A estranha simbiose entre filhos de presidentes do TCU e a Faesp/Senar-SP

A que serviriam a “prestação de serviços” de filhos de presidentes do Tribunal de Contas da União (TCU) à Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP, entidade que é comandada há meio século pela “Dinastia Meirelles” formada por Fábio de Salles Meirelles (48 anos ininterruptos na presidência) e seu filho Tirso Meirelles que se elegeu em dezembro de 2023 em eleição anulada por fraude e irregularidades pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em 1ª e 2ª instância (por unanimidade).
Dirigentes de sindicatos de oposição ao “Clã Meirelles” revelam que pelo menos dois filhos de dois ex-presidentes do TCU tiveram relação direta com a Faesp/Senar-SP. São eles: Cristiane Gess Nardes (filha do ministro Augusto Nardes que presidiu o TCU nos anos de 2013 e 2014) e Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz (presidiu o TCU nos anos de 2015 e 2016).
Cristiane Gess Nardes foi contratada pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo em 1º de junho de 2015 como “Assessora Especial” recebendo o salário mensal de R$ 11.664,00. Fontes da presidência da Faesp informam, sob a condição de anonimato que “ela nunca foi vista na sede da entidade em São Paulo até porque residia em Brasília”.

Legenda: Cristiane Nardes, ex-secretária executiva de governança e compliance da Casa Civil do Governo do Distrito Federal — Foto: Casa Civil do DF/Reprodução

Ex-presidente do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes. Foto Reprodução Blog Revista Veja

Fac-símile de recibo de férias da “Assessora Especial” da Faesp/Senar-SP
Em Brasília, Cristiane Nardes ocupou o cargo de “secretária executiva de Governança e Compliance da Casa Civil do Governo do Distrito Federal onde foi demitida pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) depois de críticas que ele fez ao Tribunal de Contas da União. Ver matéria publicada pelo portal G1 abaixo.
Tiago Cedraz

Ministro Aroldo Cedraz e seu filho Tiago Cedraz. Foto Reprodução Blog Diário do Poder
Filho do ministro Aroldo Cedraz, que presidiu o Tribunal de Contas da União no período de 2015 e 2016, Tiago Cedraz é advogado e, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo (transcrita abaixo), “ele teria favorecido a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo junto ao TCU”. A reportagem do “Estadão” cita como fonte o portal da Revista Veja.
Segundo reportagem no portal da revista "Veja", ‘o escritório do advogado conseguiu reverter, no TCU, um relatório que pedia a reprovação das contas de 2005 da organização e a aplicação de multas que chegariam a R$ 500 mil. Os sindicatos rurais questionam ainda o fato de Cedraz ter sido advogado da Faesp no processo junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que criou, no ano passado, o Conselho dos Citricultores e das Indústrias de Suco de Laranja (Consecitrus).”
O jornalista Cláudio Humberto, em seu portal “Diário do Poder”, publicou a seguinte denúncia: “O ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU), é o novo personagem no escândalo do roubo às aposentadorias do INSS. É suspeito de dispensar reconhecimento facial e assinatura eletrônica, formas seguras para o aposentado autorizar desconto.”
A denúncia prossegue: “E teria retirado o tema da pauta do TCU por cinco vezes, retardando providências. Ele e o filho, Tiago Cedraz, são conhecidos na Policia Federal. Em 2017, Tiago foi alvo da Operação Abate II, da Lava Jato, em esquema de propina na Petrobras. Teve as contas bloqueadas pelo juiz Sergio Moro”.
Fonte ligada ao gabinete da presidência da Faesp/Senar-SP revela que “sempre escutava do tal de Tiago Cedraz que estava numas auditorias sobre uns valores que a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo estava brigando para receber. Segundo falavam os presidentes de sindicatos este valor deveria ser repassado aos sindicatos e segundo eles nunca receberam nada pois foi feito uma manobra para que estes recursos ficassem com a entidade.”
O relato prossegue: “Houveram várias perseguições e dispensas de funcionários neste período em que eles eram literalmente proibidos de falar com dirigentes sindicais que se opunham aos Meirelles, pai e o filho. Estes funcionários chegaram a ser proibidos até mesmo de atenderem telefonemas”.
Ibaneis tem razão ao afirmar que “TCU não serve para m.... nenhuma?”

Governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal. Foto Reprodução Blog Revista Veja
Ao demitir Cristiane Gess Nardes, o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que o a Corte – referindo-se ao Tribunal de Contas da União “não serve para m.... nenhuma”.
Vale lembrar que o Tribunal de Contas da União (TCU) é um órgão constitucional de controle externo que fiscaliza a aplicação de recursos federais, agindo auxiliarmente ao Congresso Nacional, e não parte do Judiciário, com decisões técnicas e administrativas. Críticas surgem frequentemente de gestores públicos, como Ibaneis Rocha em 2019, que chamou o órgão de inútil por bloquear recursos do FCDF.
Produtores rurais paulistas têm denunciado sucessivos e reiterados desvios de finalidade na gestão do presidente sub judice da Faesp/Senar-SP Tirso Meirelles, lembrando que até mesmo sua eleição em dezembro de 2023 foi anulada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região por fraude e irregularidades.
Além de alijar do rateio da taxa Senar os associados dos sindicatos rurais de Ribeirão Preto e Araraquara por revanchismo, ele o faz afrontando o estatuto e o código de ética da entidade, violando também o princípio de isonomia da federação.
E o faz sem ser molestado nem por João Martins, presidente do Sistema Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e muito menos pelos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU). Ao mesmo tempo, o governador Ibaneis Rocha parece não ter sido molestado pelo TCU na sua tentativa frustrada de, através do Banco Regional de Brasília (BRB) assumir o controle do fatídico Banco Master de Daniel Vorcaro.
Relatório do TCU rejeitando prestação de contas da Faesp/Senar-SP
Leia a íntegra do relatório do Tribunal de Contas da União rejeitando a prestação de contas do exercício de 2005 da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP no link abaixo:
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Matéria Estadão

Presidente do TCU prepara mudança para imóvel do filho
Apartamento de alto padrão, em reforma, foi comprado por empresa de Tiago Cedraz, alvo de operação que apura tráfico de influência na corte de contas.
Por Fabio Fabrini
18/07/2015 | 05h00
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, se prepara para usufruir de um dos imóveis comprados pelo filho, o advogado Tiago Cedraz, alvo de operação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência na corte. O ministro faz uma reforma em apartamento da Asa Sul, em Brasília, adquirido por R$ 2,7 milhões pela Cedraz Administradora de Bens Próprios. A empresa, com capital de R$ 20 milhões, foi aberta por Tiago em sociedade com a mãe e mulher do ministro, Eliana Leite Oliveira, como mostrou o Estado na quinta-feira.
A obra no apartamento de 250 m², assinada por um dos escritórios de arquitetura mais renomados de Brasília, está em fase final. Há bancadas, pintura feita e ar condicionado. A montagem dos móveis está a cargo de uma loja da capital, cujo projeto descreve como cliente “Aroldo Cedraz de Oliveira”.
Um dos responsáveis pela encomenda diz que serviço semelhante ao do “Seu Aroldo”, como os funcionários do prédio se referem ao morador, custaria de R$ 250 mil a R$ 300 mil. “São basicamente armários”, disse, acrescentando que há itens de marcenaria previstos para três suítes, três banheiros, escritório e rouparia. Na sala, haverá móvel para adega, home theater e cristaleiras. “As proporções são grandes, porque o espaço é bem generoso.”
O piso será de mármore travertino, material de origem europeia cujo metro quadrado, conforme a configuração, varia de R$ 450 a R$ 650. Questionado sobre a reforma, um dos funcionários do prédio afirmou: “O homem é chique, tudo de primeira. ‘Chiquete mesmo’”. Ele diz que “Seu Aroldo” aparece de vez em quando para cuidar de detalhes e deve se mudar em breve.

O advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz Foto: Reprodução
Fortuna
No mesmo prédio, já moram o filho, Tiago, e a nora em apartamento com as mesmas dimensões, negociado por R$ 2,9 milhões, parte financiada pelo Banco do Brasil. Em pouco mais de nove anos de carreira, o advogado, de 33 anos, fez fortuna com uma banca que atua no TCU. Como revelou o Estado, os imóveis comprados em três anos em Brasília somam R$ 13 milhões.
Levantamento de técnicos do TCU mostra que advogados que integram ou já integraram o escritório, construído por Tiago numa casa de alto padrão no Lago Sul, têm procuração em ao menos 130 processos. Ministros da corte, incomodados com o escândalo, cobram do TCU a lista completa para “monitorar os casos”.
Na última terça-feira (14), o escritório de Tiago foi alvo de buscas da Operação Politeia. Em delação premiada, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse que pagava R$ 50 mil mensais ao advogado para ter acesso a informações de seu interesse. Por um processo que tratava de obras na Usina de Angra 3, ele teria negociado R$ 1 milhão com Tiago, supostamente para que o caso fluísse.
A investigação corre no Supremo Tribunal Federal, diante de suspeitas de participação de ministro do TCU. Processos que discutiam a montagem eletromecânica da usina foram relatados por Raimundo Carreiro.
Cedraz também teria favorecido a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP junto ao Tribunal.
Segundo reportagem no portal da revista "Veja", o escritório do advogado conseguiu reverter, no TCU, um relatório que pedia a reprovação das contas de 2005 da organização e a aplicação de multas que chegariam a R$ 500 mil.
Os sindicatos rurais questionam ainda o fato de Cedraz ter sido advogado da Faesp no processo junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que criou, no ano passado, o Conselho dos Citricultores e das Indústrias de Suco de Laranja (Consecitrus).
No TCU desde 2007, Aroldo Cedraz recebeu R$ 18,1 mil líquidos pelo último contracheque. Veterinário e ex-deputado do extinto PFL (hoje DEM), declarou bens de R$ 1 milhão ao disputar sua última eleição, em 2006.
Questionado pelo Estado sobre os projetos de mudança, fontes de renda e os recursos que custeiam a reforma, Aroldo Cedraz não respondeu. Em nota, ao se referir ao apartamento em nome da empresa do filho e da mulher, disse: “Sobre imóveis de terceiros, recomendamos contato com o proprietário para obter as informações solicitadas”.
Procurados pela reportagem do BrasilAgro Cristiane Gess Nardes, Tiago Cedraz e Tirso Meirelles não responderam.
Matéria G1

Após críticas de Ibaneis ao TCU, filha de ministro da Corte é exonerada do GDF
Ato foi publicado no Diário Oficial nesta sexta-feira (16). Governador afirmou que Corte 'não serve para m... nenhuma'.
Por Pedro Alves, G1 DF
16/08/2019 13h29

Cristiane Nardes, ex-secretária executiva de governança e compliance da Casa Civil — Foto: Casa Civil do DF/Reprodução
O Diário Oficial do Distrito Federal desta sexta-feira (16) traz a exoneração de Cristiane Geiss Nardes Farinon (foto acima). Filha do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, ela atuava no Executivo local como secretária executiva de Governança e Compliance da Casa Civil.
A exoneração ocorre um dia após o governador Ibaneis Rocha (MDB) fazer duras críticas ao TCU. Em discurso no Palácio do Buriti nessa quinta (15), o líder do Governo do DF afirmou que a Corte “não serve para m... nenhuma”.
Ao G1, o GDF informou que “os cargos comissionados são de livre provimento e que as nomeações e/ou exonerações são prerrogativas do Governador”.
Ainda de acordo com o Executivo local, “as funções de secretária executiva de Governança e Compliance serão exercidas pela subsecretária de Compliance e Gestão”.
O DODF desta sexta também trouxe alterações nesse cargo. A antiga titular, Mariana Cruz Montenegro, foi exonerada e a subsecretaria de Compliance e Gestão agora será chefiada por Patrícia Helena Tavares Domingos dos Santos.

Ministro Augusto Nardes, do TCU — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Críticas
Durante o discurso na quinta, Ibaneis chegou a citar Cristiane Nardes. “O Tribunal de Contas da União é um órgão que, na minha visão – me desculpa a Nardes, que o pai é ministro – não serve para nada. A não ser para atrapalhar a vida de governos e de governantes.”

'O TCU não serve para nada’, diz Ibaneis após decisão que restringe recursos do GDF
O episódio provocou reação do TCU. Em nota divulgada na quinta-feira, a Corte afirmou que "lamenta e recebe com surpresa a forma, o tom e o teor das declarações proferidas pelo governador".
Ainda de acordo com o tribunal, “o respeito mútuo sempre fez parte das relações entre o GDF e o TCU. O Tribunal trata com seriedade, transparência e observância à legislação todos os processos que julga”.
Decisão sobre Fundo Constitucional
As críticas de Ibaneis foram disparadas após decisão do TCU que proibiu o Governo do DF de usar recursos do Fundo Constitucional para pagar benefícios a aposentados e pensionistas das secretarias de Saúde e Educação.
Segundo o entendimento da Corte, essas despesas são de responsabilidade exclusiva do Tesouro do Distrito Federal. Portanto, diz o TCU, o uso de dinheiro do fundo para pagamento dos benefícios é irregular.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha — Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília
Na decisão, o tribunal deu 30 dias para que o GDF retire os aposentados e pensionistas da folha do Fundo Constitucional. Estipulou ainda prazo de 180 dias para que o governo decida como resolver a questão.
Já o Executivo local informou que vai recorrer ao STF. Segundo o GDF, a decisão do TCU pode implicar na suspensão do pagamento dos benefícios aos servidores inativos (Da Redação, 23/3/26)

