O enterro político de Lula na Sapucaí da vergonha - Por Paula Sousa

Imagem Reprodução Blog Polibio Braga
O Brasil assistiu o maior "tiro no pé" da história recente do marketing político. O que era para ser a canonização de Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí transformou-se em um espetáculo de horrores que culminou no rebaixamento da Acadêmico de Niterói. Se a ideia era "unir o povo", o resultado foi uma aula de como alienar metade do País, ser reprovado pelos técnicos e, de quebra, sair da avenida com o selo de "derrota" colado na testa.
Dois pesos e duas medidas escancarada
Para entender a magnitude do descaramento, precisamos olhar para o retrovisor. Em 2022, Jair Bolsonaro foi tornado inelegível pelo TSE sob a acusação de abuso de poder político no 7 de Setembro. O crime? Estar presente em um ato cívico onde ele sequer pediu votos ou montou palanque eleitoral explícito. O sistema, porém, foi implacável: rigor máximo para o "Capitão".
Agora, saltemos para o Carnaval de 2026. O que vimos na Acadêmico de Niterói não foi uma homenagem; foi um comercial de 90 minutos em horário nobre na Rede Globo. Carros alegóricos contando a história do "salvador do Nordeste", ataques diretos a Jair Bolsonaro e uma exaltação cafona financiada, em última instância, pelo suor do contribuinte. Onde está o TSE? Onde estão os "especialistas" que viam golpe em cada sombra verde-amarela?
Existe uma diferença muito clara entre o que é cultura de verdade e o que é apenas propaganda disfarçada. A cultura real nasce da vontade do povo, de forma natural, sem precisar de muletas ou favores do governo para existir. Já o que vimos na Sapucaí foi o uso de dinheiro público para exaltar um político, e quando isso acontece, a arte morre para dar lugar a uma ferramenta de poder. É o Estado tentando comprar o aplauso que não consegue conquistar de forma honesta.
Enquanto o Blog do Noblat corre para dizer que "não houve crime eleitoral" e que qualquer crítica é "corrosão intelectual", o cidadão comum percebe a farsa. Segundo a jornalista Eliane Cantanhêde, Lula teria sido "cuidadoso" ao não desfilar fisicamente. Ora, que besteira! O rosto de Lula estava em cada bandeira, sua narrativa em cada ala. O uso da máquina pública e do dinheiro estatal para erigir um monumento vivo à sua própria glória é a definição de dicionário para abuso de poder econômico. Mas, para a velha mídia, se o tapete vermelho é para o PT, a justiça deve caminhar com os pés descalços e os olhos bem vendados.
A engenharia da mediocridade e o “Escândalo de Niterói”
A “Acadêmico de Niterói” não passa de uma invenção, um verdadeiro laboratório político. Criada do nada em 2018, sem sede própria ou raízes no samba, ela é o que podemos chamar de "escola de aluguel". O esquema parece roteiro de filme: um troca-troca de presidentes entre a escola e a liga (LIESA/Série Ouro) que organiza os desfiles garantiu uma subida rápida e muito suspeita para o grupo principal. No fim das contas, a escola não subiu por talento, mas foi montada apenas para servir de palanque para o governo.
O envolvimento do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, lulista de carteirinha, levanta o cheiro de podridão que nem o perfume do Sambódromo disfarça. O resultado dessa "alegria forçada"? Um protesto escatológico que virou notícia no site Lula VIP e em diversos portais: fezes encontradas no carro alegórico que exaltava o presidente. Sem voz para gritar contra a coerção, alguém usou a única ferramenta de protesto que lhe restou nos bastidores da Sapucaí. Literalmente, o desfile foi uma "merda" do início ao fim.
O erro estratégico: O insulto à família brasileira

