El Niño pode afetar transporte de grãos pelos rios da Amazônia
Imagem Reprodução Blog De Olho nos Ruralistas
- Até maio, saíram 21 milhões de toneladas de soja pelos portos do Arco Norte
- Parte da produção deverá ser deslocada para as saídas do Sul e do Sudeste
As estimativas são de um El Niño intenso no segundo semestre, com duração até o início de 2027. Tem-se avaliado muito o efeito que esse fenômeno provocará no Sul, com excesso de chuvas, e no Centro-Oeste e no Nordeste, com redução. A Amazônia, que ganhou importância no transporte fluvial nos anos recentes, merece atenção redobrada.
O debate nacional sobre infraestrutura se concentra em rodovias e ferrovias, mas a logística amazônica ficará muito afetada se o El Niño vier na proporção que se estima. A redução de chuvas diminui o volume de água no leito dos rios e, consequentemente, afeta a navegação fluvial.
A redução das águas no rio exige a dragagem dos leitos, um processo corretivo caro, burocrático e que, sem planejamento prévio, frequentemente começa tarde demais. A dificuldade no transporte fluvial da região exigirá um aumento da utilização do modal rodoviário, feito por estradas nem sempre preparadas para o transporte.
Um dos setores mais afetados será o agronegócio, que já escoa boa parte da produção pelos portos do Arco Norte. Em tempos de preços baixos das commodities, o frete rodoviário poderá subir 30%, segundo estimativas do setor, e o de cabotagem, 20%. Nos cinco primeiros meses deste ano, as exportações de soja pelos portos do Arco Norte somaram 21 milhões de toneladas, 39% do volume total do que o país mandou para o mercado externo. A saída de milho foi de 2,5 milhões de toneladas, 34% do volume nacional, segundo dados do Boletim Logístico da Conab.
Dificuldades no escoamento das commodities refletem no setor de armazenagens. O Brasil deverá obter uma safra recorde de 359 milhões de toneladas neste ano, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), mas a capacidade estática de armazenagem é de 211 milhões, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mato Grosso, que ano a ano vem aumentando a saída de grãos pelo Arco Norte, está entre os estados com maior déficit.
MUDANÇAS NO RANKING DA CANA
A área de cana-de-açúcar disponível para colheita na região Centro-Sul do Brasil alcançou 9,2 milhões de hectares na safra 2026/27, um crescimento de 3,1% em relação ao ciclo anterior. A cana aumenta a área, e isso provoca uma troca de municípios na liderança da cultura.
Os 12 municípios com maior extensão de cana já disponível para colheita seguem respondendo por 10,4% de toda a área mapeada na região. Os dados são da Serasa Experian e foram gerados por imagens de satélite e geotecnologia para monitoramento da cultura. Nova Alvorada do Sul (MS) passa a ocupar a primeira posição, e Nova Andradina (MS) entra na lista dos líderes, retirando Guaíra (SP).
Essa troca de liderança de municípios ocorre, também, devido à renovação de canaviais, segundo Dyego Santos, gerente executivo de soluções agro da Serasa Experian.
O mapeamento da Serasa mostra que São Paulo mantém a liderança no Centro-Sul, com 57,1% da área disponível para colheita, o equivalente a 5,24 milhões de hectares. Goiás e Minas Gerais vêm a seguir, ambos com 12% da área apta para colheita (Folha, 2/7/26)

