04/02/2026

50% dos CEOs do agro passou a competir em novos mercados nos últimos 5 anos

50% dos CEOs do agro passou a competir em novos mercados nos últimos 5 anos

 

·         Recorte setorial da 29ª CEO Survey revela que inovação é fator essencial na estratégia de negócios para 63% dos CEOs no Agronegócio brasileiro

·         33% das empresas do agro reportam aumento de receita atribuído ao uso de Inteligência Artificial

·         Pressão por resultados imediatos consome 54% da agenda dos líderes

·         58% dos CEOs do setor no país projetam aceleração da economia local nos próximos 12 meses

·         A inflação é a principal preocupação para 35% dos CEOs do Agronegócio no Brasil

A interação entre tecnologia, fatores climáticos e geopolíticos viabiliza novos modelos de negócio e redefine as fronteiras entre as indústrias. O agronegócio brasileiro acompanha este movimento global: metade dos CEOs do setor afirma que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos. Os dados estão no recorte setorial da 29ª Global CEO Survey da PwC, estudo que ouviu mais de 4,4 mil líderes empresariais em 95 países, incluindo o Brasil.

O percentual das empresas que romperam as fronteiras do setor está alinhado à média nacional (51%) de organizações que passaram a competir em novos mercados e demonstra que o Agronegócio acompanha a busca por novas oportunidades estruturais e de inovação. Para 63% dos CEOs do agro brasileiro, a inovação é considerada um componente crítico, ou seja, essencial, da estratégia de negócios. O indicador está acima da média global (50%) e levemente acima da média brasileira quando considerados todos os setores (56%).

Além disso, o setor avança por meio da colaboração: 38% dos executivos colaboram com parceiros externos, como fornecedores, startups e universidades, para acelerar a inovação — patamar acima da média global (33%).

Embora busquem a reinvenção, a gestão do tempo dos CEOs do agronegócio brasileiro ainda se mostra fortemente concentrada em ações de curto prazo. A pressão por resultados imediatos permanece elevada, restringindo o espaço na agenda para discussões de caráter mais estrutural. A pesquisa revela que 54% do tempo dos CEOs do agronegócio no Brasil são dedicados a temas de curto prazo (até um ano), uma concentração superior à média global do setor (47%) e alinhada ao padrão nacional. Apenas 15% do tempo desses executivos é destinado a questões de longo prazo (cinco anos ou mais).

Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócio da PwC Brasil. Foto Divulgação

“Liderar nesse contexto exige capacidade de alternar rapidamente entre agendas e horizontes de tempo. Resta avaliar se essa alocação de tempo atual é a mais adequada para sustentar o desempenho e a competitividade no curto e no longo prazo”, avalia Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócio da PwC Brasil.

Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial (IA) começa a se consolidar como vetor de crescimento para parte das empresas do agronegócio.  De acordo com 33% dos CEOs, houve aumento de receita após adoção da tecnologia, enquanto 58% indicam pouca ou nenhuma alteração. Ainda assim, quando analisados os custos, os efeitos são equilibrados: 33% indicam redução, associada a ganhos de eficiência e automação, enquanto quase metade dos líderes, 48%, afirmam que sentiram pouca ou nenhuma alteração nos custos. Na média geral brasileira, mais de um quarto (28%, em contraste com 26% globalmente) indica redução de custos.

A tecnologia traz impactos para a força de trabalho: 60% dos CEOs do agronegócio avaliam que suas empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos. Para cargos de nível médio e sênior, espera-se um impacto bem menor na redução de pessoal.

Otimismo moderado e riscos latentes

A 29ª edição da CEO Survey revela um recuo no otimismo dos líderes do setor do agronegócio em relação à economia global e local, comparado ao ano anterior. Para os próximos 12 meses, 50% projetam aceleração do crescimento global, abaixo dos 66% registrados na edição passada.

Quando o foco se volta para o crescimento do próprio país, a percepção permanece majoritariamente positiva, mas com cautela: 58% esperam aceleração da economia nacional, abaixo dos 76% registrados no ano anterior. A confiança no crescimento da receita da própria empresa no curto prazo também diminuiu de 48% para 38%, sinalizando uma acomodação das expectativas.

O perfil de risco do agronegócio brasileiro se mostra fortemente concentrado em fatores inflacionários e climáticos. A inflação é a principal preocupação, com 35% dos CEOs indicando alta exposição, percentual acima da média brasileira de todos os setores (29%). As mudanças climáticas também figuram entre os riscos mais relevantes (33%), com a exposição percebida pelo agro significativamente superior à observada na média do Brasil (18%) e global (23%). A instabilidade macroeconômica também chega a 33% entre os executivos do setor, porém, inferior à média brasileira (38%) e acima da média global (31). Em contraste, ameaças cibernéticas e tecnológicas têm peso relativamente menor que em outros setores.

“Hoje, observamos que os riscos no setor ainda são menos complexos, mas com a conectividade das máquinas e a maior complexidade na automatização dos processos, observamos que existe uma tendência cada vez maior de vermos a preocupação com o risco cibernético e com as ameaças tecnológicas crescerem em um horizonte de médio a longo prazo”, acrescenta Mayra Theis.

Sobre a PwC

Na PwC, ajudamos nossos clientes a construir confiança e a se reinventarem para que possam transformar a complexidade em vantagem competitiva. Somos um network de firmas voltadas para tecnologia e impulsionadas por pessoas atuando no Brasil há mais de 110 anos, com mais de 360 mil profissionais em 136 países.

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