Amazônia, citando que toda a cana produzida no Brasil estaria em apenas 2% da área agrícola do país.
"Há críticos ainda que apelam para um argumento sem pé nem cabeça: os canaviais no Brasil estariam invadindo a Amazônia. Quem fala uma bobagem dessas não conhece o Brasil", disse Lula.
"99,7% da cana está a pelo menos 2 mil quilômetros da Floresta Amazônica. Isto é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin."
SOLUÇÕES
O presidente concluiu o discurso dizendo que sempre foi um otimista e que ainda confia na capacidade da humanidade de criar novas soluções diante de novos desafios.
"A solução não está em se proteger ou em tentar frear a demanda. A solução está em aumentar a oferta de alimentos, abrir mercados e eliminar subsídios de modo a atender à demanda crescente. E para isso é necessário uma mudança radical nas formas de pensar e atuar" (BBC Brasil, 3/06/08)

LULA DEFENDE ETANOL E CULPA PETRÓLEO E SUBSÍDIOS POR CRISE DOS ALIMENTOS
'Dedos que apontam contra biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão', disse ele.
Em conferência da FAO, presidente voltou a pedir revisão da Rodada de Doha.
Em discurso na Conferência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), nesta terça-feira (3) em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a produção brasileira de etanol e criticou os países que atribuem ao Brasil e às plantações de cana-de-açúcar a responsabilidade pela crise nos alimentos no mundo.
"Esse comportamento não é neutro nem desinteressado. Os biocombustíveis não são os vilões. Vejo com indignação que muitos dos dedos que apontam contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão. muitos dos que responsabilizam o etanol – inclusive o etanol da cana-de-açúcar – pelo alto preço dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo", criticou o presidente.
Diante de vários chefes de Estado e de Governo presentes ao evento, o presidente criticou o "intolerável protecionismo que atrofia e desorganiza" a produção agrícola dos países pobres.
"Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los", disse, segundo a Agência Brasil. "É indispensável afastar a cortina de fumaça lançada por lobbies poderosos que pretendem atribuir à produção do etanol a responsabilidade pela recente inflação do preço dos alimentos", completou.
'Etanol é como colesterol'
Lula selecionou fatos brasileiros para responder às acusações de que o programa de etanol brasileiro diminuiu a produção de grãos e pode invadir as áreas de mata da Amazônia. Lembrou dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, para não usar dados brasileiros, mostrando que toda a cana-de-açúcar brasileira está concentrada em apenas 2% da sua área agrícola e apenas a metade disse é usado para etanol. O restante é usado em açúcar.
"Há críticos ainda que apelam para um argumento sem pé nem cabeça: os canaviais no Brasil estariam invadindo a Amazônia. Quem fala uma bobagem dessas não conhece o Brasil", criticou.
"A Região Norte, onde fica quase toda a Floresta Amazônica, tem apenas 21 mil hectares de cana, o equivalente a 0,3% da área total dos canaviais do Brasil. Ou seja, 99,7% da cana está a pelo menos 2 mil quilômetros da Floresta Amazônica. Isso é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin. Em suma, o etanol de cana no Brasil não agride a Amazônia, não tira terra da produção de alimentos, nem diminui a oferta de comida na mesa dos brasileiros e dos povos do mundo".
Lula, no entanto, se uniu às críticas ao etanol americano, feito de milho, e que tem sido apontado como o possível maior vilão da alta de preços, já que tem sido desviado da produção alimentar para os combustíveis. "É evidente que o etanol do milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias", disse.
"O etanol da cana gera 8,3 vezes mais energia renovável do que a energia fóssil empregada na sua produção. Já o etanol do milho gera apenas uma vez e meia a energia que consome. É por isso que há quem diga que o etanol é como o colesterol. Há o bom etanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o planeta e é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dos subsídios".
Petróleo
Lula também disse que considera que entre os fatores que influenciam a alta espetacular dos preços dos alimentos está o elevado preço do petróleo, que passou de US$ 30 a US$ 130 em pouco tempo.
O presidente reclamou daqueles que falam da alta dos alimentos, mas não discutem o preço do petróleo, que seria responsável por 30% do custo final da produção de alimentos no Brasil. "O petróleo pesa muito no custo das lavouras brasileiras. Aí, eu me pergunto: e quanto não pesa o petróleo no custo de produção de alimentos de outros países que dele dependem muito mais do que nós?".
O presidente referiu-se aos países que criticam a produção de biocombustíveis brasileira, mas se recusam a admitir que o preço do petróleo tem influência direta na alta dos alimentos. "É curioso: são poucos os que mencionam o impacto negativo do aumento dos preços do petróleo sobre os custos de produção e transporte dos alimentos", disse.
Ele voltou a pedir a revisão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) que "permita aos países mais pobres gerar renda com sua produção e exportação" (G1, 3/06/08)

