16/02/2026

Careca do INSS vai delatar e Lulinha será alvo – Por Paula Sousa

Careca do INSS vai delatar e Lulinha será alvo – Por Paula Sousa

Lulinha e o “Careca do INSS”. Foto Reprodução Blog Revista Oeste

 

O "Careca do INSS" resolveu que não quer mais ser o único a brilhar na foto de presidiário. Antônio Carlos Camilo Antunes, o homem que ganhou o apelido simpático enquanto supostamente operava um duto bilionário nas veias dos aposentados, cansou do silêncio das grades e decidiu soltar o gogó.

 

De acordo com o Portal Metrópoles, o homem está com a caneta na mão para assinar uma delação premiada que promete ser o hit do verão eleitoral. O motivo do surto de sinceridade? A família. Quando a Polícia Federal bateu à porta do filho dele, Romeu, e começou a rondar sua esposa, Tânia, o Careca percebeu que a lealdade no mundo do poder é igual a promessa de político em palanque: some na primeira chuva.

 

O filho do rapaz e a mesada real

 

O que faz o Palácio do Planalto tremer não é o Careca em si, mas as companhias que ele guardava na agenda. Segundo as apurações que circulam nos corredores do Metrópoles, o Careca está pronto para detalhar seus negócios com o "filho do rapaz" — sim, o próprio Lulinha.

 

O cardápio de acusações é variado: lobby pesado na saúde e educação, e uma pitada de canabidiol. Dizem que o filho do presidente teria recebido a bagatela de R$ 25 milhões, além de uma "ajuda de custo" (a famosa mesada) de R$ 300 mil mensais. Um valor razoável para quem, segundo as más línguas, vive hoje o "sonho espanhol" em Madri, esperando a poeira baixar — ou o visto expirar.

 

A arte de olhar nos olhos (e não ver nada)

 

O pai, claro, jura que é o maior entusiasta da investigação. "Olhei no olho do meu filho", diz o patriarca, com aquela solenidade de quem está prestes a canonizar o filho. Na prática, enquanto o discurso prega a punição, a base do governo no Congresso — com as ordens de Gleisi Hoffmann — faz um esforço imenso para garantir que o Lulinha não tenha que trocar o sol da Espanha pelo ar-condicionado de uma CPMI. É a clássica tática do "investigue-se tudo, desde que não chegue em casa".

 

A cortina de fumaça de bilhões

 

Mas como esconder um elefante branco (ou um esquema bilionário de INSS) no meio da sala? Simples: jogando um rinoceronte pela janela. É aqui que entra o Banco Master.

 

De repente, a ordem do dia não é mais o dinheiro surrupiado do vovô e da vovó, mas sim as entranhas do sistema financeiro e a cabeça de Dias Toffoli. É uma jogada de mestre: ao focar no escândalo do Master, o governo queima o STF por tabela e mantém a militância ocupada discutindo a moralidade da toga, enquanto o Careca do INSS tenta se lembrar de quantos zeros tinham os cheques entregues ao núcleo político.

 

É o jogo da "atenção seletiva". Se o povo estiver gritando contra o banco e os juízes, talvez ninguém perceba que o filho do presidente era, supostamente, o guia turístico oficial de lobistas dentro dos ministérios.

 

O maestro do xadrez

 

O problema é que o relator desse balaio de gatos é ninguém menos que André Mendonça. O ministro herdou tanto o caso do INSS quanto o do Banco Master. Ele agora segura o fósforo e o balde de água. Se ele aceitar a delação do Careca, o "cantor" de Brasília pode transformar o ano eleitoral do PT em um funeral político precoce.

 

O governo tenta desesperadamente manter o foco no Master, tratando o caso do INSS como se fosse um detalhe irrelevante de rodapé. Mas convenhamos, é difícil ignorar um esquema onde o operador reclama que "pagou e não levou" a proteção prometida. O Careca está magoado, e não há nada mais perigoso para um governo do que um operador com saudades da família e acesso a um cartório de delações.

 

Lula pode até tentar mudar o canal da TV nacional para o drama do STF, mas o público sabe que, no fundo, o que realmente dói no bolso é o desconto indevido na aposentadoria. E se o Careca cantar o que promete, nem todo o ouro de Madri ou as manobras de Brasília conseguirão abafar o som da verdade batendo à porta do Alvorada. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 16/2/2026)