13/04/2026

El Niño tem 61% de chance de acontecer entre maio e julho

Durante os períodos de El niño, as águas do Pacífico Equatorial aquecem 0,5 °C ou mais em relação à média histórica — Foto: NOAA/Arquivo Metsul

 

Agência climática dos EUA confirma o fim do La Ninã e emite alerta oficial de El Niño para o segundo semestre de 2026.

 

O fenômeno La Niña oficialmente chegou ao fim e o mundo caminha para uma transição para o El Niño nos próximos meses. De acordo com relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA), há 61% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho de 2026.

 

Ainda segundo a agência, a chance sobe para 79% no trimestre entre junho e agosto. Entre julho e setembro, a probabilidade chega a 87%.

 

O El Niño tende a fazer com que o inverno seja menos seco e frio. “O inverno vai ser mais úmido e com temperaturas mais elevadas. Além disso, a primavera deverá ser bem chuvosa no Sul”, explica o agrometeorologista da Rural Clima Marco Antônio dos Santos.

A expectativa é de um evento de intensidade moderada, mas que já preocupa meteorologistas pelos potenciais impactos. No Brasil, segundo a Nottus Meteorologia, os efeitos típicos incluem ondas de calor mais frequentes, aumento do risco de enchentes na região Sul e irregularidade nas chuvas no Norte.

 

No campo, os maiores danos devem ser para o café e a cana. “Para as culturas do café e cana o problema seria um inverno mais úmido, clima típico do El Niño, com chuvas mais regulares, o que poderá atrapalhar a colheita entre setembro e novembro”, diz.

Já para as culturas de soja e milho a previsão é boa. “O outono deverá ser de chuvas um pouco mais regulares, mantendo as condições mais favoráveis ao desenvolvimento”, indica Marco Antônio.

 

O cenário climático ocorre em um contexto de temperaturas globais elevadas. Segundo o Copernicus Climate Change Service, março de 2026 foi o quarto mais quente da série histórica, com a temperatura média do ar 0,53°C acima da média de 1991 a 2020 e 1,48°C superior aos níveis pré-industriais (1850-1900).

 

Os oceanos também seguem aquecidos. A temperatura da superfície do mar registrou anomalia positiva de 0,44°C, tornando o mês o segundo março mais quente já observado para esse indicador, ficando atrás apenas de 2024, quando havia atuação de um El Niño mais intenso.

 

Diante desse quadro, o boletim da Nottus alerta que, mesmo um El Niño mais fraco, pode ter impactos relevantes, já que os efeitos tendem a ser potencializados pelo aquecimento global.

 

Além do Oceano Pacífico, onde se desenvolve o fenômeno, as condições do Oceano Atlântico também entram no radar. As anomalias de temperatura nessas águas podem reforçar ou atenuar os efeitos climáticos sobre o Brasil, influenciando principalmente os padrões de chuva.

 

A evolução do quadro deve ser acompanhada ao longo do próximo trimestre, período considerado decisivo para a confirmação do novo ciclo do El Niño.

Foto Globo Rural

Qual é a diferença entre La Niña e El Niño?

Os fenômenos indicam as variações de temperatura da porção equatorial do Oceano Pacífico. Durante os períodos de El niño, as águas aquecem 0,5 °C ou mais em relação à média histórica. Quando ocorre um resfriamento igual ou maior do que 0,5°C, chamamos de La Niña.

Em ambos os casos, esta oscilação deve se manter por, pelo menos, cinco trimestres consecutivos para o fenômeno ser oficializado como ativo. Há diversas teorias sobre as variações, mas não há um consenso na comunidade para justificar estes ciclos. O que se sabe com certeza os efeitos de La Niña e El Niño no clima.

Imagem Globo Rural

 

Em períodos de La Niña, o tempo costuma ficar mais seco no Sul do país, e as chuvas frequentas migram para o Norte e Nordeste do país. No Sudeste e no Centro-Oeste, faz mais frio do que o habitual. Durante o El Niño, o oposto ocorre, problemas de estiagem preocupam o Norte e Nordeste e as tempestades o Sul (Globo Rural, 12/4/26)