NA FAO, LULA FAZ DURA DEFESA DO ETANOL E CRITICA SUBSÍDIOS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma dura defesa do etanol brasileiro e uma crítica enfática aos subsídios dados aos agricultores de países desenvolvidos em discurso na reunião da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) nesta terça-feira.
Em sua fala, o presidente apontou os subsídios agrícolas como um dos responsáveis pela recente alta nos preços dos alimentos e afirmou que a acusação de que a produção do etanol tem contribuído para esse fenômeno "não resiste a uma discussão séria" e que o argumento se trata de uma "cortina de fumaça lançada por lobbies poderosos, que pretendem atribuir à produção de etanol a responsabilidade pela recente inflação do preço dos alimentos".
Ao defender o etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, Lula comparou o produto ao colesterol e criticou o biocombustível produzido a partir de alimentos básicos, como o milho.
"Há quem diga que o etanol é como o colesterol. Há o bom etanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o planeta e é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dos subsídios", afirmou.
"Não sou favorável a que se produza etanol a partir de alimentos, como no caso do milho e outros. Não acredito que alguém vá querer encher o tanque do seu carro com combustível, se para isso tiver de ficar de estômago vazio."
Lula aproveitou o discurso na reunião da FAO, que tem como principal ponto de sua agenda a alta nos preços dos alimentos, para rebater com termos duros os críticos dos biocombustíveis.
"Vejo com indignação que muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão", criticou. "Vejo com desolação que muitos dos que responsabilizam o etanol --inclusive o etanol da cana-de-açúcar-- pelo alto preço dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas."
De acordo com o presidente, que tem feito do etanol um dos pontos principais de sua política externa, "a superação dos entraves atuais requer uma conclusão bem-sucedida, o quanto antes, da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio)".
"Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los", defendeu.
Recentemente, críticos dos biocombustíveis, particularmente do etanol brasileiro, têm afirmado que o cultivo do produto tem avançado sobre plantações de alimentos. Para Lula, "essas críticas não têm qualquer fundamento".
"Desde 1970, quando lançamos nosso programa de etanol, a produção do etanol de cana por hectare mais do que dobrou", disse. "Por outro lado, de 1990 para cá, nossa produção de grãos cresceu 142 por cento. Já a área plantada expandiu-se no mesmo período apenas 24 por cento", afirmou.
Outra crítica rebatida por Lula no discurso foi a de que as lavouras de cana têm avançado sobre a floresta amazônica. O presidente considerou o argumento "sem pé nem cabeça" e atribuiu a informação a pessoas "que não conhecem o Brasil".
Lula citou dados, segundo os quais apenas 0,3 por cento da área total de canaviais do país está na região Norte, que abriga a maior parte da Amazônia.
"Ou seja, 99,7 por cento da cana está a pelo menos 2 mil quilômetros da floresta amazônica. Isto é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin", comparou o presidente, citando que o Brasil tem 77 milhões de hectares de terras agrícolas, fora da Amazônia, que ainda não estão sendo utilizados (Reuters, 3/06/08)

LULA DENUNCIA PROTECIONISMO E DEFENDE BIOCOMBUSTÍVEIS EM REUNIÃO DA ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou nesta terça-feira em Roma (capital da Itália) o "intolerável protecionismo que atrofia e desorganiza" a produção agrícola dos países pobres e defendeu hoje o uso dos biocombustíveis frente aos que culpam essa fonte de energia pela alta do preço dos alimentos. As declarações foram feitas na reunião de cúpula da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, na sigla em inglês) sobre a crise alimentar mundial.
"É intolerável o protecionismo que atrofia e desorganiza a produção agrícola dos países, sobretudo os mais pobres. A razão da atual crise de alimentos é sobretudo a distribuição", afirmou.

Lula ainda considerou que entre os fatores que influenciam a alta espetacular dos preços dos alimentos está o elevado preço do petróleo, que passou de US$ 30 a US$ 130 em pouco tempo. Ele afirmou se sentir desolado porque "muitos dos que responsabilizam o álcool pelos altos preços dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo".

