A direita ainda não entendeu o Jogo – Por Paula Sousa

Imagem Reprodução Blog Seropedica Online
A direita precisa acordar: Por que o “Efeito Trump” não vai se repetir no Brasil
Nos Estados Unidos, a vitória de Donald Trump em 2024 não ocorreu por acidente.
Ela foi o resultado de uma combinação de estratégia, união e maturidade política. Os republicanos compreenderam, ainda durante o período das primárias, que não havia margem para divisões internas. Todos os nomes que poderiam fragmentar o voto conservador superaram suas vaidades pessoais e manifestaram apoio ao candidato mais forte.
O propósito era claro: derrotar a esquerda e todo o aparato de poder que a sustenta.
Robert Kennedy Jr., ao considerar sua candidatura independente, percebeu que isso poderia subtrair votos de Trump e, consequentemente, beneficiar os democratas. Ele optou por recuar. Foi uma atitude baseada em cálculo estratégico, não em impulso emocional — uma lição que a direita americana absorveu após anos de sucessivas derrotas.
Robert Kennedy hoje é o secretário de saúde dos EUA.
As redes sociais desempenharam um papel crucial. Trump demonstrou a capacidade de se conectar com os setores da sociedade que mais sentiram o impacto das políticas progressistas: trabalhadores esmagados pela economia, famílias temerosas com a imigração, e cidadãos indignados com o aumento da criminalidade e a suas liberdades individuais diminuindo. Ele ouviu, comunicou-se na linguagem do povo e mobilizou milhões de pessoas.
Todos entenderam que Trump seria a única figura capaz de derrotar Biden e Kamala, e foi o que aconteceu. Não houve ninguém incitando o voto nulo. Ninguém pedindo uma “terceira via”. Ninguém com nojinho estético de Trump.
Nos EUA, o voto não é obrigatório, mas as pessoas permaneceram firmes nas filas de votação, mesmo diante de relatos sobre grupos contrários a Trump que tentavam desestimular os eleitores nos locais de votação. Durante todo o processo, Trump e seus apoiadores insistiam: “Permaneçam nas filas, votem”. Cenas como as dos amish se deslocando em carroças para votar ficaram para a história e incentivaram a população que não abandonou os locais de votação. Aguardaram pacientemente por horas, cientes de que essa era a última oportunidade para frear o avanço da esquerda. Aceitaram que Trump não é uma figura perfeita, mas que seria o único a tornar a América Grande Novamente. Deixaram o ego e as vaidades de lado e depositaram seu voto no republicano.
Foi um triunfo baseado em visão estratégica e foco no que era essencial: a recuperação do país.
Não houve conflitos internos, nem egos feridos. Houve propósito.
O mesmo filme, um final diferente no Brasil
Em 2022, o Brasil teve a oportunidade de trilhar um caminho de união, mas uma parte significativa da "direita" preferiu a divisão, a vaidade e a imaturidade política.
Essa fragmentação foi determinante. O MBL, por exemplo, fez campanha aberta pelo voto nulo. O volume de votos nulos e de abstenções na eleição foi suficiente para inviabilizar a reeleição de Bolsonaro. Muitos eleitores foram enganados por narrativas falsas, influenciados por grupos como o MBL, que propagavam que “Lula e Bolsonaro eram a mesma coisa”.
O MBL é apenas uma tentativa pífia de se estabelecer como uma “nova oposição” oficial, uma versão 2.0 do PSDB. Um novo Teatro das Tesouras. Eles não hesitaram em pedir o impeachment de Bolsonaro aliando-se ao PT e ao PSOL.
Muitos caíram na sedução da “direita limpinha”, aquela que se expressa de forma elegante, mas se recusa a confrontar o sistema. O resultado dessa ingenuidade foi um país fragmentado e entregue novamente àqueles que já o haviam destruído no passado.
A Ilusão da Terceira Via
E o que dizer do Partido Novo? A assim chamada “terceira via” ou “direita permitida” é composta por indivíduos globalistas focados estritamente na agenda econômica. Eles ignoram a guerra cultural e as pautas de costumes. Essa seria à direita aceitável pelo establishment, que se submeteria à esquerda e aos globalistas, desde que lhes fosse permitido vender as estatais para qualquer um, inclusive para a China.
Não há terceira via. Não existe direita “limpinha”. Existe apenas Bolsonaro.
Bolsonaro foi o único que enfrentou o sistema, o único que demonstrou e ainda demonstra coragem. Não se trata de uma questão de “urnas adulteradas”, mas sim de todo o processo eleitoral e da sabotagem que ele sofreu desde 1º de janeiro de 2019 — na realidade, desde a facada em setembro de 2018.
