20/05/2026

Com Copa do Mundo, Brasil aumenta venda de carne bovina para os EUA

Com Copa do Mundo, Brasil aumenta venda de carne bovina para os EUA

Cortes de carne bovina à venda em Burbank, cidade da Califórnia (EUA). Foto Justin Sullivan - Getty Images - AFP

 

  • Americanos aceleram importações, principalmente da proteína magra para processamento
  • Exportação feita pelo Brasil sobe 37% no primeiro trimestre, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA

 

Uma semana após o anúncio da União Europeia de que pode suspender importações de carne do Brasil a partir de setembro, os preços do boi não tiveram grandes mudanças no campo. A arroba está sendo negociada a R$ 345, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A Europa paga bem pela carne brasileira, mas representa apenas 3% das exportações brasileiras.

 

A UE ameaça, mas precisa da carne brasileira. No primeiro quadrimestre, o bloco comprou 35 mil toneladas do Brasil, 17% a mais do que em igual período do ano passado. Os europeus pagaram US$ 8.625 por tonelada, bem acima dos valores pagos pelos chineses e americanos.

 

Os olhares do mercado brasileiro estão voltados, no entanto, para os Estados Unidos, de acordo com Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea. A poucas semanas do início da Copa do Mundo de futebol, o país se prepara para um movimento maior de turistas e aumento no consumo de hambúrgueres. Além disso, é um período de férias nos EUA, o que eleva o consumo.

 

Os números do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desta segunda-feira (18) já indicam esse movimento. As importações americanas de carne bovina atingiram o recorde de 272 mil toneladas em março, 19% a mais do que no mesmo mês de 2025. Só do Brasil, os americanos importaram 26% a mais naquele mês, informou o órgão americano.

 

No primeiro trimestre, as compras externas totais de carne bovina pelos Estados Unidos somam 775 mil toneladas, 15% a mais do que em igual período de 2025. Os números da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), mais atualizados, indicam que o Brasil exportou 150 mil toneladas para os EUA no primeiro quadrimestre, 10% a mais ante 2025.

 

Carvalho diz que a demanda é forte também por parte da China. Falta carne no mundo e o país asiático faz estoques. Os números de exportação do Brasil para a China mostram que o volume recorde de importações pelos chineses se dá mais por uma demanda deles do que por uma corrida brasileira para uma antecipação de vendas, devido à cota de 1,1 milhão de toneladas.

 

Os chineses compraram 474 mil toneladas do Brasil no primeiro quadrimestre, 21% a mais do que em 2025, pagando US$ 5.744 por tonelada, 19% a mais do que em igual período de 2025. Se eles não estivessem precisando de carne, estariam forçando uma queda dos preços. Nos quatro primeiros meses deste ano, a China já despendeu US$ 2,7 bilhões na compra de carne bovina brasileira, 44% a mais do que de janeiro a abril de 2025.

Com relação à questão da União Europeia, o pesquisador do Cepea afirma que há espaço para negociações antes de a medida entrar em vigor. Mesmo assim, a União Europeia teria de comprar produto de outros países, como Argentina e Uruguai. E estes deixariam espaço para o Brasil em seus mercados (Folha, 20/5/26)