Cigarrinha provoca perda de R$ 36 bi por ano na cultura do milho
Foto Divulgação CNA
- Inseto reduz produção nacional em 31,8 milhões de toneladas, afirma estudo
- Prevenção é cada vez mais desafiadora e gera gastos de até R$ 1 bilhão
Por Mauro Zafalon
A cigarrinha-do-milho, uma praga que avança pelas plantações de milho do país, provoca uma perda de 31,8 milhões de toneladas do cereal por ano, 27% da produção nacional. Os prejuízos financeiros atingiram R$ 142 bilhões na soma das safras de 2020/21 a 2023/24, uma média de R$ 36 bilhões por ano.
Os números fazem parte de um estudo feito por pesquisadores da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina).
O estudo foi publicado pela revista inglesa Crop Protection e traz os dados de perda em dólares (US$ 25,8 bilhões nas quatro safras em questão). A conversão para o real foi feita pela Folha com valor médio de R$ 5,50 para a moeda americana.
Além da perda financeira e do volume de produção, este provocado pela redução de produtividade que, em alguns casos, chega a 100% do potencial da planta, os gastos dos produtores aumentam anualmente com o combate à praga. Segundo o estudo das três entidades, em 79,4% dos 34 municípios investigados houve impacto relevante da praga na redução da produtividade. Para reduzir as perdas, os agricultores tiveram de investir mais no combate do inseto. A conta fica salgada.
Pelos dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o plantio médio anual de milho foi de 21,2 milhões de hectares, considerando as safras de 2020/21 a 2023/24. O estudo aponta gastos de US$ 9 por hectare para combater o inseto, uma evolução de 19% nas quatro safras do período. Considerando a área total semeada, o custo médio por hectare para o combate à praga e um dólar médio de R$ 5,50, os gastos dos produtores podem chegar a até R$ 1,05 bilhão por ano, conforme cálculos da Folha.
Segundo o produtor paranaense Baltazar Ruivo, os gastos aumentam porque o controle começa logo cedo, e deve ser preventivo. Se ele não for feito, a cigarrinha injeta uma toxina na planta, e os efeitos vão aparecer depois, derrubando a produtividade das espigas. Além disso, se uma lavoura ficar sem esse controle, a praga se espalha rapidamente para a dos vizinhos.
"O controle tem de ser mais cuidadoso até o V8", diz o produtor. O V8 (Vegetative 8) é quando a planta atinge oito folhas em seu estágio vegetativo. É uma fase importante no desenvolvimento da lavoura, diz ele.
Os pesquisadores que elaboraram o estudo chegaram aos dados de perda de renda e de custos no combate à cigarrinha com base nos levantamentos do projeto Campo Futuro da CNA. O projeto, em parceria com universidades e centros de pesquisa, levanta custos de diferentes atividades agropecuárias em várias regiões do país.
Segundo Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, a cigarrinha passou a ser um dos problemas constantes da produção de milho, e o combate é cada vez mais desafiador. O Brasil tem três safras de milho por ano, a produção cresce e a praga encontra uma ponte verde durante todo o ano. Ao contrário da soja, que tem um período de vazio sanitário, quando não é permitido o cultivo da oleaginosa, o milho tem uma diversificação grande de usos e de períodos de cultivo.
Pereira diz que o produtor deve ficar atento ao manejo integrado de pragas, uma vez que, quando a cigarrinha se instala, o controle fica muito difícil. O monitoramento tem de ser contínuo. Segundo o produtor paranaense, a ação preventiva é importante, e o uso de produtos biológicos já é uma constante e traz efeito. Em muitos casos, no entanto, há a necessidade do inseticida químico.
Segundo a Embrapa, a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto sugador e, quando adulto, apresenta coloração amarelo-palha e asas transparentes, medindo de 3,7 mm a 4,3 mm (Folha, 30/1/26)