Bolsonaro não é forçado, não é uma personagem; ele é autêntico, tanto diante das câmeras quanto fora delas. O sistema o detesta por sua simplicidade e pelo carisma que ele manifesta ao se relacionar com o povo. Nenhum outro político possui a mesma conexão com a população. O ponto mais relevante é que Bolsonaro não é perfeito, ninguém é, mas ele não se esconde atrás de uma fachada de sofisticação. Após o atentado, ele poderia ter abandonado tudo ou sequer ter retornado ao Brasil em 2023, mas optou por seguir adiante, ciente de todos os desafios que poderia enfrentar. O BRASIL NÃO MERECE BOLSONARO.
Quanto aos demais nomes — Caiado, Ratinho Jr., Zema, o grupo do MBL e, inegavelmente, Pablo Marçal —, ah esse Pablo Marçal...
A autorização para a candidatura de Marçal pelo PRTB ter sido assinada por Alexandre de Moraes é, no mínimo, questionável. Após toda a performance e a encenação, a cadeirada, ele ainda participou de uma live com Boulos e rasgou elogios a Tábata do Amaral. É inaceitável.
O eleitor brasileiro, em sua maioria, ainda não aprendeu a votar de forma estratégica. Acredita que a política é um circo, e não uma responsabilidade cívica. Prefere escolher com base no carisma, na piada ou na emoção, e depois reclama do aumento dos preços, da insegurança e da falta de empregos.
A verdade é que a maior parte da população não está politizada. Assiste a novelas, reality shows, jornais da mídia tradicional e sites de fofocas, e chega à conclusão de que “todo político é igual”. Não é. E essa ingenuidade custa um preço muito alto para todos nós.
A direita subestima seus inimigos e as pesquisas
Não podemos ignorar as pesquisas que, notoriamente, estão alinhadas com a esquerda. Elas servem como um mapa, indicando onde a direita deve atuar com inteligência. É imprescindível romper a bolha, deixar de pregar apenas para os convertidos e focar em atrair o cidadão comum, que ainda busca informação na grande mídia (Globo, Band) e que foi influenciado por falsas narrativas, como a de que Bolsonaro ridicularizou doentes durante a pandemia.
Esse público, contudo, vivencia a realidade em sua forma mais crua: os preços sobem diariamente, e a violência e o desemprego se intensificam. Por mais que a mídia e o governo tentem disfarçar a situação, eles reconhecem que algo de errado não está certo. É a esses eleitores que devemos nos dirigir.
Não se iludam: Lula pode ser reeleito em 2026, e o mesmo risco paira sobre o Senado. Precisamos, com urgência, de um Senado forte. O obstáculo reside na vaidade e no ego da direita: inúmeros nomes se lançam ao Senado, pulverizando os votos e facilitando a eleição de candidatos da esquerda.
Um exemplo evidente é São Paulo: enquanto a esquerda se une em torno de um único nome forte como Boulos, a direita se divide, desperdiçando a oportunidade de eleger um representante. A esquerda, por mais questionável que seja, compreendeu o jogo; a direita, não.
A direita precisa sair da bolha
Atualmente, uma grande parte da direita brasileira se restringe a debates internos, disputas de ego nas redes sociais e intrigas, perdendo tempo em discussões sobre “pureza ideológica”. Enquanto isso, o cidadão comum, que é quem decide a eleição, continua sendo nutrido pela narrativa de sempre: “o governo dos pobres contra os ricos”, “todo político é igual”.
Quem vence essa guerra de narrativas é quem se comunica com o povo, não com o próprio reflexo.
Enquanto a direita se perde em discussões sobre quem é mais “conservador”, o eleitor real apenas se preocupa em saber se conseguirá arcar com as despesas e retornar para casa em segurança. Essas são as questões concretas que deveriam estar no centro das atenções. A direita, fragmentada entre gurus e vaidades, esqueceu as prioridades do cotidiano.
A importância da atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Não se pode subestimar os esforços de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A pressão exercida por ele e por Donald Trump foi de importância vital. Sem essa articulação no âmbito internacional, Bolsonaro poderia já estar preso na Papuda, e teríamos perdido o acesso às redes sociais. O tempo irá mostrar como a atuação de Eduardo nos EUA trouxe benefícios significativos para o Brasil. Sua relação pessoal com Trump, que antecede a presidência de 2016, é um fator relevante que deve ser considerado. Como desmerecer o livre acesso que Eduardo possui com o Presidente dos Estados Unidos?
