Elites políticas tentarão mais uma vez um acordão em favor da impunidade
Caso Master gera protestos, sob o temor de impunidade. Foto Tiago Queiroz Estadão
Por José Roberto Mendonça de Barros
Escândalos como o do Master e o do INSS seguem nas manchetes, uma sucessão de problemas desgasta a imagem do Judiciário, e a governança afunda sob uma crise ética.
O caso Master e as fraudes no INSS não saem das manchetes. A cada dia, novas revelações mostram uma grande dimensão financeira e crescentes questões éticas, regulatórias e políticas.
Além disso, uma sucessão de problemas em tribunais regionais e superiores vem desgastando fortemente a imagem do Judiciário. Finalmente, temos a contínua expansão dos supersalários em todo o serviço público, inflados pelos chamados “penduricalhos”.
Tudo isso está gerando muita revolta em boa parte da população, cada vez mais evidente nas pesquisas, nas redes sociais e na imprensa.
Antes destes eventos recentes, o Worldwide Governance Indicators do Banco Mundial já revelava uma forte deterioração em nosso país.
De fato, entre 2011 e 2024, o último dado disponível, a Qualidade Regulatória caiu 13%, a Rule of Law caiu 12% e o Controle da Corrupção, incríveis 24%, certamente devido, especialmente, ao desmonte da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal.
Acredito que esta situação vai acabar extravasando de alguma forma, até porque é óbvio que as elites políticas no Congresso, no Executivo e no Judiciário irão tentar mais uma vez um “acordão” em favor da impunidade, como no caso relembrado.
Os eventos aqui descritos deverão levar a dois resultados. Primeiro: mais um ano de crescimento baixo, talvez algo como 1,8% de expansão do PIB. Segundo: a eleição deverá ser muito nervosa e apertada, com uma parcela relevante da população rejeitando a polarização que se repete.
O problema maior, entretanto, fica para 2027 em diante. Nesse sentido, seria muito importante o País discutir agora por que perdemos a direção do crescimento sustentável e que estrutura de política econômica e incentivos são necessários para construirmos um novo horizonte.
Embora não exista apenas um único caminho, o ponto inicial mais relevante é o encaminhamento da questão fiscal, dado que uma ampla maioria dos economistas admite que a dívida pública não pode continuar a crescer continuadamente, sob pena de nunca termos uma taxa de juros mais estimulativa do investimento.
O segundo ponto tem a ver com o nosso relacionamento com o exterior. Creio que a experiência do ano passado sugere que o nosso caminho deverá continuar a buscar a diversificação de mercados e produtos.
Em terceiro lugar, é importante aproveitar a necessidade de descarbonização para avançar na geração de valor.
Mais que tudo, como ampliar o conhecimento necessário ao atendimento dos pontos mencionados? (José Roberto Mendonça de Barros é economista e sócio da MB Associados; Estadão, 22/2/26)

