04/03/2026

A estratégia de Trump e o confronto com o Eixo Eurasiano

A estratégia de Trump e o confronto com o Eixo Eurasiano

Donald Trump, presidente dos EUA: A verdade que tentam esconder. Foto Reprodução Blog O Globo

 

Por Camilo Calandreli

 

Durante anos, a esquerda brasileira — acompanhada por setores do chamado “globalismo progressista” — insistiu em pintar Donald Trump como o grande vilão da política internacional.

Autoritário.

Desestabilizador.

Ameaça à ordem mundial.

Mas a pergunta que precisa ser feita é simples:

Ordem para quem?

Porque quando se observa o mapa real — não as manchetes — o que se vê não é caos. É estratégia.

E uma estratégia clara.

 

Energia é poder. E Trump entendeu antes de todos.

O século XXI não será decidido por discursos identitários nem por conferências climáticas repletas de retórica vazia.

Será decidido por quem controla energia.

Trump declarou emergência energética, ampliou exploração offshore, reforçou produção doméstica e expandiu exportação de gás natural.

Enquanto parte do Ocidente mergulhava em dependência energética e vulnerabilidade externa, os Estados Unidos apostavam na soberania.

Energia é independência, é estabilidade de preços, segurança industrial e principalmente poder geopolítico.

A esquerda chama isso de “imperialismo”.

O setor produtivo chama de responsabilidade estratégica.

 

Venezuela, Irã e o mito da perseguição ideológica

 

A narrativa simplista diz que Trump persegue governos por ideologia.

Mas curiosamente, os “alvos” concentram:

  • Grandes reservas de petróleo
  • Gargalos estratégicos de transporte
  • Alinhamento com Rússia e China

Venezuela não é apenas um regime autoritário.

É uma das maiores reservas de petróleo do planeta.

Irã não é apenas um governo teocrático.

É controlador do Estreito de Ormuz — artéria vital do comércio energético mundial.

Neutralizar esses polos significa impedir que o eixo eurasiático consolide controle sobre oferta global.

Isso não é “capricho”.

É impedir concentração estratégica de poder em mãos hostis.

E enquanto setores da esquerda choram “intervenção”, os mercados enxergam estabilidade de oferta.

Os preços permanecem sob controle porque a reorganização da cadeia já está em curso.

Quem vê manchete vê guerra.

Quem vê mapa vê reposicionamento.

 

O Ártico: a próxima fronteira que a esquerda ignora

 

Enquanto o debate doméstico brasileiro gira em torno de narrativas ideológicas, o Ártico se transforma na nova fronteira energética do planeta.

  • 13% do petróleo não descoberto.
  • 30% do gás natural mundial.

A Rússia constrói bases.

A China se autodeclara “quase-ártico”.

E os Estados Unidos respondem.

  • Leilões.
  • Infraestrutura no Alasca.
  • Expansão estratégica.

Isso não é aventura expansionista.

É impedir que o eixo Rússia-China domine a próxima grande reserva energética do mundo.

Mas essa discussão raramente aparece nas análises rasas que insistem em reduzir tudo a slogans.

 

Minerais críticos: a guerra invisível

 

O petróleo foi o sangue do século XX.

Os minerais críticos são o sistema nervoso do século XXI.

Sem cobalto, níquel, manganês, tântalo e terras raras:

  • Não existem chips
  • Não existem baterias
  • Não existem drones
  • Não existem sistemas de defesa
  • Não existem data centers

Nigéria.

Congo.

África do Sul.

Groenlândia.

Indonésia.

Cada um desses pontos é um elo da cadeia energia-minerais-IA-defesa.

Primeiro presença estratégica. Depois acordos econômicos.

É assim que grandes potências operam.

Só os ingênuos acreditam que a geopolítica é conduzida por declarações de boas intenções.

 

Inteligência Artificial: o verdadeiro campo de batalha

 

A resposta final está em duas letras:

IA.

A corrida pela Inteligência Artificial exige:

  • Energia abundante
  • Minerais críticos
  • Cadeias industriais seguras

Sem energia, não há data centers.

