02/03/2026

Credores resistem à divisão da Raízen, dizem fontes

Credores resistem à divisão da Raízen, dizem fontes

Uma proposta para desmembrar a produtora de açúcar, etanol e distribuidora de combustíveis Raízen (RAIZ4) enfrenta forte resistência dos credores nas discussões sobre como revitalizar e recapitalizar a empresa em dificuldades, disseram à Reuters pessoas familiarizadas com as discussões.

 

A maior produtora mundial de açúcar — uma joint venture da Shell e do grupo industrial Cosan — registrou um prejuízo líquido trimestral de R$ 15,6 bilhões e alertou para uma “relevante incerteza” sobre sua capacidade de continuar operando.

 

Fontes afirmam que o BTG Pactual, que administra um fundo que entrou no grupo de acionistas controladores da Cosan no ano passado, propôs dividir a empresa em duas, separando o negócio de distribuição de combustíveis dos outros ativos. A unidade de postos de combustíveis poderia então obter capital novo do banco, disseram as fontes.

 

A ideia não foi bem recebida pelos credores, que querem manter a empresa intacta para garantir uma rápida recuperação e estão pressionando os acionistas a injetar o máximo possível de capital novo na Raízen, segundo as fontes.

 

A Raízen, a Cosan, o BTG Pactual e a Shell se recusaram a comentar o assunto. A Shell reiterou que está trabalhando com a Raízen e a Cosan para apoiar a desalavancagem da companhia.

 

As preocupações com o futuro da Raízen chamaram a atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com funcionários do BNDES e da estatal Petrobras para discutir a situação da empresa no ano passado e novamente neste mês, segundo fontes.

 

Os acionistas da Raízen estiveram presentes na última reunião, na qual Lula expressou preocupação, mas não fez nenhum apelo à ação, disse uma fonte.

 

Nem o BNDES nem a Petrobras, que está avaliando outros investimentos potenciais em biocombustíveis, demonstraram interesse em capitalizar a Raízen, disseram as fontes.

 

A Petrobras está impedida de investir na distribuição de combustíveis após se desfazer de sua própria rede de postos, agora chamada Vibra Energia.

 

A Petrobras não está avaliando a aquisição dos ativos da Raízen, informou a empresa. O BNDES não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

 

A Raízen precisa de mais de R$ 20 bilhões em capital novo, disse uma das fontes, que pediu para não ser identificada porque as negociações são privadas.

 

Na quarta-feira, a Reuters informou que a Shell estava disposta a injetar cerca de R$ 3,5 bilhões na Raízen.

 

A produtora de açúcar e biocombustíveis, que passa por dificuldades, viu sua dívida líquida subir para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro, devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios nos canaviais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de esmagamento menores (Reuters, 27/2/26)