13/04/2026

Datafolha: maior força política do Brasil hoje é o antipetismo

Datafolha:  maior força política do Brasil hoje é o antipetismo

Os principais candidatos da direita têm potencial para derrotar Lula. Foto Wilton Junior Estadão

 

Mesmo sem propostas conhecidas, Flávio Bolsonaro cresce impulsionado pela rejeição a Lula.

 

A pesquisa Datafolha divulgada hoje posiciona o senador Flávio Bolsonaro — um político cuja trajetória, ideias e propostas ainda são desconhecidas por grande parte do público — na liderança da corrida presidencial. Ele alcança esse patamar impulsionado pelo sobrenome, que garante alto nível de conhecimento, mas avança, sobretudo, pela força do antipetismo. Atualmente, o movimento político mais vigoroso no Brasil é a rejeição ao PT, seguido de perto, em empate técnico, pelo bolsonarismo.

 

Os números revelam um cenário de “duelo de rejeições”: a desaprovação de Lula atinge 48%, enquanto a de Flávio chega a 46%. Enquanto isso, os ex-governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG) ostentam índices de rejeição baixos (16% e 17%, respectivamente).

 

No entanto, por serem desconhecidos por cerca de 50% do eleitorado, ambos ainda não atingiram os dois dígitos nas intenções de voto. Por ora, a dinâmica eleitoral não parece ser a de escolher o favorito, mas a de barrar o adversário.

 

Ainda não se iniciou o desgaste sistemático da imagem de Flávio Bolsonaro — que envolve temas como as “rachadinhas”, suspeitas de ligações com milicianos e declarações controversas sobre a democracia. Tal estratégia foi possivelmente adiada para evitar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se consolidasse como alternativa.

 

Contudo, resta saber se o ataque direto a Flávio será eficiente em um país tão polarizado ideologicamente. Na melhor das hipóteses para o petismo, um eventual desgaste de Flávio poderia apenas migrar votos para outros nomes da direita, como Caiado ou Zema, que tenderiam a se unir em um eventual segundo turno.

 

O desafio de Lula

 

O dado mais alarmante para o Planalto é que quase qualquer pré-candidato de oposição hoje possui potencial para derrotar Lula em um segundo turno. Tanto Zema quanto Caiado já aparecem em empate técnico com o presidente. O desafio de Lula, portanto, não é apenas elevar sua popularidade, mas reduzir drasticamente sua rejeição.

 

A rejeição aos Bolsonaro é alimentada por um histórico de atitudes autoritárias, pela conduta durante a pandemia, pela retórica agressiva e pela inelegibilidade do ex-presidente por abuso de poder. Já contra Lula, pesam as memórias da Lava-Jato (quase metade da população não acredita em sua inocência), a resistência de uma sociedade majoritariamente de centro-direita aos valores progressistas, o desgaste da imagem, as gafes diplomáticas, o apoio a ditaduras de esquerda e a estratégia do “nós contra eles” — que corre o risco de ver o “eles” tornar-se a maioria.

 

No governo, a perplexidade deve ser real: como uma gestão que apresenta índices históricos de baixa no desemprego e aumento da renda pode enfrentar tamanha resistência? Embora problemas fiscais como a expansão da dívida pública ainda não afetem o cotidiano imediato do cidadão, pautas negativas como as suspeitas de desvios no INSS e o caso do Banco Master reacendem o fantasma da corrupção. Para reverter o quadro, o petismo precisará ir além de bodes expiatórios, como culpar os algoritmos das redes sociais ou desdenhar do fenômeno dos “pobres de direita” (Estadão, 12/4/26)