22/01/2026

Amplia desgaste do Resort Tayayá de Ribeirão Claro no Paraná

Amplia desgaste do Resort Tayayá de Ribeirão Claro no Paraná

Envolvido em suspeitas de crimes financeiros

 

Um advogado ligado diretamente aos irmãos Joesley e Wesley Batista assumiu o controle integral do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, que pertencia à família do ministro Dias Toffoli. Em apenas dois meses, Paulo Humberto Barbosa adquiriu todas as cotas do empreendimento que estavam nas mãos de dois irmãos e um primo do magistrado. O comprador é sócio do presidente da Friboi e atua em processos estratégicos dos donos da JBS.

 

A empresa com a razão social Paulo Humberto Barbosa Sociedade Individual de Advocacia, opera com o CNPJ 27.468.852/0001-64 (27468852000164) e foi fundada em 15/03/2017. Sua sede está localizada na Avenida Olinda, 960 – Park Lozandes, Goiânia – GO, 74.884-120.

 

Sua atividade principal é de Serviços advocatícios, de acordo com o código CNAE M-6911-7/01.

Com o bombardeio de notícias ruins, envolvendo pretensa corrupção, a tendência é que, construído na região conhecida como “Angra doce”, as hospedagens no resort tendam a diminuir.

 

Dias Toffoli chegou a receber uma homenagem da Câmara de Vereadores de Ribeirão Claro em janeiro de 2018 por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa ‘Tayayá Aquaparque Hotel e Resort’

 

O empreendimento estava registrado, até então, em nome de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, e do advogado Euclides Gava Junior. Em 10 de dezembro do ano passado, no entanto, os dois decidiram admitir no negócio a Maridt Participações S.A., aberta quatro meses antes pelos irmãos do ministro.

Os novos sócios, segundo a certidão que indica a alteração societária, fizeram um investimento de 370 mil reais, garantindo 33,33% do negócio. Admitida no quadro do Tayayá Aqua Resort, a Maridt tem como endereço registrado a casa de José Eugênio, situada no bairro Jardim Universitário, na mesma cidade. José Carlos, que ocupa o cargo de diretor-presidente da empresa, é padre desde 1983 e atua na Paróquia Sagrada Família de Marília.

 

O Complexo turístico, às margens da represa de Chavantes, foi lançado em 2008, com investimento inicial de 2,2 milhões de reais e hoje conta com nove pousadas, 66 chalés e 100 apartamentos, distribuídos numa área de 108 mil metros quadrados, com seis restaurantes e um parque aquático.

 

O terreno foi adquirido por Degani e Gava Jr em 2000, por apenas 40 mil reais. Segundo registro de cartório, a construção das unidades hoteleiras, que são negociadas no mercado na forma de cotas, teria custado 15 milhões de reais.

 

A força-tarefa Lava Jato em Curitiba chegou a avaliar o negócio. Os procuradores suspeitaram que o ministro do STF poderia ser sócio oculto do empreendimento do primo, mas isso nunca foi comprovado. 

 

Ouvido pela reportagem, da Crusoé, Dias Toffoli disse que “não comenta sobre a atuação de familiares ou terceiros” e “informa ainda que todos os seus investimentos são devidamente declarados à Receita Federal”.

A transação aconteceu por meio de um fundo gerido pela Reag, empresa citada nas investigações que envolvem o Banco Master. A situação gera um forte alerta ético, já que Toffoli é o relator de processos que envolvem o próprio Banco Master no Supremo. Além disso, o ministro foi o responsável por suspender a bilionária multa de 10 bilhões de reais que a empresa dos Batistas deveria pagar ao governo.

 

Embora não apareça nos papéis, Toffoli era visto frequentemente no local e chegou a viajar para o resort em um jatinho de um empresário investigado por ligações com o crime organizado. A JBS tentou se afastar do caso, afirmando que o advogado apenas prestou serviços em Goiás e que os donos da companhia não possuem qualquer relação com os negócios particulares de Barbosa ou com o hotel.