Embora tenha reconhecido que "a inflação do preço dos alimentos não tem uma única explicação", Lula dirigiu a culpa dessa alta, especialmente, ao petróleo e ao protecionismo. "Os biocombustíveis não são os vilões. Vejo com indignação que muitos dos dedos que apontam contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão", criticou o presidente.

Lula disse não ser favorável à produção de álcool a partir de alimentos, como é o caso do milho e de outros, pois duvida que as pessoas vão "encher o tanque de seu carro com combustível se para isso ficarem com o estômago vazio".

No entanto, defendeu de todas as críticas a produção de álcool feita pelo Brasil a partir da cana-de-açúcar. "Para entender plenamente as verdadeiras razões da crise alimentícia atual é indispensável, portanto, afastar o sinal de fumaça lançado por 'lobbies' poderosos, que pretendem atribuir à produção de álcool a responsabilidade pela recente inflação do preço dos alimentos", disse.

Para sustentar suas afirmações, Lula ofereceu uma série de dados e destacou, por exemplo, que, no Brasil, "em cada grão de feijão, de arroz, de milho, de soja, ou em cada litro de leite, o petróleo é responsável por 30% do custo final".

Por esse motivo, disse que o Brasil, junto com a América Central, pediu na semana passada à ONU a convocação urgente de uma conferência internacional para discutir o assunto do petróleo.

Além disso, defendeu que o álcool é um combustível que ajuda a frear o aquecimento global e rechaçou com números os que dizem que a dedicação ao cultivo de cana-de-açúcar prejudica a Amazônia. "A floresta amazônica tem somente 21 mil hectares de cana, o equivalente a 0,3% da área total dos canaviais do Brasil."

Para superar a atual crise, propôs "produzir mais e distribuir melhor" os alimentos, mas se perguntou de que serve "produzir, se os subsídios e o protecionismo lhe tiram acesso aos mercados, mutilam a receita e tornam inviável a atividade agrícola sustentável".

Por esse motivo, exigiu "a superação dos bloqueios atuais" na Rodada Doha de desenvolvimento que permitam acabar com o protecionismo.

Café com o presidente

Ontem, no programa de rádio "Café com o Presidente", Lula disse que o problema da fome "volta e volta com força no mundo, e o mundo começa a discutir", e que é preciso estabelecer uma estratégia de melhorar e aumentar a produção de alimentos, "e, sobretudo, você tirar os subsídios na agricultura dos países mais ricos que tornam praticamente impossível do mundo pobre vender comida à Europa."

"Uma das atitudes seria concluir o acordo da OMC [Organização Mundial do Comércio] na Rodada de Doha, que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas que dão aos seus agricultores, que os Estados Unidos diminuam os subsídios. E aí sim os países pobres vão se sentir motivados a produzir mais alimentos para comer e para vender", disse ontem o presidente (Folha Online, 3/06/08)


LULA VOLTA A CRITICAR PAÍSES QUE CULPAM ETANOL POR CRISE DE ALIMENTOS
Em discurso na abertura da Conferência da FAO - a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo pelo fim da fome e criticou duramente os países que atribuem ao Brasil e às plantações de etanol e biocombustíveis a responsabilidade pela crise nos alimentos no mundo.

"Esse comportamento não é neutro nem desinteressado. Vejo com indignação que muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão. Vejo com desolação que muitos dos que responsabilizam o etanol - inclusive o etanol da cana-de-açúcar - pelo alto preço dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo", disse Lula.

O Brasil atribui a crise alimentar no mundo à duas causas: a alta do petróleo e os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos. "Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los", disse. "É indispensável afastar a cortina de fumaça lançada por lobbies poderosos que pretendem atribuir à produção do etanol a responsabilidade pela recente inflação do preço dos alimentos", completou, afirmando que o protecionismo agrícola atrofia e desorganiza a produção dos países mais pobres.

Ele voltou a pedir a revisão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) que "permita aos países mais pobres gerar renda com sua produção e exportação".

Lula reclamou daqueles que falam da alta dos alimentos, mas não discutem o preço do petróleo, que seria responsável por 30% do custo final da produção de alimentos no Brasil. "O petróleo pesa muito no custo das lavouras brasileiras. Aí, eu me pergunto: e quanto não pesa o petróleo no custo de produção de alimentos de outros países que dele dependem muito mais do que nós? Ainda mais quando se sabe que, nos últimos anos, o preço do barril saltou de 30 para mais de 130 dólares".