Foto Reprodução Facebook
Se a intenção era conquistar o apoio dos evangélicos e do público mais conservador, o resultado foi um desastre total. A ala que colocou a "família tradicional" dentro de latas de conserva foi vista como um verdadeiro insulto. O carnavalesco pode até tentar dar a desculpa de que era apenas "arte", mas o povo entendeu aquilo como um deboche contra seus valores mais sagrados.
Até mesmo sites como o Brasil 247, que costumam defender o governo em qualquer situação, sentiram o peso do erro. As pesquisas internas feitas pelo governo, mencionadas pelo jornalista Lauro Jardim, confirmaram o estrago: a rejeição a Lula subiu rápido. Até a OAB, que raramente se envolve nessas confusões, criticou o desfile. No fim das contas, o Carnaval de Lula não trouxe nenhum voto novo; apenas serviu para dar razão a quem já não gostava dele.
O que mais os “cristãos” que ainda apoiam esse governo precisam ver para perceber essa oposição aos seus valores? Ou esses fiéis ainda não entenderam como Lula e o PT realmente pensam, ou não compreendem o que significa ser cristão.
O simbolismo do rebaixamento
A apuração das notas foi a pá de cal. Enquanto a Viradouro — também de Niterói, mas com tradição, suor e um enredo que respeitava a cultura e não a política — sagrou-se campeã, a Acadêmicos de Niterói foi humilhada. Ficou em último lugar. O "Lula operário" desabou na avenida, bateu a cabeça e foi rebaixado para a segunda divisão, a "Série Ouro".
Para muitos analistas, como os da Revista Crusoé e do Antagonista, esse rebaixamento é o prenúncio de 2026. A "escola do Lula" caiu porque era artificial, porque era arrogante e porque subestimou a inteligência do público e dos próprios jurados. O "mau agouro" está lançado. O petismo tentou comprar o brilho do Carnaval e terminou na sarjeta da classificação geral.
O maior erro dessa estratégia é ignorar que o brasileiro médio não suporta quem parece estar "protegido pelo sistema". Mesmo que o TSE feche os olhos e decida não punir o atual presidente, a sensação de privilégio e o uso descarado da máquina pública podem causar um efeito contrário ao planejado. Em vez de ganhar apoio, esse excesso de proteção gera revolta e retira votos, já que o eleitor tende a se distanciar de quem age como se estivesse acima das regras que valem para todos os outros.
A saída de emergência: Vitimismo como estratégia
Diante desse enorme fracasso, fica ainda mais nítida a tese levantada anteriormente: e se Lula souber que a derrota em 2026 é inevitável? O desfile e a subsequente ameaça de inelegibilidade (mesmo que o TSE tente protegê-lo com multas simbólicas) podem ser a "escada" que ele precisa para sair de cena.
Lula prefere a narrativa do "perseguido político" ou do "mártir" do que enfrentar o veredito das urnas como um perdedor comum. Ser derrubado por uma canetada judicial por causa de uma escola de samba é muito mais "poético" para a militância do que ser derrotado por Flávio Bolsonaro no voto direto. O caos na Sapucaí pode ter sido o primeiro passo de um plano de fuga para o vitimismo histórico.
Conclusão: O Carnaval da vergonha

Carnaval 2026- Reprodução Intagram
O que fica para a história não são as luzes ou o samba-enredo, mas a imagem de uma alegoria destruída, um carro sujo e uma escola rebaixada. A tentativa do PT de aparelhar até o Carnaval do Rio de Janeiro foi um desastre sociológico e jurídico. Enquanto o sistema se desdobra para punir um lado e proteger o outro, a realidade se impõe: o povo não é bobo.
A Acadêmicos de Niterói cumpriu seu papel de "laranja" política e pagou o preço com a extinção de sua relevância. Já Lula, ao tentar transformar a cultura em propaganda, provou que nem todo o dinheiro público e nem toda a proteção da mídia podem salvar um projeto de poder que já cheira a mofo e a derrota.
O Carnaval de 2026 não foi o início da reeleição; foi o último suspiro de uma narrativa que não convence nem quem é obrigado a desfilar para ela. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 19/2/2026)

