15/07/2026

A farsa do racha: O sistema quer você de joelhos – Por Paula Sousa

A farsa do racha: O sistema quer você de joelhos – Por Paula Sousa

A grande mídia e os "isentões" de plantão acharam o brinquedo do ano: pintar uma guerra civil imaginária na família Bolsonaro. A tese deles, repetida de forma quase obsessiva em colunas e telejornais, é de que a ex-primeira-dama Michelle e o senador Flávio Bolsonaro estariam disputando o espólio político do clã como hienas famintas.

 

Não se engane: toda essa fumaça é provocada para esconder o verdadeiro incêndio. Eles estão apavorados porque sabem que o nome de Flávio é o que tem mais força para bater de frente e derrotar Lula. Como não conseguem vencer no voto, tentam vencer na intriga.

 

O teatro da divisão: Quem ganha com isso?

 

Se você der uma olhada rápida no que anda circulando por aí, o desespero da esquerda para emplacar essa narrativa é vergonhoso:

 

  • Malu Gaspar (O Globo): Corre para analisar "os efeitos da decisão de Alexandre de Moraes na guerra entre Michelle e Flávio". Que guerra, cara pálida? A única guerra que existe é a do sistema contra a sobrevivência da oposição.

 

  • Brasil247: O folhetim ultraesquerdista correu para decretar que a proibição de visitas "amplia o poder de Michelle". Poder para quê? Eles criam uma fantasia de disputa por poder que só existe na cabeça de quem torce pelo fracasso do país.

 

  • GloboNews: Chega a ser constrangedor ver os âncoras tentando forçar Valdemar da Costa Neto a admitir um "plano B" caso Flávio não "aguente" a candidatura. A resposta do presidente do PL foi um balde de água fria na espinha dos jornalistas: "É o Flávio. Ele é o melhor".

 

  • Igor Gadelha (Metrópoles): Revelou que até a ala jurídica do governo Lula achou a decisão de Moraes um "erro" estratégico na fundamentação. Eles queriam que o ministro usasse o caso do documentário Dark Horse para desgastar o senador, provando que o objetivo nunca foi a justiça, mas sim o cálculo eleitoral.

 

Toda essa fofoca de bastidor serve apenas para uma coisa: alimentar os "cabecinhas de borboleta" da direita que preferem o purismo de internet ao pragmatismo político.

 

A "anomalia jurídica" de Moraes e o silêncio dos cúmplices

 

A gota d’água foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir Flávio de visitar o próprio pai. Como bem apontou o jornalista Cláudio Dantas, Moraes conseguiu a proeza de inaugurar uma "medida cautelar para quem sequer é investigado". Flávio não está no processo. Como você proíbe um cidadão de ver o pai se ele não é réu?

 

Para piorar, Flávio é advogado constituído do ex-presidente. A decisão atropela as prerrogativas da advocacia, o que forçou até mesmo a OAB a enviar uma nota tímida ao STF cobrando o óbvio. Uma manifestação protocolar e subserviente, quase pedindo desculpas por existir, mas que escancara o tamanho do absurdo. No X, Flávio agradeceu a manifestação, mas o recado estava dado.

 

O duplo padrão é de chorar. O advogado Eduardo Sales Pimenta Filho relembrou no X o Artigo 41 da Lei de Execução Penal, que garante ao preso o contato com o mundo exterior. Lula, condenado em três instâncias por corrupção orgânica, cansou de receber visitas e dar entrevistas na prisão. Agora, para a família Bolsonaro, as leis de execução penal parecem letra morta.

 

E sejamos realistas: o ex-presidente sequer deveria estar em prisão domiciliar, para começo de conversa. Todo o processo contra ele — assim como o linchamento jurídico dos coitados do 8 de janeiro — é uma aberração completa, totalmente ilegal e viciada por um sistema onde o mesmo sujeito consegue ser, ao mesmo tempo, a vítima, o promotor e o juiz.

 

O alerta de Damares e a verdade sobre Michelle

 

A própria senadora Damares Alves teve que vir a público na Gazeta do Povo para fazer o que qualquer pessoa com dois neurônios funcionais deveria estar fazendo: defendeu Michelle Bolsonaro e, no mesmo fôlego, reafirmou seu apoio incondicional à candidatura de Flávio. Ela desenhou o óbvio. E pode escrever: Michelle fará exatamente a mesma coisa lá na frente, trazendo consigo o eleitorado indeciso.

 

Essa teoria da conspiração de que a ex-primeira-dama estaria de conluio com o STF contra o próprio enteado é delírio de histérico de internet. O que temos ali, no mundo real, é apenas uma esposa genuinamente preocupada com a saúde do marido — que precisa ficar em casa e ser preservado, dadas as circunstâncias.

 

Michelle cumpre um papel estratégico brilhante: ela dialoga com aquele eleitor que está decepcionado com os desmandos do PT mas ainda tem ressalvas com o estilo mais combativo da direita. No momento certo, essa força vai se somar. Dividir o eleitorado agora é assinar a nossa própria sentença de morte política. Damares mostrou que é perfeitamente possível ficar ao lado de Michelle e marchar junto com Flávio. Sem drama, sem racha, apenas estratégia pura.

 

O que está em jogo: 4 cadeiras no STF

 

Se você ainda tem tempo para brigar por causa de fofoca de internet, pare e pense no tamanho do seu erro. O próximo presidente da República indicará nada menos que QUATRO ministros para o Supremo Tribunal Federal.

 

Se a direita continuar se digladiando por causa de fofoca alimentada pela Globo e pelo Brasil247, nós entregaremos essas quatro vagas de bandeja para o PT. Você quer mais 30 anos de ativismo judicial destruindo as liberdades individuais no Brasil?

 

O eleitor indeciso não vota com um manual de filosofia política debaixo do braço. Ele decide na undécima hora, movido pelo estômago e pela emoção. Se a imagem que a direita passar for a de um bando de histéricos brigando por migalhas e vaidade enquanto o país afunda, esse eleitor vai simplesmente anular o voto ou se jogar no colo de qualquer candidato insosso de "terceira via".

 

Não podemos permitir que o erro fatal de 2022 se repita. O MBL vai usar exatamente a mesma cartilha manjada do “Lula e Bolsonaro são iguais” para tentar dinamitar a nossa chapa. Já passou da hora dos guerreiros de teclado do X (antigo Twitter) começarem a ajudar em vez de atrapalhar. É claro que ter atritos e discordar é perfeitamente normal, mas, pelo amor de Deus, parece que alguns “influenciadores” da direita tem fetiche em correr para o X para lavar roupa suja em público.

 

Quer discordar de alguma coisa? Guarde o choro e deixe para debater os detalhes depois da posse de Flávio. Até lá, será que é pedir muito para lavarem a roupa suja no privado e apresentarem uma frente unida para o público?

 

Mas, por favor, sem a molecagem de tirar print ou "vazar" conversa privada para ganhar curtida.

 

A ordem do presidente Jair Bolsonaro na carta manuscrita que enviou a Flávio é uma só:

 

"Arregaçar as mangas e trabalhar. Acabar com as brigas e nos unir para salvar o Brasil do PT."

 

O recado está dado. Ou a direita entende o tamanho do tabuleiro e se une agora sob a liderança de Flávio Bolsonaro, ou continuaremos sendo esmagados por um sistema que joga sujo, joga junto e não perdoa divisões. Chega de criancice. É hora de agir como adultos (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 15/7/2026)