O presidente referiu-se aos países que criticam a produção de biocombustíveis brasileira, mas se recusam a admitir que o preço do petróleo tem influência direta na alta dos alimentos. "É curioso: são poucos os que mencionam o impacto negativo do aumento dos preços do petróleo sobre os custos de produção e transporte dos alimentos", disse (Agência Brasil, 3/06/08)


DEDOS APONTADOS CONTRA O ETANOL ESTÃO SUJOS DE ÓLEO, DIZ LULA
Presidente abre conferência da ONU sobre alimentos com defesa dos biocombustíveis e ataque aos subsídios.

"Vejo com indignação que muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão. Vejo com desolação que muitos dos que responsabilizam o etanol - inclusive o etanol da cana-de-açúcar - pelo alto preço dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo", disse presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira, 3, na Conferência de Alto Nível do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O presidente abriu seu discurso de 30 minutos na manhã desta terça, em Roma, com um duro ataque aos subsídios agrícolas impostos pelos países desenvolvidos e voltou a insistir no potencial dos biocombustíveis. Ele foi o segundo a falar na plenária dos chefes de Estado e governo e classificou de "uma burla" e uma "cortina de fumaça" as tentativas de associar a alta de alimentos com a produção de etanol.

"É com espanto que vejo tentativas de criar uma relação de causa e efeito entre os biocombustíveis e o aumento dos preços dos alimentos. É curioso: são poucos os que mencionam o impacto negativo do aumento dos preços do petróleo sobre os custos de produção e transporte dos alimentos. Esse comportamento não é neutro nem desinteressado", acusou Lula.

O presidente considera a crise atual basicamente uma crise de distribuição, com várias causas adjacentes, entre eles a alta do petróleo, além dos subsídios, que acusou de "atrofiar e desorganizar" a produção em outros Países.

Durante o discurso, Lula cobrou a eliminação de "práticas desleais que caracterizam a prática agrícola". "Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los", afirmou.

O presidente também propôs uma "globalização da agricultura", nos moldes em que os Países desenvolvidos tanto se empenham em ter na produção industrial. "Precisamos reformular visões, reciclar idéias. A globalização, que se instalou de maneira tão ampla na indústria, precisa chegar à agricultura", cobrou.

Amazônia

Para responder às acusações, Lula exibiu dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, para não usar dados brasileiros, mostrando que toda a cana-de-açúcar brasileira está concentrada em apenas 2% da sua área agrícola e apenas a metade disse é usado para etanol. O restante é usado em açúcar. "Há críticos ainda que apelam para um argumento sem pé nem cabeça: os canaviais no Brasil estariam invadindo a Amazônia. Quem fala uma bobagem dessas não conhece o Brasil", criticou.

"A Região Norte, onde fica quase toda a Floresta Amazônica, tem apenas 21 mil hectares de cana, o equivalente a 0,3% da área total dos canaviais do Brasil. Ou seja, 99,7% da cana está a pelo menos 2 mil quilômetros da Floresta Amazônica. Isto é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin. Em suma, o etanol de cana no Brasil não agride a Amazônia, não tira terra da produção de alimentos, nem diminui a oferta de comida na mesa dos brasileiros e dos povos do mundo".

Bom etanol X mau etanol

Lula, no entanto, se uniu às críticas ao etanol americano, feito de milho, e que tem sido apontado como o possível maior vilão da alta de preços, já que tem sido desviado da produção alimentar para os combustíveis. "É evidente que o etanol do milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias", disse.

"O etanol da cana gera 8,3 vezes mais energia renovável do que a energia fóssil empregada na sua produção. Já o etanol do milho gera apenas uma vez e meia a energia que consome. É por isso que há quem diga que o etanol é como o colesterol. Há o bom etanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o planeta e é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dos subsídios" (Agência Estado, 3/06/08)



LULA DISCURSA, VOLTA A DEFENDER A PRODUÇÃO DO ETANOL E CONDENA OS PROTECIONISTAS
Depois do discurso do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, um dos pronunciamentos de maior destaque na abertura da reunião sobre a crise dos alimentos, nesta terça-feira, em Roma, foi o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro voltou a defender a produção nacional de biocombustível, condenando o protecionismo dos países ricos. Segundo ele, as tentativas de ligar a alta nos preços da comida aos biocombustível é "mais que uma simplificação, é uma afronta".