 

Segundo documentos da Junta Comercial do Paraná o fundo Arleen teria comprado metade da participação societária da empresa dos irmãos do ministro nas duas companhias do resort, participação avaliada em R$ 6,6 milhões. O fundo e a família Toffoli teriam permanecido como sócios até 2025.

 

Entre fevereiro e julho de 2025, os irmãos, o primo do ministro e o fundo de investimentos teriam se retirado da sociedade para vender suas participações ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que, segundo a reportagem, hoje aparece como único sócio e dono do empreendimento.

A apuração afirma que Dias Toffoli é relator, no STF, do inquérito ligado ao caso Master, que envolve também a Reag Investimentos, gestora dos fundos citados na transação. O ministro teria assumido a condução após aceitar um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para que o caso fosse analisado no Supremo.

 

Procurados, Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos e José Eugênio, a administração do resort e a Reag não se manifestaram. A apuração joga luz sobre um ponto sensível para a confiança pública nas instituições. Quando negócios privados, fundos sob investigação e relações empresariais se cruzam com a esfera de decisões no topo do Judiciário, a transparência e a pronta prestação de esclarecimentos passam a ser exigências básicas, sob pena de ampliar suspeitas e alimentar a percepção de conflitos de interesse (NPDiário, 17/1/26)



Ribeirão Claro comemora vitória histórica com evento especial

Promovido no fórum no centro da cidade

 

O promotor de Justiça da Comarca de Ribeirão Claro, Luiz Paulo Zanetti, resumiu durante seu discurso: “Nunca antes nosso município recebeu ao mesmo tempo tantas autoridades como hoje”.Ele se referia à presença das celebridades presentes na sexta-feira, dia 12, à noite no Fórum Dr. Manoel Ribeiro de Campos.


O governador Beto Richa participou da homenagem prestada ao ministro José Antônio Dias Toffoli, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

 

Eles receberam título de Cidadão Honorário, concedido pela Câmara de Vereadores de Ribeirão Claro, pelo destaque em suas áreas de atuação e o esforço na manutenção da 23º Zona Eleitoral, com sede no município. “Todos os paranaenses estão irmanados na concessão dos títulos de cidadão honorário, seja pelos méritos pessoais dos homenageados, seja pelo papel central que vem sendo cumprido pela Justiça neste momento importante da vida brasileira, no qual a harmonia entre os poderes jamais foi tão imprescindível”, salientou o governador.

Richa afirmou que o país vive um momento crucial em que a população cobra uma nova postura dos representantes políticos e que o ministro Dias Toffoli e o desembargador Xisto Pereira têm um papel fundamental a cumprir neste cenário.


A presidente da Câmara de Vereadores, Eliana Cortez da Silva, explicou que a homenagem aos magistrados foi validada pela comunidade. “Os homenageados tiveram participação fundamental para a manutenção do fórum eleitoral. Enquanto muitos outros fecharam, eles entenderam que a população de Ribeirão Claro seria muito prejudicada. E esse é o reconhecimento que todos nós oferecemos”, disse.

 

O governador mencionou a participação dos homenageados no processo de não fechamento de outras zonas eleitorais do Estado. “Cerca de 100 delas seriam extintas, 50% do total do Estado, e com a articulação dos magistrados apenas 15 foram fechadas”, disse.


O governador destacou a receptividade de Ribeirão Claro e o acolhimento da população. “Comecei minha vida política na região e sempre me surpreendendo com o calor humano da cidade. É uma honra dividir este momento”.

 

O reconhecimento do ato dos juristas foi consagrado também pela prefeitura. Durante o evento, o prefeito de Ribeirão Claro, Mário Augusto Pereira, assinou a lei que autoriza a construção da sede própria do fórum eleitoral na cidade.


Em seu discurso o ministro Toffoli agradeceu a honraria e garantiu a continuidade dos esforços para fortalecer a cidade. “Ribeirão Claro pode sempre contar com o apoio deste novo cidadão do município”. “É uma honra dividir o título de Cidadão Honorário com o ministro José Dias Toffoli, que tanto faz pela justiça brasileira”, sublinhou Xisto.

