Clima ajuda, e PIB da agropecuária acumula alta de 11,7% em 2025
Foto Reprodução Blog Forbes
- Além das lavouras, pecuária teve comportamento importante na evolução do índice
- Após evolução de 29% desde 2020, desempenho do setor será mais fraco em 2026
O clima ajudou, e o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 11,7% no ano passado. Essa taxa vem após uma queda de 3,7% em 2024, quando a estimativa de safra foi frustrada devido a efeitos climáticos. Para este ano, previsões menores de safra agrícola e da produção da pecuária não garantem boa evolução como a de 2025. Além disso, o prolongamento e a extensão da guerra do Irã pelos países do Oriente Médio podem afetar as exportações e a produção brasileiras.
Conforme acompanhamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a agropecuária acumula uma evolução de 29,1% no PIB do setor desde 2020. No mesmo período, o PIB geral teve alta de 14,1%. Produções recordes, tanto na agricultura como na pecuária, impulsionaram a taxa do setor.
A produção de grãos de 2024, projetada inicialmente em 308 milhões de toneladas, ficou em 293 milhões. Já a de 2025, com estimativa inicial de 311 milhões, alcançou 346 milhões, segundo dados do IBGE. Além do bom desempenho da agricultura, o PIB do setor recebeu reforço também da pecuária. Em ritmo de produção recorde, o setor colocou 33 milhões de toneladas de carne no mercado no ano passado.
Houve algumas mudanças substanciais neste segmento. A bovinocultura pôs o Brasil na liderança mundial de carne bovina, desbancando os Estados Unidos. As estimativas indicam uma produção de 12,5 milhões de toneladas para o ano passado. A produção de carne de frango foi de 15,5 milhões, e a de suínos, 5,6 milhões.
No setor de grãos, os destaques do ano passado foram para a safra de soja, de milho e de laranja. Afetada pelo clima no período 2023/24, a safra de soja ficou em apenas 145 milhões, contrariando previsões iniciais, segundo o IBGE. Já no período 2024/25, a produção subiu para 166 milhões de toneladas, 14,6% a mais do que no ano anterior. O país está colhendo, neste início de ano, a safra 2025/26, também em bom volume e que influenciará o PIB da agropecuária de 2026.
O milho também deu uma boa cooperação para o PIB. A safra de 2025 atingiu o recorde de 142 milhões de toneladas, volume 23,6% superior ao do período anterior. Para este ano, se confirmadas as previsões do IBGE, o cereal perde participação no PIB. As estimativas de safra são de 134 milhões de toneladas, uma queda de 6%.
Outro segmento agrícola que voltou a ter boa participação no PIB foi a laranja, devido ao aumento de 28,4% na produção, que subiu para 15,7 milhões de toneladas. O arroz também teve boa participação. O setor colocou 12,7 milhões de toneladas no mercado, 19,4% acima de 2024. Aumento de área e clima mais favorável impulsionaram a produção nacional.
O algodão, com safra de 9,9 milhões de toneladas, e alta de 11,4% em relação a 2024, também foi um componente de elevação na taxa do PIB. O IBGE lista, ainda, aumentos de produção de amendoim, sorgo e trigo.
2026 será diferente. Os dados atuais do IBGE apontam para uma safra menor do que a de 2025, apesar do aumento da produção de soja, que deverá atingir o recorde de 173 milhões de toneladas nos cálculos do instituto. O arroz, que teve boa evolução em 2025, terá produção menor neste ano. A queda será de 2,2%, com safra de 11,5 milhões. Os preços baixos do ano passado não incentivaram os produtores a aumentar a área na safra que está sendo colhida neste início de ano.
A produção de cana-de-açúcar fica estável, e a de laranja cai. O milho, após o recorde do ano passado, recua para 134 milhões de toneladas neste ano, 8% a menos. Nas contas do IBGE, as safras de algodão, de trigo e de sorgo também caem. Café, com aumento de 6%, ajuda a segurar o PIB, um comportamento também esperado de cacau e de batata.
A participação da pecuária ainda é incerta neste ano. Há apostas sobre a manutenção da produção, mas também de queda na oferta da proteína, principalmente na de carne bovina. Há uma mudança de ciclo da pecuária bovina, e a tendência é de uma oferta menor de fêmeas para o abate. Além disso, o comércio externo, principalmente com a cota imposta pela China, pode frear um pouco a produção.
Há quem aposte, no entanto, que o maior rendimento das carcaças, obtido com investimentos nos últimos anos, principalmente após a elevação do apetite chinês pela carne bovina brasileira, garanta maior oferta.
Além dessas mudanças já previstas para o setor agropecuário, há um componente inesperado, e que pode afetar todas as previsões: o clima. Nos últimos seis anos, pelo menos três deles tiveram influência negativa do clima no desempenho do setor agropecuário, principalmente no de lavouras.
É cedo ainda, mas um prolongamento e a extensão da guerra do Irã pelos países da região poderão afetar as exportações brasileiras e, consequentemente, a produção (Folha, 4/3/26)