"A ligação entre os biocombustíveis e a alta dos preços não se sustenta", disse Lula. "O aumento dos preços não tem uma explicação única. É uma mistura de aumentos dos preços do petróleo e fertilizantes, do aquecimento global, da especulação, do consumo crescente nos países em desenvolvimento e também de uma absurda política agrícola protecionista dos países ricos." Conforme Lula, o protecionismo "intolerável" das nações desenvolvidas prejudica demais os países pobres.

Os biocombustíveis devem ser tema de destaque na conferência, que reúne chefes de estado como Nicolas Sarkozy, da França, e Mahmoud Ahmadinejad, do Irã. O chefe da ONU, Ban Ki-moon, adotou tom conciliatório na abertura, dizendo que o mundo precisa alcançar "um grau maior de consenso nas políticas de biocombustíveis". Mas o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, voltou a atacar os biocombustíveis, criticando o uso de produtos agrícolas para "matar a sede dos veículos" (Veja Online, 3/06/08)

LÍDERES MUNDIAIS BUSCAM CONSENSO PARA CRISE DOS ALIMENTOS
Chefes de Estado de mais de 30 países começam a discutir nesta terça-feira em Roma, na Itália, a crise provocada pela alta do preço mundial dos alimentos, que provocou desabastecimento e violência em diversas partes do mundo.

A Conferência da FAO (a agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos) tem como objetivo chegar a um consenso sobre as verdadeiras causas da atual crise. Outro objetivo é coordenar a ação global para melhorar a situação dos mais atingidos.

O preço dos alimentos vem crescendo em ritmo cada vez mais acelerado nos últimos anos, segundo o índice de inflação de alimentos da FAO. Os preços subiram 8% em 2006 e 24% em 2007. Só nos primeiros três meses deste ano, o índice teve alta de 53%.

Um relatório da agência da ONU afirma que os preços dos alimentos devem continuar muito acima da média recente nos próximos dez anos.

Segundo o Banco Mundial, nos últimos dois anos mais de 100 milhões de pessoas caíram para abaixo da linha da pobreza, com renda inferior a US$ 1 por dia. O principal fator do aumento da pobreza seria a crise da alta dos alimentos.

Nos países com grande parcela da população pobre – como Haiti e na África Subsaariana – houve violência devido ao desabastecimento.

Vilões

Diversos fatores são apontados como vilões da crise, entre eles o aumento do consumo mundial – sobretudo nos países emergentes –, problemas de safra em alguns países produtores, a alta do preço do petróleo, o aumento da produção de biocombustíveis no lugar de alimentos, a queda da cotação do dólar e a especulação no mercado de commodities.

No entanto, não existe um consenso internacional sobre o peso exato que cada um desses fatores tem isoladamente na composição da inflação mundial.

O Brasil participa da reunião empenhado em aliviar a pressão contra os biocombustíveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursa na abertura do encontro, deve fazer uma crítica ao impacto da alta do petróleo na crise e das barreiras comerciais impostas ao etanol do país.

Na véspera do encontro, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, teria dito a Lula, em um encontro reservado, que teme uma “excessiva politização” da atual crise.

Lula vem atacando as críticas ao etanol – o que ele chamou de “guerra necessária” – como uma campanha de diferentes segmentos que estariam perdendo economicamente com o produto brasileiro.

Ação coordenada

Outro tema da conferência é como a comunidade internacional deve ajudar as pessoas que já estão sendo afetadas pela crise.

O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, disse que uma ação coordenada dos países é “urgente” para ajudar cerca de 862 milhões de pessoas que já sofrem com a fome no mundo.

A conferência da FAO termina na quinta-feira, quando os participantes devem divulgar uma declaração final indicando algumas soluções e medidas para lidar com a crise.

Além de Lula, participam do encontro o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e os primeiros-ministros da Espanha, José Luis Zapatero, e da Itália, Silvio Berlusconi.

No entanto, as maiores atenções da imprensa internacional em Roma estão voltadas para outros dois participantes – os presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e do Zimbábue, Robert Mugabe.

Na segunda-feira, a presença de Mugabe – que enfrenta acusações de perseguir a oposição e fraudar as eleições no seu país – foi chamada de “obscena” por autoridades da Grã-Bretanha e da Austrália (BBC Brasil, 3/06/08)


COM ÁLCOOL, BRASIL É ESTRELA DE CONFERÊNCIA DA ONU, DIZ "EL PAÍS"
Os biocombustíveis estão no centro do furacão da crise dos alimentos e, por isso, o Brasil é um dos protagonistas da conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, na sigla em inglês) em Roma (Itália) que discute o tema, diz um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal espanhol "El País".

