27/04/2026

A munição de Lula e Flávio para atirar contra a família do adversário

A munição de Lula e Flávio para atirar contra a família do adversário

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula. Foto Wilton Junior Estadão

 

Por Francisco Leali

 

O presidente petista vai mirar no pai do senador que já se prepara para jogar Lulinha na fogueira da disputa de 2026

 

Os planos de ambos já parecem traçados. Enquanto o petista Luiz Inácio Lula da Silva tem indicado que sua principal bandeira de campanha será dizer que o País não pode voltar para mão de um Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro tenta parir um discurso de que é da mesma cepa do pai, mas numa versão melhorada.

 

O eleitor volta a ter que decidir em que canoa embarca. Se segue mais quatro anos com o PT na presidência da República para evitar que Bolsonaro, o filho, vista a faixa, ou se esquece da herança política do ex-presidente, fecha os olhos e acredita na promessa que Flávio fará tudo melhor e não cometerá os erros do Jair.

 

Lula poderia estar em situação melhor. De volta ao topo da política, o atual presidente enfrenta o desconforto de não estar bem nas pesquisas de intenção de voto. E ainda vê um neófito em disputas presidenciais e herdeiro do clã Bolsonaro emparelhado com ele.

 

A isenção de imposto de renda para quem ganha menos de R$ 5 mil poderia ser um trunfo político em qualquer disputa eleitoral. Por aqui, parece que ainda não está sendo.

 

Como parece que ainda não encontrou um mote novo para lançar aos eleitores em 2026, o petista quer reeditar o não deixemos os Bolsonaros comandar este País novamente. Para atacar o adversário, terá que mirar no pai dele.

 

No que deve dar um tom de guerra eleitoral entre famílias, o Silva terá que relembrar ao eleitor que no momento mais delicado da história recente do Brasil, nos anos da pandemia, um Bolsonaro sem rumo esqueceu que era presidente e preferiu brincar com a letalidade de um vírus.

 

Já os Bolsonaros ganharam de presente para a disputa eleitoral um novo capítulo para falar da família do presidente petista. Fábio Luís, o Lulinha, aproximou-se de um lobista/empresário acusado de fraudar o INSS e teve contas bancadas por ele. Seu nome vai para a fogueira eleitoral.

 

Ainda que não haja provas de que Lulinha se envolveu com os desvios, e nem mesmo a CPI encontrou provas disso, parece ter espalhado a versão de que o filho de Lula tirou proveito das benesses de um empresário sob suspeita.

 

Lula ainda poderá dizer que as fraudes na previdência só foram investigadas em seu governo. Mas isso é pouco para um contra-discurso eleitoral. Terá que usar de criatividade para conter os ataques que virão carregados com as imagens de Lulinha junto ao chamado Careca do INSS.

 

Um outro tema ainda pode brotar nas panfletagens eleitoreiras. As revelações do que pode estar contido na delação premiada de Daniel Vorcaro. O banqueiro teria muito a contar sobre suas ligações com ministros do Supremo Tribunal Federal e com parte dos parlamentares.

 

Se sua língua vai lançar veneno sobre o atual governo ou no anterior é coisa ainda incerta. E os dois comitês da campanha presidencial devem estar cruzando os dedos para que a munição quer vier seja só na direção do adversário (Estadão, 25/4/26)