06/05/2026

Como o STF se tornou o partido político que ninguém elegeu

Como o STF se tornou o partido político que ninguém elegeu

Foto Reprodução X

 

Por Paula Sousa

 

O Brasil atravessa, sem dúvida, o período mais sombrio de sua história republicana recente. O que deveria ser a "Corte Suprema", o último baluarte de proteção da nossa Constituição, transformou-se em um epicentro de articulação política que ignora leis, atropela ritos e, agora, prepara o terreno para um golpe silencioso nas urnas deste ano. O destino da nossa nação está em jogo, e é preciso que cada brasileiro entenda o que está acontecendo nos bastidores de Brasília antes que o último vestígio de liberdade seja apagado.

 

O atropelo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

 

O sistema judiciário brasileiro foi desenhado para ter pesos e contrapesos. Para as eleições, existe o TSE. O Supremo Tribunal Federal (STF) deveria atuar apenas em casos raros de recursos constitucionais. No entanto, o que vemos hoje é uma usurpação de competência sem precedentes.

 

Como bem denunciou o jornalista Cláudio Dantas, o STF está literalmente "atropelando" o TSE. Ministros da Suprema Corte estão ampliando sua atuação em casos que deveriam ser decididos pela justiça eleitoral de primeira instância ou pelo próprio TSE. O objetivo é claro: movimentos de ministros estão atingindo diretamente pré-candidatos e deslocando as disputas eleitorais para dentro do gabinete do STF.

 

Quando o STF puxa para si decisões sobre inelegibilidade — como no caso de Romeu Zema em Minas Gerais, ou nas perseguições contra Flávio Bolsonaro e Alessandro Vieira — ele está dizendo ao povo: "Não importa em quem vocês votem, nós decidiremos quem pode ou não ser candidato". Isso não é democracia; é uma seleção de cartas marcadas.

 

O “Inquérito das Fake News”: A arma de uma ditadura

 

Para manter o controle sobre o debate público e silenciar qualquer voz dissidente, o STF se apoia em uma ferramenta de exceção: o “Inquérito das Fake News”. A jornalista Flávia Maia destacou que essa investigação deve ganhar "novo fôlego" justamente agora, diante da expectativa de críticas ao Supremo durante a campanha.

 

Não se enganem com os termos bonitos usados pelos juristas. O que chamam de "combate à desinformação" é, na verdade, a reedição dos mecanismos de exceção usados em períodos ditatoriais. O uso da Lei de Segurança Nacional por ministros como Alexandre de Moraes para abrir inquéritos eternos, onde o juiz é também a vítima e o acusador, é a prova de que vivemos sob uma medida cautelar perpétua. É o mecanismo para prender, calar e fazer busca e apreensão contra qualquer um que ouse questionar a "Coligação PT-STF".

 

Ministros no "balcão de negócios" das candidaturas ao Senado

 

Talvez a denúncia mais grave venha de Diego Amorim, do portal PlatôBR. Ele revela que ministros do STF estão "rondando" candidaturas ao Senado nos Estados. Mais do que meros observadores, integrantes da Corte estariam atuando nos bastidores em favor de nomes aliados e — o que é mais chocante — fazendo pontes para o financiamento de campanhas.

 

Pergunta-se: por que um ministro da Suprema Corte estaria preocupado em conseguir dinheiro para a campanha de um futuro senador?

 

A resposta é o medo. O STF sabe que o próximo Senado pode ser formado por uma maioria corajosa, disposta a pautar o impeachment de ministros que descumprem a Constituição. Para se protegerem, os ministros estão tentando "comprar" ou garantir uma bancada de proteção. Eles querem senadores "chapa branca", que sejam leais aos seus interesses em troca de favores judiciais e financeiros.

 

Casos de polícia e política: De Zema ao Maranhão

 

O descaramento das ações políticas do STF não tem limites geográficos. No Rio de Janeiro, o caso de Cláudio Castro e a imposição de um governo "biônico" por meio de manobras que travam o processo no STF mostram como a Corte manipula o calendário eleitoral para favorecer aliados de esquerda, como Eduardo Paes.

 

Em Minas Gerais, o desespero para tornar Romeu Zema inelegível ignora até o fato de ele não ter mais foro privilegiado no STF após sua renúncia. Se houve crítica ao ministro Gilmar Mendes, que fosse julgada na primeira instância, como ocorre com qualquer cidadão. Mas não; o STF quer ser o juiz universal de tudo o que os atinge.

 

A situação no Maranhão e em Pernambuco desenha um quadro de "tomada de lá" que faria qualquer político de baixo clero corar. O ministro Flávio Dino, recém-saído da política direta para o STF, já assume investigações contra seus próprios adversários políticos no Maranhão, como o grupo de Carlos Brandão. Além disso, há fortes indícios de que Dino usou sua influência para negociar com João Campos (PSB-PE) a expulsão de desafetos partidários em troca de decisões favoráveis contra o grupo dos Coelhos em Pernambuco, no âmbito da Operação Vassalos.

 

É o STF funcionando como um balcão de trocas: "Eu te ajudo aqui com um processo, você me ajuda ali enfraquecendo meu inimigo político".

 

A estranha simbiose entre o PT e STF

 

Não há como separar o atual governo da atuação dos ministros. Vivemos sob a égide de uma coligação que tirou um condenado da cadeia, anulou seus processos e o colocou na cadeira da presidência. Agora, esse mesmo grupo trabalha unido para perpetuar esse sistema de castas.

 

A elite aristocrática socialista de Brasília, liderada pelo núcleo composto por Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Flávio Dino, não aceita ser questionada. Eles se veem como os donos da verdade e do Brasil. Quando a Lava-Jato chegou às portas do Supremo, eles reagiram não com justiça, mas com a destruição das instituições de investigação.

 

Um chamado à resistência

 

O que está acontecendo não é um debate jurídico complexo. É uma briga por poder e autopreservação. O STF está interferindo na economia, na política e agora diretamente na escolha dos seus representantes. Eles querem garantir que, nas eleições deste ano, apenas os "aprovados" pelo sistema possam vencer.

 

Se permitirmos que o STF continue a usurpar o poder do TSE e do Congresso, o nome da nossa Corte Suprema estará definitivamente no lixo da história. A insegurança jurídica afastará investimentos, a perseguição política calará as redes sociais e, quando percebermos, o direito ao voto será apenas um teatro para validar uma ditadura de toga.

 

É preciso um Senado forte. É preciso coragem para enfrentar o sistema. O Brasil não pertence a meia dúzia de ministros; pertence ao povo. A hora de acordar e denunciar esse esquema criminoso é agora. O destino do Brasil está em nossas mãos, e o silêncio é o combustível que alimenta a tirania. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 6/5/2026)