24/02/2026

Alcolumbre e o Plano para Enterrar o Banco Master – Por Paula Sousa

Foto Reprodução Instagram

 

A política em Brasília está prestes a consolidar uma das maiores manobras de distração dos últimos tempos, e o preço dessa conta pode cair, injustamente, no colo da oposição. O que está em jogo nos corredores do Senado não é apenas uma votação técnica, mas uma tentativa deliberada de "limpar o rastro" de um escândalo bilionário envolvendo o Banco Master, usando como moeda de troca o destino de centenas de brasileiros presos pelo 8 de janeiro.

 

O alerta é urgente: existe uma armadilha montada. Se a direita não agir com firmeza agora, permitindo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dite o ritmo das cartas, a narrativa da esquerda sairá vitoriosa, e a verdade sobre o Banco Master será jogada para baixo do tapete.

 

O nó de Alcolumbre: Por que o medo da CPMI?

 

O país precisa se perguntar: por que Davi Alcolumbre está segurando a instalação da CPMI do Banco Master? A resposta pode estar na matemática dos fundos de previdência. O escândalo do Banco Master não é apenas uma questão financeira; é um buraco que atinge em cheio as economias de estados e municípios.

 

Enquanto o Rio de Janeiro amarga um rombo de R$ 1 bilhão em sua previdência, o Amapá — reduto político de Alcolumbre — enfrenta um impacto proporcionalmente devastador de R$ 500 milhões. Para um estado com economia menor, esse valor é uma bomba relógio.

 

Seria este o motivo do silêncio ensurdecedor do presidente do Senado? Se a CPMI for instalada, Alcolumbre sabe que o foco voltará para suas bases. No momento em que uma sessão conjunta do Congresso for convocada para derrubar vetos, o requerimento da CPMI deve ser lido automaticamente. É esse o "clique" que ele tenta evitar a todo custo.

 

A armadilha da "troca" e a narrativa da esquerda

 

A esquerda, capitaneada pelo governo e com o apoio de setores da cúpula do Judiciário, já traçou seu plano de comunicação. Eles querem vender a ideia de que a direita aceitou desistir da investigação do Banco Master em troca da aprovação do PL da Dosimetria.

 

Manchetes recentes da Folha de S. Paulo já sinalizam esse movimento, afirmando que a "Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor para Bolsonaro se a pressão por CPMI do Banco Master esfriar". Percebam a maldade da construção: eles tentam vincular a justiça para os presos do 8 de janeiro a um suposto "acordão" de impunidade bancária.

 

O site Brasil 247 reforça essa tática ao noticiar que "Alcolumbre cogita pautar PL da Dosimetria para evitar CPMI do Banco Master" e citar denúncias de um suposto "acordão imoral". É a mesma estratégia usada no passado com a falsa narrativa da "CPI da Lava Toga".

 

Naquela época, inventaram que o ex-presidente Bolsonaro barrou a investigação para salvar seu filho, Flávio Bolsonaro. Uma mentira repetida mil vezes que, mesmo sem provas, ainda engana muitos. Flávio nunca foi condenado, e se houvesse algo real, será que o sistema já não teria usado isso para destruí-lo?

 

A verdade sobre o PL da Dosimetria

 

É fundamental esclarecer: o PL da Dosimetria tem efeito praticamente nulo para Jair Bolsonaro. Ele é, no entanto, a única esperança de justiça imediata para centenas de pessoas que sofrem penas desproporcionais e cruéis. Estamos falando de cidadãos que picharam estátuas com batom e receberam condenações de 14 anos de prisão.

 

Derrubar o veto de Lula a esse projeto não é um "favor" ou uma "anistia golpista", como diz o deputado Lindberg Farias no Brasil 247; é restabelecer a lógica jurídica no país. A esquerda quer manter essas pessoas presas como reféns políticos, usando-as como moeda de troca para que a direita abra mão de investigar o Banco Master.

 

Por que a esquerda teme o Banco Master?

 

A narrativa oficial tenta empurrar o Banco Master para o colo da oposição, mas os fatos mostram o contrário. Quem está barrando a investigação? É a esquerda. Quem ocupa as cadeiras do governo que hoje protege os interesses em jogo? O PT.

 

O jornal O Globo destaca que "Parlamentares apertam o cerco para ouvir Vorcaro", dono do banco, evidenciando que a direita e a oposição estão, sim, pressionando pela verdade. O escândalo está apenas começando e, se a tampa do bueiro for aberta, as digitais do atual governo aparecerão em diversos contratos e movimentações suspeitas. Como aponta o Jornal de Brasília, "a maioria da Câmara e do Senado apoia abertura da CPMI". Se a maioria quer, por que apenas um homem, Davi Alcolumbre, consegue travar o processo?

 

O unico caminho: Fazer as duas coisas

 

A direita não pode, em hipótese alguma, aceitar a escolha entre "Justiça para o 8 de janeiro" ou "Investigação do Banco Master". Aceitar qualquer troca é cair na armadilha da esquerda e dar a eles um trunfo eleitoral para as próximas disputas. Eles dirão: "Vejam, a direita preferiu soltar seus amigos do que investigar a corrupção bancária".

 

O comando deve ser claro: Derrubada do veto do PL da Dosimetria E instalação imediata da CPMI do Banco Master.

 

Não existe alternativa. Qualquer recuo será interpretado como rabo preso. Se Alcolumbre continuar bloqueando o funcionamento do Congresso em benefício próprio ou para proteger aliados de esquerda, ele deve ser responsabilizado. A população precisa entender que a demora em pautar esses temas não é burocracia, é tática de sobrevivência de quem tem medo do que as investigações podem revelar.

 

O povo brasileiro exige transparência. O caso do Banco Master é o grande escândalo deste governo, e não permitiremos que ele seja trocado por migalhas jurídicas. A oposição precisa mostrar que não teme a verdade, de onde quer que ela venha. Se houver nomes da direita envolvidos, que paguem. Mas o que não se pode aceitar é o silenciamento de uma investigação que atinge o coração financeiro do sistema que hoje sustenta o poder em Brasília.

 

É hora de pressionar. É hora de exigir as duas votações. O silêncio é o combustível da impunidade. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 24/2/2026)