25/02/2026

A república do rabo preso – Por Luiz Felipe D’Ávila

A república do rabo preso – Por Luiz Felipe D’Ávila

 Luiz Felipe D’Ávila. Foto Reprodução Facebook

Por Luiz Felipe D'Avila

 

A eleição de 2026 é um jogo de vida ou morte para a liberdade no Brasil. Se perdemos o jogo, seremos responsáveis pelo sepultamento da democracia no País

 

A degeneração moral, política e institucional após 20 anos de governos populistas transformou o Brasil na república do rabo preso. Nesse conluio de sem-vergonhas e oportunistas, há um escambo permanente de cargos, verbas, propinas, contratos, troca de favores e perversa cumplicidade em torno do apoderamento do dinheiro público, do uso do poder para fins privados e para chantagear aqueles que ameaçam colocar em risco os esquemas do submundo da política.

 

A roubalheira dos aposentados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o escândalo do Banco Master ilustram como a camorra do Estado se mobiliza para sepultá-los. Colocam sigilo em torno dos processos, sabotam a criação de uma comissão parlamentar de inquérito e recorrem a todos os meios para sumir com provas comprometedoras e invalidar as investigações.

 

Como há sempre alguém devendo favor a outrem, escândalos são abafados e processos são arquivados, mas, quando um sujeito metido à besta resolve abrir a boca e denunciar os malfeitos dos donos do poder, recorre-se à intimidação institucional e às decisões arbitrárias que violam os limites constitucionais e os fundamentos do Estado Democrático de Direito para calar e punir o incauto.

 

Esse espírito mafioso da república do rabo preso dinamitou a existência dos pesos e contrapesos institucionais, o respeito à Constituição e o senso de dever público que deveria balizar a conduta pessoal e moral daqueles que exercem cargos públicos.

 

O governo Lula é uma mistura vil de populismo, imoralidade e irresponsabilidade fiscal. O presidente será lembrado pela dilapidação institucional que apostou todas as fichas nas mesadas do Estado para conquistar votos e camuflar a sua incompetência atroz no combate ao crime organizado; pelo aumento colossal dos tributos para financiar rombos de estatais; pelo inchaço da máquina pública; e por gastos sigilosos da Presidência da República com viagens internacionais e cartão de crédito.

 

Mas a principal herança maldita do governo é sentida no bolso do brasileiro. A explosão da dívida pública produziu a maior taxa de juros real do mundo – que custa quase R$ 1 trilhão ao ano – e provocou um número recorde de inadimplência de pessoas e empresas no País.

 

O mau exemplo da Presidência contaminou as demais instituições. O Poder Judiciário deixou de ser o esteio da estabilidade institucional e se tornou o epicentro da insegurança jurídica. O voluntarismo pessoal e a abominável arbitrariedade de alguns juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) se sobrepõem à lei e à Constituição, como retratam os inquéritos abertos por tempo indeterminado e a falta de pudor para julgar casos nos quais o juiz é vítima, investigador e julgador.

 

A existência de quase 2 mil casos na Suprema Corte e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) conduzidos por parentes de ministros do STF é escandalosa e imoral. A farra das mordomias e penduricalhos, que permitem que juízes tenham rendimentos acima do teto constitucional, é um disparate para aqueles que deveriam zelar pelo cumprimento da lei e da Constituição.

 

A imoralidade no Congresso contribuiu para aumentar o rombo fiscal e os gastos permanentes do Estado. O acúmulo de projetos populistas aprovados pelo Parlamento gerou um aumento de mais de R$ 30 bilhões das despesas públicas, agravando a debilidade fiscal e jogando no ralo bilhões de reais com a distribuição de emendas parlamentares, sem nenhum critério de impacto, resultado e transparência do emprego dos recursos públicos.

 

A república do rabo preso se apoderou do Estado e trata-o como um feudo privado, atropelando os limites do Estado Democrático de Direito e usando as leis e as instituições como fachada para legitimar o mando pessoal e suas atitudes arbitrárias. Felizmente, ainda temos um extraordinário pelotão de cidadãos do bem que resistem ao avanço da república do rabo preso.

 

São políticos e juízes sérios, funcionários públicos exemplares, empresários, trabalhadores e cidadãos com espírito público que não se curvam aos sem-vergonhas e continuam empreendendo, trabalhando, julgando, governando e promovendo boas políticas públicas. É animador ver o heroísmo cotidiano desses brasileiros que, com seu exemplo de conduta, escolhas, ação e caráter, têm coragem para defender o que é certo, justo e verdadeiro no Brasil da sem-vergonhice.

 

Os brasileiros do bem não podem ficar sentados na arquibancada assistindo ao jogo das eleições de outubro próximo. A nossa missão é ajudar a criar o dream team da política para vencer o time do rabo preso. Não existe barreira para ingressar na política. Pode ser jovem ou velho, rico ou pobre, homem ou mulher; o único pré-requisito é ter uma boa história de vida, que retrate o caráter, os valores, a coragem e a coerência entre os discursos e os feitos da pessoa. Esse é o melhor escudo contra o aliciamento dos sem-vergonhas.

 

A eleição de 2026 é um jogo de vida ou morte para a liberdade no Brasil. Os aspirantes a Mussolini e Maduro já estão no aquecimento, prontos para entrar em campo. Se perdemos o jogo, seremos responsáveis pelo sepultamento da democracia no País (Estadão, 25/2/26)