A mansão, o banco e o “painho”: O Brasil apodrece por dentro
Foto Divulgação/StudioHub Arquitetura
Por Paula Sousa
O teatro de Brasília nunca foi tão explícito, e o cheiro de charuto caro misturado com o mofo da corrupção está impregnando as cortinas do Palácio do Planalto e as togas do Supremo. O Caso Master não é apenas mais um escândalo financeiro; é o retrato fiel de como a elite aristocrática que se diz "do povo" opera nos bastidores, regada a vinhos raros, enquanto tenta desesperadamente encontrar um pescoço para colocar na guilhotina e salvar a própria pele.
O Banco Master, um castelo de cartas que, segundo investigadores da Polícia Federal, esconde uma fraude estimada em R$ 50 bilhões. Mas o que realmente choca não é o rombo — afinal, estamos falando de Brasília —, mas sim quem estava segurando a mão do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto o navio afundava.
A digital de Lula: O socorro que a Caixa tentou esconder
Lula, o eterno "eu não sabia de nada", está tentando vender a narrativa de que o problema do Master é da oposição bolsonarista ou de alguns ministros do STF que "perderam a biografia". Mentira. A digital do atual governo está impressa no DNA dessa crise.
Enquanto o mercado financeiro já sentia o cheiro de queimado em meados de 2024, o governo Lula tentou um movimento ousado e silencioso: usar a Caixa Econômica Federal como tábua de salvação para o Master. De acordo com informações reveladas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o plano era injetar R$ 500 milhões no banco através de uma operação "atípica e arriscada".
A sorte do contribuinte — e o azar de Lula — foi que dois gerentes técnicos da Caixa, em um raro gesto de coragem e decência, barraram o negócio. O resultado? Foram exonerados. Em Brasília, a competência é punida com a demissão quando ela atrapalha o esquema dos chefões. Se a Caixa é controlada pelo Planalto, quem deu a ordem para punir quem impediu o prejuízo milionário? A resposta é óbvia. Lula tentou salvar o Master antes de todo mundo, e agora finge que é um espectador indignado.
O ministro da PF e o contrato de R$ 6 milhões
Enquanto a Caixa tentava o socorro financeiro, a segurança jurídica estava sendo comprada a peso de ouro. Ricardo Lewandowski, o homem que Lula tirou da aposentadoria do STF para comandar o Ministério da Justiça — e, por tabela, a Polícia Federal —, tem conexões profundas com o banco.
O escritório de advocacia da família de Lewandowski foi contratado pelo Master por modestos R$ 250 mil mensais. No total, a banca da família do ministro embolsou mais de R$ 6 milhões. O detalhe que é que, enquanto o escritório recebia essa fortuna, Lewandowski chefiava a instituição que deveria estar investigando as fraudes de Vorcaro.
Dizem que o contrato foi uma "sugestão" de Jaques Wagner, o líder do governo no Senado, o mesmo que conseguiu um emprego de R$ 1 milhão por mês para Guido Mantega no próprio Banco Master. É uma ciranda de amizades e milhões que faria qualquer máfia parecer amadora. Agora, com a água batendo no queixo, o Planalto tenta "fritar" Lewandowski, sugerindo que ele saiu do ministério para não desgastar o presidente. Na verdade, ele fugiu antes que a Polícia Federal que ele comandava fosse obrigada a prender seus próprios clientes.
Charutos, vinhos raros e o "bunker" de luxo no Lago Sul
Se o povo vive de promessa de picanha, a elite brasiliense vive de realidade de luxo obsceno. O Portal Metrópoles e o jornal O Globo trouxeram à tona encontros que parecem saídos de uma reunião de cúpula de oligarcas. Alexandre de Moraes, o "xerife da democracia", tornou-se um habituê da mansão de R$ 36 milhões de Daniel Vorcaro em Brasília.
Testemunhas descrevem Moraes em um ambiente reservado — uma espécie de bunker de degustação — cercado de vinhos caros e fumando charutos, enquanto discutia o destino do País. Em um desses encontros, em novembro de 2024, o ministro acompanhou o resultado da eleição de Donald Trump na casa do banqueiro. O clima não devia ser dos melhores, já que o retorno de Trump representa uma ameaça direta à sua "soberania" judicial.