O diário destaca que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros líderes a chegar a Roma e afirma que o "Brasil aposta parte de seu futuro na batalha [dos biocombustíveis]".

"Em dois anos [o país] estará entre os maiores exportadores mundiais de álcool de cana-de-açúcar e já é líder em vendas de carros flex, que rodam com gasolina ou álcool", diz o texto.

O jornal destaca a postura de Lula em defender o álcool e culpar o petróleo pela alta nos preços dos produtos agrícolas. De acordo com o jornal, Lula ataca a especulação do preço do petróleo e os subsídios europeus à agricultura e defende a "revolução energética dos biocombustíveis".

O "El País" cita o encontro do presidente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, agendado para esta terça-feira. Segundo o jornal, Lula deve pedir um encontro internacional para discutir a especulação no setor petroleiro e tentar encontrar um preço compatível com a necessidade dos países pobres.

O jornal cita ainda a afirmação de Lula sobre os "inimigos do álcool" que são, segundo ele, "os lobbies petrolíferos e também a indústria automotiva européia, que não quer mudar seu modelo de produção".

O diário espanhol conclui suas considerações sobre a postura do presidente destacando a foto mostrada por Lula no final de sua entrevista com a imprensa, na segunda-feira. A imagem traz um modelo de carro a ser produzido no Brasil com plástico extraído de álcool de cana, "sem uma gota de petróleo", afirma o texto (Folha Online, 3/06/08)


APÓS ATAQUE A SUBSÍDIOS, LULA CANCELA COLETIVA NA FAO
Anúncio surpreende a imprensa, que pretendia perguntar sobre os números de desmatamento na Amazônia.
Após um duro discurso em defesa dos biocombustíveis e contra os subsídios agrícolas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou a entrevista coletiva que daria nesta terça-feira, 3, na sede do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A justificativa de sua assessoria é de que houve atraso do primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, que falaria primeiro na coletiva.
O cancelamento da coletiva surpreendeu a imprensa internacional, que pretendia repercutir o discurso que Lula fez pela manhã, na conferência da FAO, e os novos números sobre o desmatamento na Amazônia (1.123 quilômetros quadrados). Os dados do Inpe, divulgados na última segunda-feira, mostram que a área desmatada nos últimos nove meses na Amazônia já superou em 15% o acumulado de 12 meses do ano anterior.
O presidente deixou a Embaixada do Brasil em Roma, em direção ao Aeroporto Internacional de Ciampino. O horário de embarque para o Brasil seria somente daqui a uma hora, mas o presidente já deixou a embaixada, sem falar com a imprensa (Agência Estado, 3/06/08)


ESPECIALISTAS DA FAO AMENIZAM CRÍTICAS AO BIOCOMBUSTÍVEL
A julgar pela opinião de especialistas da FAO ouvidos pela BBC Brasil, os biocombustíveis podem sair da conferência do órgão que começa nesta terça-feira em Roma sem a imagem de vilão da crise dos preços dos alimentos que vinha se desenhando nos últimos meses.

"O que nós sabemos hoje, um pouco mais do que sabíamos anteriormente, como resultado de vários estudos, é que (os biocombustíveis) são um fator contribuinte, mas não se pode quantificar como fator principal", disse à BBC Brasil Cristina Amaral, coordenadora do grupo da FAO criado em dezembro para lidar com a crise.

"Contribui, mas não é o vilão da crise, não é o fator principal. Tem muitos fatores que estão sendo reconhecidos em nível mundial como culpados pela crise", acrescenta Olivier Dubois, coordenador do grupo de bionergia da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação).

A produção de biocombustíveis a partir de produtos agrícolas chegou a ser classificada pelo ex-relator especial da ONU para o Direito ao Alimento, Jean Zigler, de um "crime contra humanidade".

Na visão de Ziegler, a produção de etanol reduziria a de alimentos, provocando escassez e elevação de preços.

Arroz

Na semana passada, em entrevista à BBC Brasil, o novo relator Olivier De Schutter, também já havia se distanciado das afirmações mais contundentes de Ziegler.

De acordo com Dubois, alguns estudos já apontaram os biocombustíveis como responsáveis por entre 20% e 30% da alta dos preços dos alimentos.

A própria FAO já trabalhou com valores entre 10% e 20%. E um novo relatório com uma avaliação mais precisa deve ser divulgado em breve.