A esquerda perde o encanto, mas aprende com os erros
Globalmente, a esquerda está perdendo seu domínio sobre corações e mentes, o que é evidenciado pela inclinação conservadora em nações como Itália, Polônia, Japão, Argentina e várias outras. Consciente dessa perda de espaço, a esquerda tem se concentrado em neutralizar ou eliminar figuras fortes do conservadorismo internacional, como testemunhamos nos casos de Charlie Kirk, Miguel Uribe, Robert Fico, Shinzo Abe, Donald Trump e Bolsonaro.
Ninguém mais tolera o extremismo woke e a exaustiva narrativa de luta de classes. Esses discursos esgotaram a paciência popular. Contudo, a esquerda demonstra a capacidade de se reinventar. Em resposta ao crescente retorno das pessoas à fé cristã, por exemplo, observamos Lula e a esquerda buscando cada vez mais o contato com o povo cristão. É de extrema importância mantermos a vigilância, pois há uma intensa batalha em curso no Brasil, que é não apenas cultural, mas também espiritual.
A moral do país foi deturpada e estamos assistindo a destruição dos valores judaico-cristãos, que agora o ataque direto à instituição familiar.
O verdadeiro problema: moral e voto
É polêmico, mas é necessário encarar a realidade: Lula foi, de fato, eleito. Chega de ingenuidade ao supor que as urnas precisaram ser fraudadas para que ele vencesse.
Causa espanto que ainda haja quem se surpreenda com o resultado em um país onde a MC Pipokinha é venerada, palhaços, ator pornô e mulheres frutas podem assumir cargos públicos. O povo brasileiro elegeu, sim, um indivíduo condenado por corrupção em todas as instâncias. Se funkeiros como MC Oruam ou MC Poze do Rodo se candidatarem, serão eleitos.
O Brasil é o país onde o criminoso é liberado mais rapidamente da audiência de custódia do que o policial, onde todo caminhão que tomba é saqueado, onde as pessoas procuram falhas em promoções para obter vantagens. Metade do Brasil realmente mereceu o Lula.
Lula é o “pai dos pobres”, mas é aquele pai que chega alcoolizado em casa, agride a esposa, insulta os filhos, gasta as economias com bebida. O Brasil é a eterna “mulher de malandro”. O PT foi eleito em 2003, 2006, 2010, 2014, quase em 2018 e eleito novamente em 2022, prometendo transformar o Brasil, mas o país persiste como um dos mais pobres, corruptos e violentos do mundo. Errar é humano, mas persistir no erro é ser brasileiro?
A crise do Brasil também é espiritual
A crise do Brasil não é meramente de natureza política; ela é, fundamentalmente, moral e espiritual. Vivemos em uma cultura onde o “jeitinho” é glorificado, onde a astúcia tem mais valor que a honestidade, e a inveja se disfarça de justiça social.
Como um povo com essas características pode sustentar uma transformação verdadeira? Sem uma reforma moral profunda, nenhuma mudança política acontecerá. É por essa razão que a esquerda ataca os valores cristãos e tenta corroer os alicerces da família: ela sabe que sem fé e sem família, não há resistência.
Se você se declara cristão de esquerda, é provável que não tenha lido Marx ou que não tenha lido a Bíblia. O próprio Marx, ateu que fundamentou seu pensamento no materialismo, definia a religião como o ópio do povo.
A batalha do Brasil é, em última instância, espiritual, e o campo de combate reside na consciência de cada cidadão.
Um chamado à maturidade e à união
A direita brasileira precisa crescer.
É essencial compreender que não existe “direita limpinha”, nem “direita permitida”, nem “terceira via”.
Ou existem aqueles que defendem o país com sinceridade — ou existem aqueles que apenas fingem fazê-lo.
Enquanto persistirmos na divisão, procurando um “substituto” para Bolsonaro em vez de consolidar o que já existe, o sistema continuará a prevalecer.
O inimigo não está apenas na urna — ele reside na desinformação, na indiferença e no ego.
A história já demonstrou: quando a direita se une, ela conquista a vitória.
Quando se divide, ela se autodestrói.
Conclusão: Essa é a nossa última chance
O Brasil ainda tem a possibilidade de mudar, mas o tempo está se esgotando.
Se a direita quer replicar o “efeito Trump”, precisará antes aprender com seus próprios erros.
A maturidade política se inicia quando o orgulho é substituído pela estratégia, quando o discurso é substituído pela ação e quando o interesse pessoal é substituído pelo compromisso com a verdade.
A vitória não será fruto do acaso.
Ela virá quando o povo despertar — e a direita deixar de se comportar como plateia e começar a agir como nação. (Paula Sousa é Historiadora, Professora e Articulista; 15/10/2025)

