Consumo de milho é recorde e supera 100 milhões de toneladas
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- Produção de soja e de café sobe para patamares recordes no ano, segundo consultoria
- Cresce demanda pelas usinas de etanol, e concorrência com EUA segura exportação
A safra brasileira de soja é de 181,7 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 200 mil a mais do que na safra anterior.
É o menor crescimento nos últimos 30 anos, desconsiderando os períodos em que as safras não atingiram o potencial de crescimento devido a diversos problemas, principalmente os climáticos.
Os dados são da consultoria Hedgepoint, que apresentou as estimativas de produção das safras de grãos e de cana-de-açúcar nesta quarta-feira (19).
Luiz Roque, analista da consultoria, diz, no entanto, que a produção mundial de soja ainda não está definida, uma vez que a safra americana poderá registrar uma produtividade inferior àquela que o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apresentou em seu último relatório.
A Hedgepoint estima também que a área de produção brasileira foi de 49,2 milhões de hectares, apenas 400 mil acima do espaço dedicado à oleaginosa em 2025/26.
A safra de soja deste ano foi marcada por custos elevados, preços que não acompanharam os gastos do produtor e margens apertadas. Daí a pouca evolução da área.
Acostumados com boas margens, principalmente nas safras até 21/22, os produtores viram o cenário ser invertido nos anos recentes, com a ocorrência de quedas. Nesta safra, as margens dos sojicultores de Sorriso (MT) devem ficar em 8%, segundo cálculos da consultoria.
As exportações continuam aceleradas, e o país deverá atingir vendas externas de 114 milhões de toneladas neste ano. O cenário do final de ano, no entanto, ainda é incerto, e depende do resultado da safra dos Estados Unidos e das negociações entre Donald Trump e Xi Jinping, que se encontram no próximo mês.
Alguns fatores, no entanto, dão suporte aos preços da soja no mercado externo. Um deles é a demanda maior de óleo de soja para o consumo de biodiesel nos Estados Unidos, o que obriga o país a aumentar o esmagamento da oleaginosa.
No caso do Brasil, as atenções se voltam para o anunciado El Niño. Deverá chover bem na época do plantio, mas há muita incerteza no desenrolar da safra.
A produção brasileira de milho atingiu 140,3 milhões de toneladas na safra 2025/26, na avaliação da Hedgepoint. Esse volume se iguala ao de 2024/25, mas fica abaixo da estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que é de 143 milhões.
Um dos dados de destaque é que, pela primeira vez, o país está consumindo mais de 100 milhões de toneladas do cereal.
Com 29 usinas de etanol de milho em produção e mais 27 projetadas, o consumo do cereal sobe ano a ano nessa indústria. De 6,5 milhões de toneladas utilizadas em 2000, o consumo do setor já chega a 28,5 milhões.
A consultoria reduziu as expectativas de exportação do milho para 41 milhões de toneladas nesta safra, uma vez que o Brasil sofre forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina. Além do aumento do consumo do cereal pelas indústrias de etanol, alguns dos mercados brasileiros, como o do Irã, são afetados pela guerra no Oriente Médio. Egito, Vietnã e Argélia estão comprando mais, mas não devem compensar o volume normalmente adquirido pelo Irã.
O mercado de açúcar se recupera nas negociações externas, mas não tem uma tendência altista. Segundo Lívea Coda, analista da consultoria, espera-se que as usinas aumentem a produção de açúcar, devido à vantagem do produto em relação ao etanol na região centro-sul do Brasil.
Riscos geopolíticos e maiores custos de energia sinalizam para alta, mas taxas globais de juros mais elevadas e moeda fraca nos países produtores, além da desaceleração da economia mundial, apontam para um cenário baixista.
A moagem de cana-de-açúcar deverá atingir 635,5 milhões de toneladas em 2026/27, um volume que, conforme dados ainda bem iniciais, deverá subir para 655 milhões em 2027/28. Na avaliação de Coda, a produção de açúcar sobe de 39,9 milhões de toneladas nesta safra para 43 milhões na próxima.
A produção de etanol de cana, que deverá ser 38,1 bilhões de litros em 2026/27, sobe para 39,4 bilhões na próxima. A oferta de etanol de milho, prevista em 11,2 bilhões nesta safra, poderá atingir 12,8 bilhões no próximo período.
A consultoria avaliou também a produção mundial de cacau, e prevê 4,8 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo do volume da anterior. O balanço entre oferta e demanda está estimado pela consultoria em 111 mil toneladas.
O saldo da oferta e demanda de café também terá superávit em 2025/26. Nos cálculos da Hedgepoint, a produção mundial sobe para 190 milhões de sacas, e o consumo, para 181 milhões. A produção nacional atingirá o recorde de 75,8 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de sacas de café arábica (Folha, 20/8/26)

