31/03/2026

Com nova usina na Bahia, Inpasa deve reduzir déficit de etanol no Nordeste

Com nova usina na Bahia, Inpasa deve reduzir déficit de etanol no Nordeste

Biorrefinaria da Inpasa em Balsas, no Maranhão — Foto Divulgação

Empresa ofertará 1,3 bilhão de litros por ano a partir de plantas na Bahia e Maranhão.

A Inpasa deu início na sexta-feira (27) à produção de etanol em sua nova usina em Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Somada à sua outra usina em Balsas (MA), a capacidade de produção da Inpasa no Nordeste supera com folga o volume de etanol que a região importa todo ano dos Estados Unidos. Para a empresa, essa oferta poderá incentivar o consumo do biocombustível pelos motoristas do Nordeste.

A unidade da Inpasa na Bahia tem capacidade para produzir 470 milhões de litros de etanol por ano, enquanto a do Maranhão tem capacidade de 950 milhões de litros, totalizando 1,3 bilhão de litros ao ano.

A planta de Luis Eduardo Magalhães recebeu autorização de operação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De acordo com a empresa, o início da produção no Estado a consolida como a segunda maior produtora de etanol do mundo, atrás da americana Poet, que fabrica etanol de milho.

Em 2025, o Brasil importou 320 milhões de litros de etanol, dos quais 75 milhões de litros atracaram no Nordeste — volume inferior à nova oferta da Inpasa no Nordeste.

“Já conseguimos evitar a importação. O Nordeste agora passa a ter volume de etanol suficiente pra suprir toda a região”, disse Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa. “Chegamos ao Nordeste com o papel de substituir o suprimento feito pela importação do etanol americano. A região era deficitária. Tem uma indústria tradicional, centenária, mas com uma produção aquém do consumo total”, afirmou.

O etanol da Inpasa também deverá diminuir as vendas do etanol de cana que o Centro-Sul costuma fazer ao Nordeste via cabotagem.

Em 2025, o consumo de etanol hidratado e anidro no Nordeste foi de 4,5 bilhões de litros, segundo a ANP. Já a produção das usinas de cana do Nordeste e do Norte deve ficar em 2,5 bilhões de litros. Boa parte dessa diferença foi suprida pela oferta do Centro-Sul.

Segundo o executivo, a Inpasa avalia que sua oferta deverá estimular o consumo regional de etanol hidratado, que era menor do que no Centro-Sul já que a oferta não era suficiente para garantir competitividade nas bombas em relação à gasolina.

“As regiões mais distantes das regiões de oferta sofriam mais com precificação do produto em função do custo. Agora, [com o etanol] próximo, o crescimento do mercado vai ser expressivo. O consumidor baiano está acostumado com o etanol, porque em alguns momentos há uma oferta interessante chegando à região”, afirmou.

A produção de etanol da Inpasa na Bahia deverá ser garantida com o milho e o sorgo cultivados no Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e com biomassas nas regiões próximas, como caroço de açaí do Norte, e resíduos de plantios de eucalipto e braquiárias no Nordeste (Globo Rural, 30/3/26)