A marca da eleição presidencial de 2026 – Por Caio Junqueira
Escândalos e investigações em curso no país podem pautar diretamente a dinâmica eleitoral deste ano.Toda eleição nacional deixa uma marca após seu fim.
Para ficar nas disputas deste século, a de 2002 foi a que a esperança venceu o medo com a chegada do PT ao poder, a de 2006 foi que os benefícios do Bolsa Família superaram os impactos do escândalo do Mensalão, a de 2010 a que um presidente no auge elegeu pela primeira vez uma mulher presidente, a de 2014 a do estelionato eleitoral, a 2018 a da Lava Jato e a de 2022 a que se debateu a democracia no país.
Não é possível ainda antecipar qual será a marca da eleição de 2026, mas há sinais por aí dizendo o que ela pode vir a ser e eles dominam o noticiário desde o ano passado: os escândalos e investigações em curso no país.
São basicamente três: o caso Master, o INSS e o das emendas. Todos os três com amplo potencial de direcionar o humor do eleitor para um lado ou para o outro.
A começar pelo Master
Nunca a liquidação de um banco obteve tanta atenção do universo político e jurídico do país e nunca se teve tanto medo do que um material apreendido em celulares de executivos possa vir a causar.
O que permite concluir que a depender do que houver nele e do momento em que isso for revelado pode, sim, pautar diretamente a dinâmica eleitoral.
Dois simples exemplos para ficar nos dois campos políticos que se enfrentarão neste ano: o cunhado de Daniel Vorcaro doou recursos para a campanha de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas.
O ex-sócio de Daniel Vorcaro venceu uma licitação em 2018 na Bahia de Rui Costa e Jacques Wagner.
Ao INSS agora
A simples possibilidade ainda não confirmada de que o filho de Lula seja “o filho do rapaz” mencionado em mensagens pelo “Careca do INSS” por si só já dá artilharia para a oposição tentar levantar o tema da corrupção no debate eleitoral, pauta a que o PT até hoje nunca conseguiu enfrentar com tranquilidade.
Emendas parlamentares
O terceiro escândalo é o que tem as emendas parlamentares como elemento central. Se em 2025 fomos pautados pela guerra de Alexandre de Moraes contra o bolsonarismo, em 2026 seremos pautados pela guerra de Flavio Dino contra as emendas parlamentares. As contas nos bastidores apontam para mais de cem parlamentares como alvo principalmente de partidos do Centrão.
Além de poder impactar na reeleição desses alvos e as conexões políticas desses com as estruturas estaduais e nacionais das campanhas, é possível prever que o embate também possa tensionar ainda mais o ambiente político entre Legislativo e Judiciário.
Para além desses escândalos, deixaria ainda aqui outras duas candidatas a marca da eleição deste ano.
Uma é a forma como a segurança pública, hoje a maior preocupação do brasileiro segundo todas as pesquisas, será pautada e tratada durante a campanha. O governo Lula 3 tentou obter protagonismo maior no assunto, mas é histórica a dificuldade do petismo de fazer frente ao populismo penal da direita neste campo.
Outra é o racha da direita potencializando as chances de Lula partir para o seu quarto mandato. O assunto dominará certamente o primeiro semestre devido à possibilidade de governadores deixarem seus cargos em 4 de abril para poder se candidatarem ao Planalto e também devido ao prazo para as convenções em junho e registro das chapas em julho.
Mas pelo desenrolar dos fatos não há garantia de que ele não entrará também na própria campanha eleitoral dada a instabilidade e heterogeneidade deste campo político.
Em outras palavras, nada garante que um Tarcísio de Freitas candidato a presidente não será bombardeado pela família Bolsonaro durante a campanha.
Ou que um Flávio Bolsonaro candidato não será abandonado pelo Centrão durante a campanha. Os erros e desunião desse segmento político podem selar a vitória de Lula na urna. E, portanto, ser uma marca da eleição também (CNN Brasil, 25/1/26)