Sem minerais, não há semicondutores.

Trump compreendeu que soberania tecnológica começa na base energética.

Enquanto parte do Ocidente apostava em transições apressadas e dependência externa, a estratégia americana reforçava autonomia.

Não se trata de discurso ideológico.

Trata-se de visão estrutural.

 

O Brasil precisa acordar

 

E aqui entramos na parte mais delicada.

O governo Lula tem declarado apoio explícito à consolidação dos BRICS como contraponto ao Ocidente.

Tem defendido publicamente a “multipolaridade”, “defesa da democracia”, disfarçada de socialismo, como alternativa à liderança americana.

Tem adotado postura diplomática que aproxima o Brasil de Rússia, China e Irã.

Isso não é apenas pragmatismo comercial.

É alinhamento político.

Enquanto os Estados Unidos reforçam soberania energética e industrial, o Brasil sinaliza afinidade com um bloco que inclui regimes que não compartilham os mesmos compromissos com liberdade econômica, transparência institucional e segurança jurídica.

Para o agronegócio brasileiro — altamente dependente de rotas seguras, estabilidade de preços e mercados previsíveis — essa escolha não é trivial.

O Brasil depende do mercado americano.

Depende do sistema financeiro ocidental.

Depende da estabilidade energética global.

Brincar com esse equilíbrio por afinidade ideológica é arriscado.

Neutralidade estratégica exige inteligência.

Alinhamento automático exige crença.

E crença não sustenta cadeias produtivas.

 

A reação da esquerda e a questão central

 

Cada ação que reforça a soberania energética americana provoca indignação em setores progressistas globais.

Por quê?

Porque fortalece o conceito de soberania nacional.

Porque reforça produção interna.

Porque reafirma que Estados têm o direito de proteger seus interesses estratégicos.

Isso confronta diretamente a visão de governança global centralizada que domina parte do debate internacional contemporâneo.

Não é apenas política.

É modelo de mundo.

 

Conclusão: soberania versus narrativa

 

Donald Trump pode não agradar editorialistas progressistas. Pode não se encaixar no padrão diplomático tradicional, mas a análise fria do tabuleiro mostra coerência estratégica.

  • Energia;
  • Minerais;
  • Tecnologia;
  • Defesa.

Esse é o eixo do poder contemporâneo.

Enquanto a esquerda global reage com desconforto e retórica inflamada, milhões de cidadãos ao redor do mundo observam algo diferente:

Países recuperando controle sobre suas cadeias produtivas.

Nações reafirmando soberania energética.

Governos priorizando independência industrial.

A alegria dos povos que veem sua autonomia fortalecida contrasta com a agonia de setores ideológicos que perdem influência à medida que o conceito de soberania nacional volta ao centro do debate global.

A história não será escrita por slogans.

Será escrita por quem controlar os recursos que movem o século.

E nesse tabuleiro, gostem ou não, há estratégia.

Não caricatura.

 

Sobre o Autor:

 

Camilo Calandreli é gestor cultural especializado em Gestão Pública e Museologia, ex-Secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura no Governo Bolsonaro, autor de livros como:

  • Um Breve Ensaio Sobre a Cultura no Brasil;
  • Um Breve Ensaio Sobre a Agricultura no Brasil;
  • Os Cinco Atributos do Cristão na Edificação de Uma Nação.

 

Graduado pela ECA-USP, pós-graduado em Administração e Gestão Pública Cultural (UFRGS), pós-graduação em Gestão Pública, Chefia de Gabinete e Assessoria Parlamentar (PUCRS), Gestão Cultural e Museológica (Universidad Miguel de Cervantes – Sevilla), além de MBA em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública (ESG/Instituto Venturo) e pós-graduação em Desenvolvimento Nacional, Política e Liderança (ESD). Atuou no Congresso Nacional (2021–2024) no Gabinete da Deputada Federal Carla Zambelli e, desde 2025, é Assessor Parlamentar do Deputado Estadual SP Lucas Bove; 4/3/26)