Mas o encontro mais grave teria ocorrido no início de 2025. Vorcaro teria chamado Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB (Banco de Brasília), para ir até sua mansão porque "o homem estava lá". O "homem", no caso, era Moraes. O objetivo era simples: tranquilizar o presidente do BRB para que ele levasse adiante a compra do Master. A mensagem era clara: "Pode comprar, o sistema garante".
A troca de favores: 8 de janeiro e a liberdade de Ibaneis
Aqui a trama fica ainda mais suja. O BRB é controlado pelo Governo do Distrito Federal. Ibaneis Rocha, o governador, estava na mira de Alexandre de Moraes no inquérito do 8 de janeiro, correndo o risco de pegar décadas de prisão.
Curiosamente, em março de 2025, duas coisas aconteceram simultaneamente: Moraes inocentou Ibaneis Rocha, tirando-o do inquérito, e o BRB deu o sinal verde para a compra do Banco Master. Coincidência? Só acredita nisso quem ainda acha que o "pinguço" é inocente. Foi um jogo de troca de favores descarado, onde a liberdade de um político foi trocada pelo uso de dinheiro público para salvar um banco quebrado.
O plano só deu errado porque o Banco Central, em um lampejo de sobrevivência técnica, detectou que os ativos do Master eram "inconsistentes" — um eufemismo elegante para títulos falsificados. Ou seja, Vorcaro tentou empurrar esses jabutis goela abaixo do governo, e o "esquema de proteção" de Moraes e Lewandowski não foi suficiente para esconder a fraude.
Lealdade de socialista: Quem será o próximo na fritadeira?
Na história de todos os regimes de esquerda, a lealdade dura apenas enquanto o aliado é útil. Quando o escândalo vira crise de sobrevivência, o "grande líder" sacrifica qualquer um para não perder a coroa. Lula já começou o processo de fritura.
Primeiro, tentaram jogar tudo no colo de Alexandre de Moraes. Não deu certo; o ministro revidou com o silêncio ensurdecedor de quem tem o "botão do pânico" na mão. Depois, o alvo virou Dias Toffoli. A imprensa governista, liderada pela Globo e pelo Brasil 247, começou a bater no "amigo do amigo do meu pai" sem parar. Toffoli, esperto, sabe que se largar o osso da relatoria do caso Master, ele poderá ser o primeiro a sofrer impeachment. Por isso, Moraes e Gilmar Mendes o seguram ali: proteger Toffoli é proteger o próprio pescoço.
Agora a briga é de faca no escuro. Lula quer que a PF controle a investigação para garantir que nada chegue no Planalto ou na sua reunião secreta com Vorcaro. O STF quer manter o controle para garantir que ninguém perca o cargo. No meio disso, Lewandowski já foi jogado aos leões, e o governo tenta emplacar a tese de que o Master é coisa da "oposição".
O banquete da hipocrisia
É fascinante observar essa elite aristocrática. Eles falam em "defender a democracia" enquanto decidem o destino de bilhões de reais entre uma baforada de charuto e um gole de um Petrus. Eles pregam a ética enquanto recebem milhões em "consultorias" de bancos fraudadores.
O Banco Master é o fio da meada que pode desmanchar o tapete de Brasília. Se a oposição souber usar esses fatos — a tentativa de uso da Caixa, as demissões de técnicos honestos, as reuniões sociais de ministros com investigados e os contratos milionários de parentes —, o castelo cai.
A verdade é que todos estão enrolados. Lula é o “não sei de nada” de sempre; o STF virou um balcão de negócios; e o povo brasileiro é quem paga a conta dos títulos falsificados e dos vinhos raros do Lago Sul. A pergunta que fica no ar de Brasília, mais pesada que a fumaça do charuto do ministro, é: quem vai trair quem primeiro?
O banquete acabou, a conta chegou e os convidados estão tentando sair pela janela antes que a polícia — aquela que ainda não foi comprada — chegue para fechar o restaurante. Que a briga entre o pinguço e a toga continue; para o Brasil, quanto mais eles se expuserem, melhor (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 28/1/2026)

