Coerência não é detalhe. É o mínimo! – Por Paulo Junqueira

Deputado federal Ricardo Salles (Novo/SP) visita presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP
Em 2022, após ser ungido por Jair Messias Bolsonaro e grande parte do agro bolsonarista, Ricardo Salles foi eleito deputado federal pelo PL, com votação expressiva, apoiado na estrutura do partido e no eleitorado bolsonarista. É fato — e ninguém precisa fingir que foi de outro jeito. E o legado? Nem ao menos um único projeto de lei aprovado.
Com a cadeira ainda fria, gelada, decidiu por si só, que queria ser prefeito de São Paulo. Não construiu, não negociou: bateu os pés. Quando Bolsonaro fechou com Ricardo Nunes, Salles não digeriu a derrota. Abandonou o partido que o elegeu, migrou para o Novo e trouxe para o seu colo Pablo Marçal. Nada contra o Marçal — apenas aproveitou o que lhe entregaram de bandeja.
Agora, candidato ao Senado, sai dando entrevistas no mínimo dúbias sobre quem o elegeu. São declarações públicas, gravadas, ao alcance de qualquer eleitor.
E chega ao agro. Frequenta a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP, busca palanque, posa para a foto, juntamente com seu 1º suplente Frederico D’Ávila e o presidente sub judice Tirso Meirelles.
O mesmo Ricardo Salles que, em 28 de abril de 2023, escreveu nas suas próprias redes:
"Isso é um absurdo sem tamanho. A pessoa ser presidente de uma entidade de classe por 48 anos já beira a imoralidade. Querer passar o 'trono' para o filho então, é inaceitável."
Era sobre a Faesp. Era sobre a sucessão na federação. Está lá, publicado, com mais de 21 mil curtidas.
Pergunta simples: o que mudou de 2023 para cá? A entidade não mudou. A sucessão não mudou. Mudou o que Salles precisa.
Quem revê convicção conforme a conveniência do calendário eleitoral não é homem de partido nem homem de causa. É balcão de conveniência, negócio — abre e fecha conforme o freguês.
O agro paulista não precisa de balcão. Precisa de representação — de quem esteja no mesmo lugar em outubro e em janeiro, durante toda a sua vida.
Se eleito, fará no Senado o que já vem fazendo: atrapalhar.
Atrapalhar.
A política me trouxe grandes amigos. O melhor de todos eles? Jair Messias Bolsonaro. Muito obrigado, PR! (Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 31/8/26)

