27/11/2020

A conta dos alimentos está chegando

A conta dos alimentos está chegando

Índice de Preços ao Produtor no setor de alimentos atinge evolução mensal de 4,4% ao mês.

Os consumidores vão sentir cada vez a pressão da inflação no bolso. Os preços dos produtos industriais na porta das fábricas, sem impostos e sem frete, estão com a maior alta desde a criação do chamado IPP (Índice de Preços ao Produtor) pelo IBGE, em 2014.

A inflação nas indústrias já atinge 19,1% nos últimos 12 meses, e a pressão está bastante acentuada neste segundo semestre. Os alimentos são o carro-chefe, com alta de 35,9% de novembro do ano passado a outubro deste.

O aumento dos preços das commodities no campo chega aos custos das indústrias. A alta do dólar, que dá competividade ao produto brasileiro no exterior, e a demanda aquecida da China, que favoreceu as exportações, incentivaram essa evolução de preços.

No primeiro semestre, o IPP dos alimentos teve uma evolução de 8,1%, com uma média mensal de 1,3%. Já no segundo, em apenas quatro meses, a alta é de 18,8%, com uma taxa média mensal de 4,4%.

Embora o cenário econômico não seja bom, boa parte desses custos será repassada, exatamente em um período de salários mais curtos.

 

Segundo o IBGE, os alimentos foram os que mais pressionaram o IPP. A média geral desse índice, que inclui outros setores como indústrias extrativas e de transformação e abrange as grandes categorias econômicas, como bens de capital, bens intermediários e bens de consumo, inclusive os alimentos, teve evolução mensal de apenas 0,64% no primeiro semestre e de 3,1% de julho a outubro.

Entre os dez bens intermediários que tiveram as maiores pressões no IPP, oito são da área agrícola. Os principais já são conhecidos: arroz, soja, carnes e açúcar. Em alguns casos, como no de óleo de soja, a alta chega a 72% em 12 meses (Folha de S.Paulo, 27/11/20)