30/10/2025

A Batalha dos Estados contra o narcoterrorismo – Por Paula Sousa

A Batalha dos Estados contra o narcoterrorismo – Por Paula Sousa

A segurança pública no Brasil chegou a um ponto de falência deliberada, onde o descaso do governo federal não pode mais ser interpretado apenas como incompetência, mas como uma omissão que se aproxima da cumplicidade. O que acontece no Rio de Janeiro não é uma questão local; é a evidência de uma batalha pela soberania do país, na qual o narcoterrorismo avança para ocupar o vazio deixado por um Estado que se recusa a agir.

 

A necessidade de união entre os governadores torna-se, assim, não uma escolha política, mas a única linha de defesa para o cidadão, distante das teorias de militantes pseudo-especialistas que, de seus condomínios, idealizam um conflito que nunca experimentaram.

 

O fiasco da comunicação e a recusa em agir

 

A omissão do governo federal foi evidenciada de maneira indiscutível durante uma coletiva de imprensa desastrosa, que revelou a desconexão e o desespero em Brasília. Em um momento de total contradição, o diretor da Polícia Federal, ao tentar manter a versão oficial de que o governo não tinha conhecimento da operação no Rio de Janeiro, acabou se contradizendo e desmentindo a si próprio.

 

Ele admitiu o que o governo tentava esconder: eles sabiam.

 

"Houve um contato anterior do pessoal da inteligência da Polícia Militar com a nossa unidade do Rio de Janeiro para ver se haveria alguma possibilidade de atuarmos em algum ponto nesse contexto", declarou o diretor.

 

A admissão não parou aí. A explicação para a falta da Força Federal na operação foi ainda mais surpreendente:

"A partir da análise do planejamento operacional, a nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse."

 

Enquanto os policiais estaduais colocavam suas vidas em risco, a Polícia Federal, comandada de Brasília, considerou a operação "não razoável". Vendo o desastre se desenrolando, o ministro Ricardo Lewandowski, claramente desesperado, tomou a palavra, tentando consertar a situação com desculpas formais e esfarrapadas sobre hierarquia. Isso evidenciou que, para eles, o problema não era uma guerra, mas uma burocracia.

 

"Uma operação deste nível, deste porte, não pode ser acordada em um segundo ou terceiro escalão", reclamou, ignorando que o "contato operacional" já havia ocorrido e a decisão de não participar já havia sido tomada.

Essa é a prova cabal: o governo federal não foi pego de surpresa; ele foi informado, consultado e escolheu deliberadamente não fazer nada.

 

O debate semântico para proteger criminosos

 

Ao mesmo tempo em que se recusa a agir operacionalmente, o governo federal se recusa a nomear o inimigo. O Ministro Ricardo Lewandowski mantém sua posição de não considerar o CV e o PCC como organizações terroristas, utilizando-se de uma tecnicidade cínica ao afirmar que não há "motivação ideológica ou política".

 

Trata-se de uma estratégia retórica, um escudo de palavras usado para justificar a inação e evitar o combate real. Enquanto o Ministério da Justiça se perde em detalhes técnicos, Rodrigo Pimentel,  ex-capitão do BOPE e voz da experiência prática, expõe essa farsa, mostrando que a realidade do Rio de Janeiro é semelhante à de outros estados.

 

Pimentel afirma que o problema é de âmbito nacional e que a recusa em reconhecê-lo é intencional. Ele destaca a situação crítica no Ceará, um estado que o governo federal parece ignorar:

 

"Existe uma crise humanitária em Fortaleza hoje ignorada por boa parte da imprensa do Brasil, que é o êxodo urbano de guerra. São milhares de famílias expulsas de suas casas pelo comando vermelho..."

 

Pimentel explica que a dominação ultrapassa em muito o tráfico. Trata-se da exploração completa do território e da vida das pessoas, tanto no Rio de Janeiro quanto em Fortaleza:

 

"Elas sobrevivem da exploração do território [...] o sinal de TV de internet do Comando Vermelho, que é o CVNET, o botijão de gás hiperfaturado, a extorsão à padaria, a extorsão ao açougue."

 

Pimentel retrata o terror por meio de um exemplo violento e comum que refuta a narrativa de Lewandowski:

"Há duas semanas [...] um jovem que vendia churrasco em Fortaleza foi assassinado porque não pagou R$ 1.000 da caixinha do Comando Vermelho do bairro, né? Então essa é a nova dinâmica do crime, que sinceramente eu acho que Lewandowski ignora."

 

Tratar isso como um "crime comum" é uma ofensa à inteligência. Quando uma instituição expulsa famílias (êxodo de guerra), exige pagamentos (a "caixinha"), controla serviços (CVNET), estabelece toque de recolher e pune com morte quem desobedece, isso não é "falta de motivação política". Isso caracteriza um poder político paralelo que ameaça o Estado Democrático de Direito.

 

Para completar o quadro da omissão, Pimentel observa que Lewandowski, um ex-ministro do STF, convenientemente ignora o artigo 144 da Constituição, que estabelece o dever de segurança para todos os entes federativos, e não apenas uma "obrigação do Cláudio Castro", como o ministro tentou vender em sua coletiva desastrosa.

 

O risco geopolítico e o pedido de socorro

 

A omissão do Brasil fez com que o narcotráfico se tornasse um problema geopolítico. William Waack, jornalista da CNN, já anunciou que "o crime organizado brasileiro já é visto também como fator de risco geopolítico pelos Estados Unidos".

 

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ignorado pelo governo, foi levado a um ato de desespero diplomático: enviar um relatório de inteligência ao consulado dos EUA, descrevendo as atividades transnacionais do Comando Vermelho e solicitando sanções internacionais, uma vez que seu próprio país se recusa a agir.

 

A solução: A nação contra Brasília

 

O Brasil assiste governo federal que entregou o país aos narcoterroristas. A resposta não virá de Brasília. Ela deve vir da união imediata e prática dos governantes.

 

É hora de Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) formarem uma aliança de defesa mútua com o Rio de Janeiro. Se o crime não tem fronteiras, a lei também não pode ter.

Enquanto o Brasil flerta com o garantismo para terroristas, El Salvador mostra ao mundo um modelo de tolerância zero que devolveu a paz às ruas. Na Argentina, o presidente Javier Milei já declarou que vai classificar CV e PCC como o que realmente são: grupos terroristas.

 

O que o governo federal faz vai além da omissão; é uma estratégia. Ao permitir que o caos se instale, ele responsabiliza a administração estadual e, em seguida, se apresenta como a única "solução", propondo a centralização da segurança pública em Brasília. Trata-se do mesmo roteiro visto na Venezuela, Nicarágua, Cuba e Bolívia.

 

A luta dos policiais no Rio vai além da segurança; é uma luta contra a entrega da soberania do país. O Brasil precisa acordar e compreender que a verdadeira luta é entre os estados e um crime organizado que se beneficia da omissão deliberada do governo federal (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 30/10/2025)