"O impacto exato sobre o preço depende das condições de cada país, se é importador ou exportador de alimentos, do tipo de sistema de produção, da matéria-prima empregada", disse Dubois.

"Mas não faz sentido falar em valor médio", disse o especialista. "Alimentos como o arroz aumentaram de preço e isso não tem nada a ver com a produção de biocombustível."

"Dicotomia"

Para o oficial especial de políticas agrícolas da FAO, Carlos Santana, a decisão dos Estados Unidos de incentivar a produção de etanol de milho contribuiu para a crise por ter sido tomada em um momento crítico.

"Paralelamente ao aumento do preço do petróleo, a mudança no tipo de consumo de países emergentes e a especulação nas bolsas mundiais, a decisão dos Estados Unidos de incentivar a produção do milho também contribuiu para a crise", afirma Carlos Santana, oficial especial de políticas agrícolas da FAO.

"Esse conjunto de fatores colocou frente a frente, de uma maneira contraposta, alimentos e bioenergia. Mas, na realidade, não existe essa dicotomia."

Na opinião de Cristina Amaral, os mercados não tiveram capacidade de resposta a um aumento da procura num período de estoques mundiais muito baixos – menor nível dos últimos 25 anos –, mudança na qualidade do consumo e procura crescente por bens alimentares sempre mais diversificados.

Ela também assinala a seca na Austrália e produções baixas em várias zonas produtoras como fatores conjunturais que contribuíram para a crise.

"Nesse momento, nós sabemos que muito possivelmente a produção agrícola em 2008 será superior a de 2007".

"Mas esse crescimento global da produção agrícola não é ainda suficiente para fazer baixar significamente os preços."

Subsídios

A avaliação de que não há necessariamente uma incompatibilidade entre a produção de alimentos e biocombustíveis é compartilhada por Olivier Dubois, que vê o Brasil na vanguarda mundial da produção de biocombustíveis.

Dubois defende o fim do subsído dos Estados Unidos ao etanol de milho, o que potencialmente abriria o mercado americano ao álcool de cana brasileiro mais eficiente e mais barato.

Para Dubois, mesmo no caso do milho, é possível balancear a produção de energia com a de outros alimentos, bastando utilizar o subproduto para alimentar o gado, misturando ou fazendo rotação de culturas.

Dubois também defende que sejam colocadas em prática as pesquisas sobre o biocombustível de segunda geração, feito a partir da celulose, de ervas, pastagens e, em vez do grão e da semente, a utilização de toda a planta (BBC Brasil, 3/06/08)

CRISE ALIMENTAR NÃO ATINGIRÁ O BRASIL, DIZ REPRESENTANTE DA FAO
O representante regional para a América Latina e o Caribe e subdiretor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), José Graziano da Silva, acredita que a crise mundial de alimentos não atingirá o Brasil e a maioria dos países latino-americanos.

Como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Graziano foi o responsável pela implementação do programa Fome Zero.

Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que a América Latina produz 40% a mais de alimentos do que seria necessário para alimentar toda a sua população.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – A crise mundial de alimentos pode afetar o Brasil e a América Latina? Há riscos de falta de alimentos?
Graziano - Não existem riscos para o Brasil e a maioria dos países latino-americanos. Há uma elevação de preços na região. Mas a região é auto-sustentável na produção de alimentos e é superavitária. A América Latina produz em média 40% mais alimentos do que seria necessário para alimentar toda a sua população.
O que preocupa não é o lado da produção. Mas o da disponibilidade de esses produtos chegarem aos consumidores de mais baixa renda. O que falta na América Latina é melhorar a distribuição da renda, os salários, o poder aquisitivo da população mais pobre.
A América Latina tem um nível incompatível de pobreza com o de riqueza que ela gera. Há pouco, a Cepal revisou seus cálculos mostrando que cerca de 15 milhões de pessoas podem voltar ao nível de pobreza extrema na América Latina em função dessa alta de preços. Isso significa que nós perderíamos praticamente tudo o que conquistamos em relação a atingir a meta do milênio de reduzir à metade os pobres na região.
BBC Brasil - Como o Brasil, sendo uma potência agrícola, pode ajudar a superar a crise mundial de alimentos?
Graziano - O Brasil contribui com a oferta de produtos a preços competitivos e sem a necessidade de subsídios. O país também pode vir a ser no curto prazo um exportador de álcool combustível.
Há um outro papel que o Brasil tem e muitas vezes é minimizado: o país é um celeiro de boas práticas de políticas agrícolas, que o tornaram relativamente imune a essa crise. Entre as principais, está um forte apoio à agricultura familiar, que garantiu uma produção interna de alimentos, inclusive de alguns típicos consumidos no país, como o feijão e outros do tipo do leite e alguns exportados, como a soja.
O Brasil também tem um programa muito importante de estoques públicos mantidos por uma empresa pública que não está sujeita à especulação privada. É também uma fonte potencial de tecnologia da melhor qualidade através da Embrapa, que pode ser exportada não só aos países vizinhos da América Latina, mas também para a África.
BBC Brasil – No Brasil, o governo afirma que o etanol feito da cana-de-açúcar não compete com a produção de alimentos. Mas, nos Estados Unidos, a forte demanda por etanol de milho comprometeu terras usadas em outros cultivos e a própria produção. O senhor acredita que a crítica ao etanol não seria injusta, ao culpar o biocombustível, de maneira geral, pelo caminho adotado nos Estados Unidos?
Graziano - As autoridades brasileiras, desde o presidente Lula, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, têm enfaticamente afirmado que o Brasil não se enquadra no problema da competição entre produção de combustíveis e de alimentos.
Isso na verdade é um falso dilema, não só para o caso brasileiro, mas para a maioria dos países do Cone Sul, da América do Sul e da África, que têm possibilidades de expandir essa produção.
Quando se fala de biocombustíveis, há de se especificar a origem, qual é o produto utilizado. Hoje, a incidência dos biocombustíveis sobre os alimentos é fundamentalmente originária do impacto sobre o milho americano, cuja demanda cresceu quase 30%, e os óleos vegetais dos biocombustíveis produzidos na União Européia.
Esses são os dois impactos visíveis. Ainda assim são pequenos. Não têm a magnitude que se apregoa. Não podem ser arrolados entre os maiores causadores da atual crise.
BBC Brasil – No caso do etanol brasileiro, o maior impacto seria mesmo social?
Graziano - O Brasil tem uma história de muitos erros na sua trajetória da produção de álcool.
Mas a história de sucesso brasileira não deixa de ter um impacto forte na área social que são os bóias-frias. Sempre digo que os bóias-frias são a chaga exposta do processo brasileiro bem-sucedido de produção de álcool. Está ao alcance dos produtores de álcool brasileiro resolver esse problema.
Eu acredito que é preciso uma melhor coordenação público-privada para se lograr um impacto que permita elevar substancialmente o nível de salários e garantir uma melhor estabilidade da renda, do emprego desse segmento, que hoje é um segmento importante, com cerca de 500 mil pessoas. Mas com o processo de mecanização tende a ser reduzido rapidamente.
BBC Brasil - O governo brasileiro está fazendo tudo o que a FAO recomenda nessa área?
Graziano - A FAO tem uma recomendação de muita cautela no caso específico da produção de biocombustíveis: que isso não seja feito com o custo da segurança alimentar. O Brasil tem um programa com a preocupação da segurança alimentar muito bem-sucedido, o Fome Zero, que está sendo implantado desde o governo Lula.
Não vejo nenhuma ameaça nesse momento de crise de abastecimento no Brasil, mesmo daqueles produtos que tiveram elevação de preços. Do ponto de vista de segurança alimentar não há nada a temer.
Mas deve haver um avanço em tudo o que diz respeito a questão do emprego desejável, do emprego seguro e da estabilidade de emprego para os trabalhadores rurais brasileiros.
BBC Brasil - Que decisões ou recomendações devem sair da Conferência da FAO sobre segurança alimentar?
Graziano - Nós esperamos que essa conferência cause um grande impacto global que possa levar a agricultura a ter a prioridade que ela necessita.
Nós acreditávamos que, devido ao sucesso da revolução verde nos anos 70 e 80, o problema da produção de alimentos em grande escala no mundo estava resolvido. De fato está na grande maioria dos países.
Mas há vários países que se tornaram muito dependentes das importações baratas dos produtos subsidiados exportados pelos Estados Unidos e pela Comunidade Européia, particularmente as nações mais pobres da África e da Ásia e da América Latina.
Nós esperamos que a Cúpula de Roma chegue a um entendimento de que esse processo não pode continuar. A agricultura necessita de mais investimentos, de voltar a ter uma função como prioridade política dos países para ajudar a garantir a segurança alimentar, principalmente dos países mais pobres (BBC Brasil, 3/06/08)

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