 

PRESENÇAS 

 

Também participaram da solenidade o Juiz Lourival Pedro Chemin, Juíza de direito da Comarca de Ribeirão Claro, Tatiana Monteiro Furtado de Mendonça; o presidente da Associação de Magistrados do Paraná, Frederico Mendes Júnior; o procurador de justiça Gilberto Giacoia; ; o presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Durval Amaral; o conselheiro do Tribunal de Contas Ivan Bonilha; os deputados estaduais Pedro Lupion e Luiz Cláudio Romanelli; o secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho; o presidente da Sanepar, Mounir Chaowiche, o presidente do IAP(Instituto Ambiental do Paraná), Tarcísio Mossato Pinto; a promotora Kele Cristiani Diogo Bahena; os prefeitos de Londrina, Marcelo Belinati, e Carlópolis, Hiroshi Kubo, o presidente da Subseção da OAB de Jacarezinho, Jaziel Godinho de Morais, o ex-presidente da OAB de Santo Antônio da Platina, Garcia Neto, o vice-prefeito ribeirão-clarense João Carlos Donato, a primeira-dama Ana Maria, vereadores, o ex-jogador do Atlético Paranaense e atual comentarista da RPC, Nivaldo Carneiro; o representante do deputado federal Alex Canziani, Gil Martins, e o ex-prefeito Kiko Molini.

 

FOTOS: MARTINHO DE PAULO/ESPECIAL PARA O NPDIARIO (NPDiário, 15/1/18)

 

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Toffoli usa helicóptero para frequentar resort que uniu família do ministro a Vorcaro

·         Atual dono do resort é advogado da JBS; Toffoli não respondeu

·         Irmão José Carlos Toffoli, que é padre, reza missas no local em datas festivas

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, continuam a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha.

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à casa que mantém numa área próxima ao resort.

Entre funcionários e ex-trabalhadores do resort Tayayá, o ministro Toffoli e sua família ainda são citados como os donos do empreendimento, junto a Paulo Humberto Barbosa, advogado que atua para a JBS, dos irmão Batista.

A Folha mostrou que duas empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio um fundo de investimento conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados. Depois, o controle passou para Barbosa.

A reportagem ficou hospedada no resort por duas noites e conversou, sob condição de anonimato, com cinco funcionários, uma ex-funcionária, moradores de Ribeirão Claro (PR) onde está localizado o empreendimento, além de dois hóspedes frequentes do hotel.

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Toffoli é um frequentador regular do resort Tayayá, de acordo com relatos, usando um helicóptero como meio de transporte. O ministro foi observado no local pela última vez no Ano-Novo. Um funcionário disse que, na ocasião, ele foi visto caminhando pelo resort.

Quando está lá, Toffoli fica em uma casa localizada em uma parte mais reservada do Tayayá, em um local chamado Ecoview, uma vila de 18 casas no alto de um morro. O acesso mais recomendado é por carro ou com a van do hotel. O heliponto fica a poucos metros da casa de Toffoli, o que limita a sua exposição pública.

O resort fica às margens do lago de uma represa por onde passa o rio Itararé, e o ministro usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, é quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma casa no resort.

O ministro Toffoli foi procurado e não retornou o pedido de entrevista.

O resort Tayayá funciona no modelo de multipropriedades. Cada apartamento, flat, chalé ou casa é dividido entre cotistas, que se revezam para frequentar o local.

Cada casa do Ecoview é dividida entre 13 cotistas, e cada cota vale pouco mais de R$ 750 mil. As residências seguem um mesmo padrão: possuem três suítes, sala, cozinha e uma varanda com piscina. A maior parte das casas possui vista para a represa.

Um outro irmão, José Carlos Toffoli, que é padre, reza missas no local em datas festivas.

Em entrevista à Folha em sua casa no Ecoview, Paulo Humberto Barbosa disse que é o único proprietário do resort. Ele afirma que conheceu o local no fim de 2024 e desde então foi adquirindo participações no empreendimento até se tornar dono.

