O celeiro do mundo no alvo da CIA – Por Paula Sousa
Imagem Reprodução Portal do Agronegócio
O Brasil entre o dragão e a águia
O cenário geopolítico global acaba de ganhar um novo capítulo. Enquanto o governo brasileiro flerta romanticamente com Pequim, o Congresso dos Estados Unidos decidiu que é hora de abrir a "caixa-preta" das relações entre o agronegócio brasileiro e o Partido Comunista Chinês (PCCH). E não se engane: o que está em jogo não é apenas o preço da saca de soja, mas a segurança alimentar das próximas gerações e o equilíbrio de poder no Hemisfério Ocidental.
A ordem da CIA: 60 dias para desvendar o agro
Tudo começou a ganhar contornos oficiais em junho de 2025. Como reportado pela Revista Oeste, o senador republicano Tom Cotton, que preside o Comitê de Inteligência do Congresso americano, não estava para brincadeira ao apresentar a Seção 514 do projeto de lei de autorização de inteligência.
Essa não é uma simples sugestão educada; é uma obrigação legal. O projeto obriga a CIA a investigar a fundo a presença chinesa nas terras e empresas brasileiras. Os americanos querem um relatório detalhado em apenas 60 dias.
A base legal é específica e os atores envolvidos são de "peso pesado": o diretor de Inteligência Nacional, com apoio da CIA e em consulta com os Departamentos de Estado e de Agricultura dos EUA. O objetivo? Descobrir se o presidente Xi Jinping tem mantido contatos diretos e articulado estratégias com lideranças brasileiras para controlar o setor que carrega o PIB do Brasil nas costas.
De comércio para defesa
Se você acha que isso é apenas uma "briguinha" comercial, o historiador e comentarista Ivan Kleber, em uma análise na Rádio Auriverde, nos mostra que o buraco é muito mais embaixo. Os EUA operaram uma mudança de paradigma: o agronegócio brasileiro deixou de ser tratado como um balcão de negócios para ser encarado como uma questão de Segurança Nacional em nível militar.
Kleber destaca que os americanos entenderam que a influência de Pequim sobre a nossa produção de alimentos atingiu um ponto crítico. A preocupação é geopolítica pura: em um eventual conflito internacional — pense em Taiwan, por exemplo — a China teria controle suficiente sobre o agro brasileiro para paralisar ou bloquear o fluxo de mercadorias destinadas aos EUA? Pequim poderia, com um simples telefonema para Brasília, decidir quem come e quem passa fome no Ocidente?
Essa investigação de vínculos diretos busca identificar o que Kleber chama de "infiltração". Não estamos falando apenas de exportar soja para a China, mas de o PCCH ser dono de 10%, 20% ou 30% de empresas brasileiras, ou de usar "laranjas" para comprar terras em áreas estratégicas. Os americanos querem saber se o dinheiro que eles emprestam através de suas linhas de crédito está sendo usado para fortalecer o domínio chinês sobre o solo brasileiro.
O "amor" de Lula pelo agro e pelos americanos
Não é segredo para ninguém que o governo Lula mantém uma relação, digamos, "calorosa" com ditaduras ao redor do mundo, enquanto nutre um desprezo mal disfarçado pelos Estados Unidos e pelo próprio agronegócio nacional.
Vale lembrar que Lula já chamou o agro de "fascista" e "direitista". Para um governo que parece odiar quem produz, entregar o setor de bandeja para os chineses parece ser uma estratégia de sobrevivência política e ideológica. A ironia é deliciosa: o governo que vive falando em "soberania" é o mesmo que permite que o Partido Comunista Chinês avance sobre nossas terras como se estivesse em um buffet livre.
A investigação americana quer justamente saber até onde vai esse "romance" entre Lula e Xi Jinping. Se o governo brasileiro facilita a vida dos chineses enquanto o produtor gaúcho, por exemplo, sofre para se recuperar de tragédias climáticas sem o devido apoio federal, os EUA veem isso como um sinal de alerta vermelho.
O risco para o produtor: O embargo que vem de fora
Para o produtor rural brasileiro, a notícia é assustadora. Segundo as análises da Rádio Auriverde, as consequências de ser identificado como um "braço do PCCH" no Brasil podem ser devastadoras. Estamos falando de:
• Sanções diretas: Empresas com participação chinesa podem ser proibidas de operar no sistema financeiro americano.
• Bloqueio tecnológico: O acesso a máquinas, softwares e biotecnologia desenvolvida nos EUA pode ser cortado.
• Isolamento de mercado: Se você é sócio do PCCH, os EUA podem decidir que não querem mais fazer negócios com você.
Como bem notou Ivan Kleber, essa não é uma decisão de um "governo de turno". É uma política de Estado. Tanto republicanos quanto democratas concordam que deixaram a China avançar demais. Se o governo brasileiro acha que pode jogar dos dois lados sem sofrer as consequências, está prestes a descobrir que a águia americana tem garras longas e uma memória muito boa.
A grande mídia acorda: O relato do Metrópoles
Até veículos da grande mídia, como o portal Metrópoles, tiveram que admitir a gravidade do fato. Eles destacaram o "Fato Gerador": a aprovação da Lei de Autorização de Inteligência para 2026. O mecanismo de investigação é transparente em suas intenções: avaliar o impacto na cadeia de suprimentos global e na segurança alimentar americana.
O Metrópoles reforça que o relatório deverá listar o número de empresas chinesas investidas no Brasil, incluindo joint ventures. O objetivo dos EUA é a identificação da "ameaça à segurança alimentar representada pela China comunista". Quando a grande mídia começa a noticiar o que antes era restrito aos círculos de inteligência e à mídia independente, é porque a água já bateu no pescoço.
O Brasil na encruzilhada
O Brasil é, hoje, o maior player agrícola do planeta. Um bilhão de pessoas acordam todos os dias e se alimentam de algo que saiu das nossas terras. Isso nos dá um poder imenso, mas também nos coloca no centro do alvo.
Enquanto Lula e sua trupe viajam para Pequim para trocar apertos de mão e promessas ideológicas, Washington está preparando os arquivos. O agronegócio brasileiro está sendo usado como peça em um tabuleiro de xadrez onde o governo brasileiro parece ser o único que não sabe que é o peão.
Os próximos meses serão decisivos. O relatório da CIA virá a público e os nomes das empresas e das lideranças envolvidas nesse "namoro" com o PCCH aparecerão. O produtor rural brasileiro, que já luta contra o clima, contra os impostos e contra um governo que o chama de fascista, agora precisa se preocupar em não virar um "inimigo de segurança nacional" da maior potência do mundo.
Resta saber se o Brasil terá culhões para proteger sua verdadeira soberania ou se continuará sendo o campo onde o dragão chinês faz a festa, sob o olhar atento e nada amistoso da águia. O governo brasileiro parece esquecer uma lição básica: não dá para assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Ao tentar agradar o dragão chinês enquanto depende da tecnologia e do sistema financeiro da águia americana, o governo corre o risco de se engasgar e deixar o produtor rural brasileiro pagando a conta do banquete alheio. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 14/1/2026)

