Café: Onde está a demanda? – Por Marcelo Fraga Moreira
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O vencimento set-26 praticamente expirou e chegou a negociar na máxima da semana @ 370,20 centavos de dólar por libra-peso (máxima histórica do contrato). Com o vendido ainda precisando cobrir/zerar posição para não correr o risco em ter que entregar um produto que ele não possue a ordem nas mesas tem sido “liquidem a posição a mercado.” Ainda existem aproximadamente 450 lotes em aberto (127.800 sacas) que precisam ser “roladas”/liquidadas nos próximos dias.
O próximo vencimento dez-26 encerrou @ 322,65 centavos de dólar por libra-peso. O dez-26 chegou a trabalhar com uma amplitude de +3.830 pontos (fechamento anterior / mínima / máxima / nova mínima / fechamento atual respectivamente @ 314,30 / 313,70 / 337,15* / 321,70 / 322,54 centavos de dólar por libra-peso).
Por outro lado, Londres set-26 chegou a trabalhar na máxima da semana @ 3.771 US$/tonelada e encerrou @ 3.598 US$/tonelada – caindo -4,59%! Notar que em Londres apenas o próximo vencimento nov-26 encerrou a semana acima dos 3.600 US$/tonelada (@ 3.618 US$/tonelada) e todos os demais vencimentos a partir do março-27 abaixo dos 3.600 US$/tonelada.
Por enquanto as notícias vindas do Vietnam e da Indonésia seguem positivas para a próxima safra 26/27 - com previsão para iniciar a colheita já a partir do próximo mês de out-26. Ou seja, em breve o Brasil voltará a sofrer concorrência das outras origens disputando mercado conquistado pelo Brasil nos últimos anos.
As exportações brasileiras nesse início da safra 26/27 começaram bem devagar. Em julho-26 o Brasil exportou apenas 3,03 milhões de sacas x 3,78 milhões de sacas em julho-24 (em julho-25 o Brasil exportou apenas 2,78 milhões de sacas pois tivemos a quebra na safra 25/26).
Agora para o mês de agosto-26 novamente a exportação deverá ficar entre 2,65-2,80 milhões de sacas (segundo nossa projeção com base nos dados das emissões já emitidas até agora divulgados pela Cecafé até o último dia 21 de agosto). Lembrando que em agosto-25 o Brasil exportou 3,17 milhões de sacas e em agosto-24 o Brasil exportou 3,81 milhões de sacas.
Ora, onde está então a demanda, o “desespero” do comprador, e/ou o aumento no consumo externo demandando / exigindo o café brasileiro no curto prazo?
O consenso geral no mercado é que a safra brasileira 26/27 foi “grande” (discussão continua sendo se o Brasil produziu 60-65-70-75 milhões de sacas). Como esse número ninguém sabe só teremos condições de estimar daqui 8-12 meses quando tivermos as próximas exportações mensais fechadas.
Mas também o consenso é que tivemos sim problemas na qualidade -tanto do grão / peneira quanto na qualidade da bebida. E o mercado já sinaliza um preço melhor para café peneira 17/18.
No curto prazo, com essa puxada nos preços em NY no set-26, o mercado interno ainda chegou a negociar café arábica tipo 6 peneira 17/18 ainda acima dos 2.000 R$/saca.
Porém nos demais vencimentos dez-26 – dez-27 o mercado interno segue negociando café arábica tipo 6 peneira 17/18 para o segundo semestre ao redor dos 1.850 R$/saca. E para as próximas safras 27/28 e 28/29 para entrega nos meses set-27 e set-28 o mercado voltou a negociar próximo dos 1.700-1.750 R$/saca. Essa liquidação em R$/saca ainda representa uma venda acima dos 300 US$/saca.
Já o café conilon continua brigando para se manter acima dos 1.050 R$/saca (tanto mercado spot quanto para negocias para entrega nas safras 27/28 e 28/29) brigando para não perder a equivalência nos 190 US$/saca.
O produtor continua preocupado com o risco da próxima safra 27/28. Se vamos ter o El-Nino ou não. Se a próxima florada irá vingar ou não. Se vamos enfrentar seca nos próximos meses ou não. Ainda tem muita coisa para acontecer entre o “hoje” a o início da próxima colheita – tanto no conilon quanto no arábica. E o produtor prudente, continua aguardando para assumir novos compromissos.
Porém, por enquanto, o que temos são algumas sinalizações importantes: a florada no café conilon foi boa; a safra do Vietnam e Indonésia estão promissoras; o Brasil acabou de colher uma safra grande - e por enquanto os embarques brasileiros estão “atrasados” deixando cada vez mais café disponível tanto para abastecer o mercado interno quanto para – em algum momento – ser utilizado para atender a demanda externa.
Do lado fundamental continuo com a visão que nada mudou. Não vejo falta de café durante os próximos 6-10 meses – salvo algum evento climático vier a estragar as próximas safras do Vietnam, Indonésia, América Central, África e/ou Brasil.
O consenso também é que nessa safra 26/27 o mundo terá novamente um superavit entre produção e consumo acima dos 10 milhões de sacas e o estoque de passagem da safra 26/27 para a próxima safra 27/28 deverá ficar acima dos 26 milhões de sacas.
No curto prazo creio que os fundos + especuladores fizeram o trabalho deles puxando o mercado dos 260 para os 370 centavos de dólar por libra-peso. Essa puxada – novamente – voltou a estimular o produtor a continuar expandindo em novas áreas e em novos investimentos. Creio que ainda veremos novas áreas entrando em produção nos próximos 2-3 anos.
E o Brasil - em breve - se tornando o maior produtor mundial – superando até mesmo o Vietnam na produção do café conilon. Nos próximos 2-3 anos, se o clima ajudar, creio que o Brasil estará produzindo acima dos 80 milhões de sacas (28-32 milhões de conilon e 50-55 milhões de arábica).
Com toda essa volatilidade e incertezas creio que o produtor, como sempre, precisa se proteger contra novas correções, novas quedas nos preços.
Creio que nesse momento, para as próximas safras 27/28 e 28/28 o produtor poderia realizar algumas vendas em R$ (ainda acima dos 1.700 R$/saca no café arábica e acima dos 1.050 R$/saca no café conilon) e uma parte em US$/saca. As eleições estão chegando e o risco cambial / fiscal internos poderão levar o R$ novamente para os 6-6.50 R$/US$ ou para baixo dos 5,00 R$/US$ - dependendo do resultado.
Mas novamente, ficar apenas “olhando e torcendo” por preços melhores é um risco direcional que precisa / deveria ser mitigado.
No curto prazo o vencimento NY dez-26 encontra resistência nos 347 centavos de dólar por libra-peso e suportes importantes @ 317 / 297 / 291 / 279 e 260 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres o vencimento nov-26 encontra resistência @ 3.760 e 3.90 US$/tonelada e suportes @ 3.594 / 3.450 e 3.100 US$/tonelada.
Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge. Tendo interesse entre em contato conosco.
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(Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting; 22/8/26)