"Quando eu conheci aqui, foi em dezembro de 2024. As finanças [do resort] estavam abarrotadas, eles não tinham dinheiro para fazer novos investimentos, não tinha como crescer. Os funcionários ficavam todos sem saber quando iriam ser mandados embora, estava em decadência", afirmou.

"Eu tenho grandes amigos de Londrina [PR] que são investidores aqui. Então eu vim para conhecer o complexo. Tentei comprar uma parte, não consegui. Depois fui negociando até que eu consegui comprar a participação", completou.

Barbosa conta que encontrou Toffoli pelo resort no Ano-Novo, mas afirma não ter contato com o ministro.

Ele também diz não ter relação com o fundo de investimentos Arleen nem com o caso Master.

"Eu não tenho nada com o Master. Eu não conheço ninguém de Master, eu não conheço nada. Eu nunca, na minha vida, investi em nada. Acho que a única vez que eu investi em alguma coisa, e que eu me arrependi, foi em um consórcio", disse à reportagem.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como mostrou a Folha, os irmãos de Toffoli José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli dividiram o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

As cotas do Arleen eram de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

Zettel foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) enquanto tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A defesa dele não quis se pronunciar.

Os irmãos de Toffoli não responderam aos questionamentos da reportagem.

Atual proprietário do resort, Paulo Humberto Barbosa, que entrou no negócio em fevereiro de 2025, comprou a participação que era da Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Na época, o negócio foi estimado em R$ 3,5 milhões.

O primo do ministro do Supremo Mario Umberto Degani seguiu no negócio até setembro de 2025, quando também vendeu a sua parte para Paulo Humberto Barbosa. Hoje, Barbosa aparece como o dono único do Tayayá. Ele é advogado da JBS em Goiânia.

Barbosa afirma que pretende construir um novo prédio com mais 300 apartamentos e um condomínio reservado, na parte lateral do resort, com lançamento previsto para março, segundo ele.

Ele também fez um investimento de R$ 1,3 milhão para construir salas de bilhar e poker. Barbosa afirma que pretende expandir o entretenimento adulto no resort. Para entrar nesses ambientes, o hóspede terá de ter mais de 18 anos, segundo ele.

Atualmente, o Tayayá possui um minicassino, que funciona à noite, operado pela Apostou, empresa privada de loterias. A Apostou é um dos sites de apostas esportivas que atuam de modo regulamentado no Paraná e podem operar no território estadual. De acordo com a empresa, os produtos são auditados pela Lottopar (Folha, 22/1/26)



Toffoli foi homenageado por cidade de resort em que se hospeda e usou avião da FAB em visita

Aeronave da FAB. Reprodução @fab_oficial no X

·         Ministro tem histórico de relação próxima a cidade de Ribeirão Claro, no Paraná

·         Em 2017, o ministro recebeu da Câmara Municipal o título de cidadão honorário

 

O ministro Dias Toffoli tem uma relação intensa com a cidade de Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, que era de seus irmãos e onde ele ainda se hospeda.

Em 2017, ele recebeu da Câmara Municipal o título de cidadão honorário, por ter ajudado na instalação do resort na cidade.

Dois anos depois, em 2019, conforme noticiou a Folha, ele usou jato da FAB para comparecer à inauguração do fórum eleitoral de Ribeirão Claro, que ganhou o nome de Luiz Toffoli, seu pai. Na época, hospedou-se no resort da família.

Como mostrou a Folha, o ministro do STF e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, continuam a frequentar o resort Tayayá mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa.

A Folha mostrou que duas empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio um fundo de investimento conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados. Depois, o controle passou para Barbosa (Folha, 22/1/26)

Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort: ‘Sócio? Olha minha casa’

Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná por R$ 3 milhões

A Maridt Participações, empresa dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que chegou a ter um terço de participação no resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, tem como sede uma casa de 130 metros quadrados no bairro Jardim Universitário, em Marília, interior de São Paulo.

