02/03/2026

Ataques ao Irã levantam temor sobre impacto no comércio do agro brasileiro

Ataques ao Irã levantam temor sobre impacto no comércio do agro brasileiro

Embarque de milho em São Francisco do Sul (SC); Irã é o principal destino do cereal exportado pelo Brasil — Foto TESC Agribrasil

 

Os ataques de Estados Unidos e de Israel ao Irã neste sábado (28) acendem o alerta sobre eventuais impactos do conflito no comércio do agronegócio brasileiro com o país persa. Uma das razões é que entraves logísticos, em decorrência de uma escalada das tensões na região, poderiam afetar o fluxo comercial.

 

No ano passado, o Brasil exportou quase US$ 3 bilhões em produtos agrícolas ao Irã, com destaque principalmente para o milho. Já o Irã é um importante fornecedor de ureia, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados, para o mercado brasileiro.

 

Dados do Ministério da Agricultura mostram que Teerã foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025. Foram 9 milhões de toneladas, volume que representa cerca de 23% do total de milho exportado pelo Brasil no ano passado. O cereal importado pelo país do Oriente Médio abastece a indústria nacional de produção de frangos, a quarta maior do continente asiático.

 

O Irã é o 11º principal destino dos produtos agropecuários do Brasil. Do outro lado, os produtos do agro que o Brasil importa do país do Oriente Médio são principalmente ureia, além de pistache, uvas secas e outras frutas.

 

Segundo dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as importações de produtos agrícolas do Irã somaram US$ 84,5 milhões em 2025. Somente a ureia respondeu por US$ 66,8 milhões do total importado, com um volume de aproximadamente 184,7 mil toneladas.

 

Em entrevista em janeiro deste ano, Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, observou que o Irã é um dos maiores exportadores globais de ureia, de modo que qualquer tensão no Oriente Médio gera temor sobre a oferta global de nitrogenados.

 

Ele disse, na ocasião, que o cenário geopolítico deixa clara a necessidade de o Brasil reduzir a dependência dos fertilizantes importados. Os maiores fornecedores de ureia ao Brasil, em 2025, foram Nigéria, Omã e Catar (Globo Rural, 28/2/26)