Conflito no Oriente Médio reduz exportação de carne para a região
Imagem IA Copilot
- Queda na venda de proteínas é de 20% em março; bovina teve menor redução
- Brasil compra menos fertilizantes deste grupo de países, mas adquire mais de outras nações
As exportações brasileiras de carnes para o Oriente Médio caíram para 151 mil toneladas no mês passado, 20% a menos do que em março de 2025. O envio de commodities agrícolas, no entanto, sofreu impacto menor no período. As vendas externas de soja recuaram apenas 1,4%, para 14,5 milhões de toneladas, e as de milho subiram para 983 mil, 13% a mais do que no mesmo mês
Entre as carnes, a bovina teve o menor recuo, com queda de 9% na comparação. A indústria brasileira colocou 16,1 mil toneladas na região. Já o envio de carne de frango teve queda maior, recuando para 105 mil toneladas, 20% a menos. Com menor participação na região, a venda de carne suína caiu de 825 toneladas, em março de 2025, para 321 no mesmo mês deste ano.
Apesar das dificuldades na região do Golfo Pérsico, o setor brasileiro de carnes mantém ritmo acelerado neste ano. As receitas do primeiro trimestre atingiram US$ 7,92 bilhões, 24% acima das de igual período do ano passado. Em volume, o crescimento foi de 11%, subindo para 2,6 milhões de toneladas na soma das três principais proteínas.
O ritmo das importações de fertilizantes, apesar da importância da região onde se desenvolve o conflito geopolítico para este mercado, não foi afetado no mês passado. O país importou 1,31 milhão de toneladas, acima das 814 mil de março de 2025. A Rússia foi a grande fornecedora desse insumo, enviando 843 mil toneladas, bem acima do volume exportado pela China, que veio a seguir, com 498 mil toneladas. Os chineses foram os líderes em exportações de fertilizantes para o Brasil no ano passado.
Marrocos também esteve entre os principais fornecedores no mês passado, com a venda de 406 mil toneladas. Os países do Oriente Médio, que haviam exportado 756 mil toneladas de fertilizantes para os brasileiros em março no primeiro trimestre do ano passado, enviaram 612 mil neste ano.
A soja, que inicia agora um forte período de exportações, já acumula 23,5 milhões de toneladas exportadas no primeiro trimestre, 6% a mais do que em 2025. As receitas subiram para US$ 9,64 bilhões, aumento de 11,5%, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
O milho também mantém bom desempenho neste ano. O país colocou 6,78 milhões de toneladas do cereal no mercado externo no primeiro trimestre, com receitas de US$ 1,51 bilhão. Volume e receita tiveram evoluções próximas de 15%.
Dois outros importantes produtos da balança comercial perdem participação neste ano: café e açúcar. As receitas com o café recuaram para US$ 3 bilhões de janeiro a março, abaixo dos US$ 3,81 bilhões do mesmo período do ano passado. Já o açúcar teve uma queda de 20% nas receitas, que somaram US$ 2,22 bilhões no mesmo período.
Guerra no pão A coincidência dos aumentos de energia elétrica e do frete pode fazer o pãozinho terminar o ano com aumento de 8,5%. O preço passaria dos atuais R$ 21,5 por kg para R$ 23,33.
Guerra no pão 2 Os dados são da Voltera, empresa ligada ao setor de energia. A eletricidade tem peso de 27,2% no custo do pão, e o frete, de 15% (Folha, 7/4/26)

