Bradesco tem alta no lucro com expansão do crédito e de seguros
- Resultado veio em linha com o esperado pelo mercado; rentabilidade cresceu para 16,2%
- CEO afirma que banco vai seguir com apetite ao risco moderado, dado o cenário macroeconômico
Em meio a um cenário de juros e comprometimento de renda altos, o Bradesco conseguiu expandir sua carteira de crédito e ampliar o lucro no segundo trimestre deste ano, focando linhas de empréstimos com garantia. Apenas no consignado CLT, o crescimento foi de 90% no ano.
O banco teve um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no período, alta de 16,2% em comparação com o segundo trimestre de 2025. Em relação ao início deste ano, o resultado foi 3,5% maior.
O número veio em linha com a expectativa do mercado. Analistas consultados pela Bloomberg previam lucro de R$ 6,997 bilhões, na média.
"Fizemos boa gestão de risco e aproveitamos oportunidades para fazer bons negócios. Continuamos próximos aos nossos clientes", afirmou Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, na divulgação do balanço.
"Trabalhamos para aumentar nossa competitividade no curto e no longo prazo e isso vem se mostrando verdadeiro, tanto do lado das receitas, quanto das despesas bem controladas", completou o executivo.
De acordo com o Bradesco, o desempenho reflete a diversificação de receitas, com peso relevante de alta renda, consórcios e seguros; o processo de transformação do banco, com investimento em tecnologia e redução de agências físicas; e a originação de crédito priorizando linhas com garantia.
A carteira de crédito total do banco teve um ganho de 11,6% no ano e de 4,3% no trimestre, indo a R$ 1,137 trilhão. O crescimento mais expressivo foi nas linhas para micro, pequenas e médias empresas que somaram R$ 267,5 bilhões, alta anual de 16,1%.
Já o índice de inadimplência, considerando atrasos superiores a 90 dias, ficou em 4,3%, aumento de 0,1 ponto percentual na comparação trimestral e de 0,2 ponto percentual na anual.
A piora também foi puxada pelo segmento de micro, pequenas e médias empresas, cujo atraso atingiu 4,4% desta carteira, alta de 0,4 ponto percentual no trimestre e de 0,1 ponto percentual no ano.
O saldo de provisão para perdas esperadas somou R$ 59,3 bilhões, alta anual de 2%.
O ROAE (retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido médio anualizado), indicador de rentabilidade do banco, subiu para 16,2%, ante 15,8% em março.
Já o braço de seguros do Bradesco teve um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 28,3% no ano, com ROAE de 22,8%. As receitas de prêmios, contribuições de Previdência e receitas de capitalização atingiram R$ 19,691 bilhões, representando uma alta de 8,8% no ano.
O Bradesco tenta recuperar a sua forma do pré-pandemia, quando o ROAE era superior a 20%, com um novo presidente desde novembro de 2023.
"Em cenário de guerra e às vésperas de eleições, seguiremos com moderação em nosso apetite ao risco. Nossas despesas operacionais estão controladas e continuamos a ganhar eficiência", afirmou Noronha.
Além de mudanças estruturais internas, com troca de diretoria, a instituição está remodelando seus produtos, com maior foco em produtos mais rentáveis e menos arriscados. Este é o 10º trimestre de crescimento no lucro.
Em cartão de crédito, por exemplo, a alta anual da alta renda foi de 18,9% ante 5,3% dos clientes de média e baixa renda. No total desta carteira de R$ 84,4 bilhões, a fatia de alta renda tem aumentado neste último ano, atingindo 42,2% em junho.
"Continuaremos a combinar pontos físicos e atendimento digital. A força da nossa rede é diferencial a favor do Bradesco. O uso de mais tecnologia, em particular a lA, está alavancando a relação com os clientes e os negócios. Esse é o caminho", acrescentou Noronha.
Na semana passada, o banco aprovou uma capitalização de até R$ 10 bilhões via emissão de novas ações em Bolsa, com compromisso de subscrição de até R$ 8 bilhões pelos acionistas controladores.
Após o anúncio, o mercado ficou em dúvida se a operação é uma oportunidade de negócio ou um colchão para amortecer a piora no balanço.
Segundo o banco, a medida possibilitará a sustentação de investimentos em tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios. Ou seja, um caixa mais robusto daria fôlego para a instituição acelerar o processo de transformação sob a gestão Noronha.
RAIO-X | BRADESCO
- Fundação: 1943, em Marília (SP)
- Lucro líquido no 2º trimestre de 2026: R$ 7,1 bilhões
- Agências bancárias: 1.844
- Funcionários: 79,7 mil
- Clientes: 74,1 milhões
- Principais concorrentes: Banco do Brasil, Itaú, Santander e Nubank (Folha, 6/8/26)

