A blindagem do medo: A estratégia da esquerda para 2026 – Por Paula Sousa
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O cenário político brasileiro para 2026 está sendo desenhado nos bastidores com uma mistura de desespero e cálculo frio. Enquanto a direita muitas vezes se perde em discussões internas e "picuinhas" momentâneas, a esquerda demonstra que, embora esteja sentindo o golpe do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, não pretende entregar o poder sem antes minerar o terreno. O plano é claro: se a derrota for inevitável, que o próximo presidente receba um país ingovernável e um Judiciário blindado.
O desespero de Lula nos estados-chave
A realidade dos números e dos palanques é cruel para o atual governo. Em São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais do país, o vácuo de liderança governista é gritante. Como noticiou o jornal Brasília Alta Frequência, a falta de palanques nesses estados irrita profundamente Lula. Em Minas, o silêncio é ensurdecedor. Rodrigo Pacheco, que muitos acreditavam ser o nome do Planalto, parece ter "piscado" para uma candidatura de centro apenas por sobrevivência política após ser atropelado por Gilmar Mendes e Kassab.
O interesse de Pacheco no governo minguou proporcionalmente à sua frustração por não ter sido indicado ao STF.
Em São Paulo, a situação beira o ridículo. A CNN e o InfoMoney confirmam que Fernando Haddad resiste ferozmente à pressão do PT para se candidatar ao governo estadual. Haddad sabe que enfrentar Tarcísio de Freitas é uma missão suicida; as notícias da Veja revelam que os ataques de José Dirceu a Tarcísio são uma tentativa desesperada de desgastar um adversário que, hoje, parece imbatível em seu reduto. Sem Haddad na disputa e com Alckmin já visto pelo eleitor apenas como um aliado obediente que não traz votos novos, Lula se vê sem saída. O presidente acaba sendo obrigado a escolher nomes sem expressão ou a insistir em candidatos que o povo já rejeitou no passado.
A blindagem preventiva do STF
Percebendo que a "surra na direita" prometida por Lula — e repercutida pelo R7 — pode não passar de retórica de palanque, a esquerda parlamentar já articula o plano de contingência. A Revista Oeste e outros veículos da mídia tradicional socialista expuseram a movimentação para mudar as regras de nomeação ao Supremo Tribunal Federal. A lógica é traiçoeira: aumentar a exigência para 54 votos não apenas para o impeachment de ministros, mas também para a aprovação de novos nomes.
O objetivo é óbvio: dificultar que um futuro presidente de direita, como Flávio Bolsonaro, indique ministros alinhados com sua base. Eles estão contando com a derrota e, por isso, tentam "estancar a sangria" antes mesmo da primeira urna ser aberta. É a política do "se eu não mando, ninguém governa". Eles querem garantir que os atuais ministros, muitos deles vistos como escudos do governo atual, permaneçam intocáveis e que qualquer renovação passe pelo filtro de um Senado que eles esperam manter sob controle.
A arma suja do caso Banco Master
Como a estratégia institucional não basta, a esquerda recorre ao que sabe fazer de melhor: a guerra de narrativas e o assassinato de reputações. O caso do Banco Master é o exemplo perfeito de como a máquina de propaganda atua para confundir o eleitor desatento. Sites de esquerda tentam, de forma bizarra, associar o escândalo a Nikolas Ferreira. O "argumento"? Uma clínica suspeita de emitir notas falsas fica na Grande BH, cidade do deputado.
É um raciocínio tão raso que chega a ser engraçado. Pela mesma lógica, qualquer crime ocorrido em solo mineiro seria culpa de qualquer político da região. Mas a esquerda sabe que essa propaganda não é para quem estuda política; é para quem consome apenas o que a mídia tradicional "cospe". Eles miram no eleitor que está mais preocupado com o futebol ou com o reality show da vez, esperando que, por osmose, o nome de Nikolas e "corrupção" fiquem gravados na mesma célula cerebral.
Ao mesmo tempo, vemos uma briga de foice no escuro entre Renan Calheiros e Arthur Lira. Como ambos devem disputar as vagas ao Senado por Alagoas, a rivalidade local transborda para Brasília: Renan utiliza o caso Master como munição eleitoral para sujar seu adversário direto. O Poder360 e o Estadão detalham como o senador usa essa narrativa para atingir Lira e Hugo Motta, acusando-os de pressionar o TCU para reverter a liquidação do banco. Aqui, não há santos. É o sujo falando do mal lavado.
A esquerda tenta tirar suas digitais da corrupção sistêmica para a conta da direita e de adversários políticos locais, ignorando que o governo Lula opera em uma escala de bilhões, com refinarias e obras faraônicas que servem apenas para alimentar empreiteiras amigas. O caso das "300 casas em Roraima" vinculadas ao ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, onde apenas uma foi erguida, é fichinha perto do que o Planalto movimenta nos bastidores.
O alerta necessário
A direita precisa entender que a eleição de 2026 não será vencida apenas no voto, mas na resistência a esse cerco jurídico e midiático. A esquerda joga o jogo de longo prazo. Enquanto parlamentares conservadores se distraem com brigas internas de ego e gastando energia com ações que não vão mudar em nada o cenário político, o sistema está alterando o regimento do Senado e as regras do jogo democrático para garantir que, mesmo perdendo o Executivo, mantenham o controle do país através do Judiciário e da burocracia estatal.
Eles já sentiram o cheiro da derrota. O recuo de Gilmar Mendes em certas pautas e a agressividade de José Dirceu são sinais claros de que o "sonho" de Lula de ganhar de lavada virou um pesadelo de rejeição crescente. Flávio Bolsonaro cresce porque o povo percebe o teatro. Mas não se enganem: a esquerda é especialista em criar obstáculos. Eles usarão o Banco Master, o INSS, usarão o STF e usarão qualquer candidato "melancia" para tentar impedir que o Brasil mude de rumo novamente.
Ou a direita se organiza para enfrentar a blindagem do sistema, ou ganhará a eleição apenas para ser prisioneira de um palácio cercado por espinhos legislativos e judiciais. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 21/1/2026)

