Agronegócio segue vigoroso e gerando recorde de dólares
A cultura de soja deve estar entre as com maiores aumentos de produção. Foto Daniel Teixeira/Estadão
Por Rolf Kuntz
Na área de grãos, a produção da safra 2025/2026 está estimada em 360,8 milhões de toneladas, volume 2,4% maior que o do período anterior
Com exportações no valor de US$ 103,4 bilhões, o agronegócio gerou 47,3% da receita de vendas ao exterior nos sete primeiros meses do ano. Recorde histórico para o período, esse montante foi 6% maior do que o de janeiro a julho do ano anterior. O resultado foi um superávit de US$ 91,7 bilhões. Não se incluem nesse cálculo as compras de insumos, como as de fertilizantes (US$ 8,8 bilhões) e defensivos (US$ 2,7 bilhões).
Pelo valor gerado com as vendas externas nesse período, os cinco principais setores do agronegócio foram o complexo soja (US$ 42,1 bilhões), as carnes (US$ 20,5 bilhões), os produtos florestais (US$ 9,8 bilhões), o café (U$ 7,5 bilhões) e o complexo sucroalcooleiro (US$ 5,8 bilhões).
A China tem sido, há anos, o principal mercado importador de produtos do agronegócio brasileiro. As exportações, no entanto, têm sido dirigidas a todos os continentes, mesmo à Europa, uma área caracterizada por intenso protecionismo no comércio agropecuário. Nos primeiros sete meses deste ano, a China absorveu 35% das vendas brasileiras. O valor, US$ 36,2 bilhões, superou por 8,9% o de janeiro a julho de 2025.
O governo chinês iniciou recentemente uma política de fortalecimento da agropecuária e implantou um sistema de cotas a seus fornecedores. Apesar disso, governo e exportadores brasileiros mostraram otimismo quanto à preservação de uma importante presença no mercado da China.
Com perspectivas de negócios ainda robustos no mercado externo, a agropecuária brasileira segue em expansão. Na área de grãos, a produção da safra 2025/2026 está estimada em 360,8 milhões de toneladas, volume 2,4% maior que o do período anterior. A área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, deve ser 2,1% maior que a da última safra.
Os números são da pesquisa realizada no final de julho pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura. Os maiores aumentos de produção devem ser das culturas de soja, de milho, e de sorgo (Estadão, 26/8/26)