O local é a residência de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro que aparece como diretor-presidente da empresa. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.

Estadão foi até o endereço, obtido na Junta Comercial de São Paulo, e encontrou Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Questionada pela reportagem, ela disse que nunca soube que sua casa foi a sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

Casa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão de ministro do STF, em Marília é a sede da empresa Maridt, que vendeu participação em resort a fundo de cunhado de Vorcaro por R$ 3 milhões. Foto: Taba Benedicto/Estadão

José Eugênio, que é engenheiro eletricista, estava viajando a trabalho, segundo ela. O Estadão o procurou por mensagem, mas ele não respondeu até a publicação desta reportagem. O ministro Dias Toffoli não se manifestou.

“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse Cássia ao ser questionada sobre a participação do marido na Maridt e da empresa no resort de luxo.

Como revelou o Estadão, em 2021, os irmãos Toffoli venderam metade da participação que tinham no resort, de R$ 6,6 milhões, para um fundo do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dias Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que também investiga a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação.

Dias Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o caso subisse para o STF.

“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou.

Cunhada de Toffoli nega que sua casa seja sede de empresa que vendeu participação em resort de luxo. Foto Taba Benedicto  Estadão

Ao ser questionada se o marido já havia comentado algo sobre o Tayayá Resort, a cunhada de Dias Toffoli respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.

A casa em que ela atendeu à reportagem foi comprada por R$ 27 mil em 1998 e financiada pela Caixa Econômica Federal. Corrigido pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), comumente usado no mercado imobiliário, o valor atual é de R$ 276 mil.

“Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, disse Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos.”

A Maridt é uma sociedade anônima, o que significa que seu quadro societário é sigiloso na Junta Comercial. Porém, o e-mail associado ao registro Maridt remete às iniciais de José Eugênio:“jedtoffoli”. Além disso, documentos da Junta Comercial mostram que ele assina como presidente na venda de parte das cotas que a empresa detinha na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, donas do resort e que também tiveram como sócio Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.

As vendas das participações da companhia na Tayayá Administração e na DGEP se deram, respectivamente, por R$ 2,8 milhões e R$ 698 mil, em fevereiro de 2025, marcando a saída completa da Maridt das empresas do resort. Nas duas operações, a compradora foi a PHB Holding, pertencente ao advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa - que já advogou para a JBS em causas tributárias.

A operação com o cunhado de Vorcaro

Em 2021, como revelou o Estadão, a Maridt já havia vendido fatias nas duas empresas do resort. Na época, o comprador foi o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e que pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões nas duas empresas dos familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela Polícia Federal.

Atualmente, nem o Arleen nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O fundo, o primo e os irmãos do ministro cederam suas cotas para Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas do resort. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro Dias Toffoli ainda frequenta o Tayayá.

Padre irmão de Toffoli: ‘Até logo, passar bem’

Além de José Eugênio, José Carlos, outro irmão do ministro, também já apareceu em documentos oficiais como presidente da Maridt. Ele é cônego da Diocese de Marília, mas, desde que a ligação com o Tayayá veio a público, em 2021, ele foi afastado da paróquia pela qual era responsável.

 Padre irmão de Toffoli reside na chácara Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia, em Marília-sócios da empresa Maridt, que vendeu parte de resort de luxo a cunhado de Vorcar  Foto Taba Benedicto  Estadão

Padre irmão de Toffoli reside na chácara Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia, em Marília (SP). Ele foi um dos sócios da empresa Maridt, que venceu parte de resort de luxo a cunhado de Vorcaro Foto: Taba Benedicto/ Estadão

Estadão também foi até a residência do padre, uma chácara chamada Recanto Quatro, no condomínio Estância Uberlândia.

“Até logo, passar bem”, disse pelo interfone após a reportagem se identificar. O local conta com um pequeno campo de futebol, uma rede de vôlei e um deck externo à casa.

No caminho para se chegar ao condomínio está a Avenida Luiz Toffoli, batizada com o nome do pai do ministro do STF (Estadão, 22/1/26)