06/11/2025

A escolha de Lula: R$ para o tráfico, silêncio à vítima – Por Paula Sousa

Montagem Reprodução Blog Metrópoles

 

O Brasil observa, estarrecido, uma inversão de valores tão grotesca que chega a ser surreal. Enquanto o governo Lula, por meio da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, "avalia" e "discute" a possibilidade de oferecer auxílio e assistência estatal às famílias de traficantes mortos em confronto com a polícia no Rio de Janeiro, surge uma pergunta no vazio moral de Brasília: e a família de Bárbara Elisa?

 

Uma jovem passageira de um Uber, sem qualquer ligação com o crime, foi morta com um tiro de fuzil na cabeça ao passar pela Linha Amarela. O governo irá indenizar seus familiares? A família dela receberá uma visita de delegações dos "Direitos Humanos"?

 

A resposta é um silêncio ensurdecedor. O mesmo silêncio que o presidente Lula manteve por vários dias após a megaoperação no Rio, a mais mortal da história contra o Comando Vermelho. Quando finalmente se manifestou, foi para a imprensa estrangeira, em Belém, descrevendo a operação policial como uma "matança" e anunciando investigações contra os policiais. A hipocrisia e a seletividade foram escancaradas.

 

"Matança" ou limpeza? A realidade oposta do povo

 

Lula considera que os 121 mortos na operação, em grande parte criminosos em confronto direto com o Estado, merece uma perícia da Polícia Federal e assistência do governo. Por outro lado, Bárbara Elisa, vítima inocente do narcoterrorismo que aflige o Rio, não recebeu nem mesmo uma nota de pesar.

O presidente, que afirmou durante uma viagem à Indonésia que "traficantes são vítimas dos usuários", parece estar em uma realidade paralela, totalmente alheio ao sentimento popular. Contudo, o povo brasileiro não é ingênuo.

 

Enquanto Lula chama a operação de "matança", uma pesquisa da AtlasIntel contradiz a narrativa oficial: 55% dos brasileiros apoiaram a ação policial. Ainda mais chocante e devastador (para a esquerda): nas favelas do Rio de Janeiro, essa percentagem sobe para 87%.

 

Sim, cerca de 90% dos moradores das comunidades, as verdadeiras vítimas que vivem sob a opressão do fuzil, estão em desespero, suplicando por ajuda e apoiando as forças policiais. Enquanto o povo pede ordem, o Planalto responde com eufemismos e defesa dos criminosos. Durante décadas, a esquerda e a mídia procuraram convencer de que os moradores das favelas detestam a polícia. A realidade revelou que eles detestam os traficantes que os oprimem.

 

A vítima indigna e a narrativa seletiva

 

O caso de Bárbara Elisa revela a podridão da indignação seletiva. Se você não ouviu falar muito da morte dela, talvez seja porque tem gente de "cabelo laranja" dizendo que "com uma pedra" você resolve o problema do Rio. Ou talvez por causa de políticos como a Fegali, que afirmam que a segurança pode ser resolvida "sem um tiro".

 

A morte de Bárbara não gera comoção na mídia engajada nem mobiliza as "sociólogas de cabelo azul". Por quê? Porque ela era "branca, loira". Ela não era, portanto, "digna" de que a mídia trate sua morte como algo a se lamentar. Ela não se encaixa na narrativa de "oprimido" que a esquerda fabricou.

Nessa cartilha ideológica doentia, os "oprimidos" são aqueles que andam de fuzil, que transformam 25% do território nacional em zonas de guerra. Os "opressores" somos nós, os cidadãos honestos, trabalhadores e pagadores de impostos. Bárbara, infelizmente para os esquerdistas, estava do lado errado: o lado das vítimas reais.

 

O apoio a traficantes e o dinheiro do povo

 

A ideologia não se limita ao discurso; ela se converte em política pública. Ao "discutir assistência" aos parentes dos traficantes mortos, o governo Lula sugere utilizar nossos recursos, o dinheiro dos nossos impostos, para socorrer aqueles que atacam a sociedade.

 

É o escárnio final. Para os policiais mortos na mesma operação — as únicas vítimas reais, segundo o governador Cláudio Castro —, foi preciso uma "vaquinha" popular, organizada pelo senador Flávio Bolsonaro, que arrecadou mais de R$ 1,1 milhão para amparar suas famílias. O cidadão comum precisa fazer o trabalho que o Estado, agora aparelhado por defensores do crime, se recusa a fazer.

 

Não se trata de um lapso, mas de uma escolha política clara. O silêncio calculado de Lula sobre a operação terminou em Belém: pressionado pela imprensa internacional, ele tinha que escolher entre o anseio popular por ordem ou sua base ideológica radical. Ele escolheu a base, dobrando a aposta na narrativa que condena a polícia e vitimiza o criminoso.

 

Isso reforça o que a população já percebeu. Uma pesquisa da Quest aponta que 82% dos brasileiros acreditam que "facções criminosas ajudam a eleger deputados". Que deputados seriam esses? Seriam aqueles que tiram fotos com a "Dama do Tráfico"? Seriam de partidos que pagam avião para ela ou sobem em palanque com mulher de traficante? As perguntas se respondem sozinhas.

 

O projeto de dependência

 

Não é questão de burrice ou incompetência, mas de um projeto. A esquerda, historicamente, tem dificuldades em abordar a segurança pública, pois, no fundo, necessita do caos para prosperar.

 

Primeiramente, a polícia é desmantelada por meio de decisões judiciais absurdas, como a “ADPF das Favelas”, que proíbe o uso de helicópteros, enquanto os traficantes utilizam drones para atacar os policiais. Permite-se que ministros do STF, como Moraes e Gilmar Mendes, legislem sobre operações de segurança.

 

Segundo, quando se finge fazer algo, o resultado é pífio. A "PEC antifacção" de Lula, curiosamente, propõe diminuir o tempo mínimo de condenação de 3 anos para 1 ano e 8 meses. É um combate ao crime ou um incentivo?

 

Terceiro, usa-se a força do Estado apenas para o próprio deleite. O mesmo Lula que disse "jamais decretarei GLO" agora usa 8 mil soldados para proteger a COP 30, em Belém, enquanto os jornalistas estrangeiros que cobrem o evento são assaltados.

O objetivo é claro: desestruturar a segurança pública, manter a população refém do medo e, assim, fazê-la depender totalmente do Estado. É o mesmo roteiro da economia: criar dependência para governar.

 

A conclusão é óbvia e trágica. A operação no Rio de Janeiro e a morte de Bárbara Elisa serviram para que o governo Lula escancarasse seu "amor" pelo tráfico e seu desprezo pelo cidadão. A escolha foi feita: para os aliados do narcoterrorismo, a indenização e a defesa; para as vítimas reais, o silêncio e o esquecimento. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 6/11/2025)