06/11/2026

Escassez de fósforo no Brasil é grave e ainda pouco dimensionada

Escassez de fósforo no Brasil é grave e ainda pouco dimensionada

Country manager da Mosaic no Brasil, Eduardo Monteiro, debateu o cenário para fertilizantes no Vozes do Agro — Foto: Gabriel Reis/Valor

 

Indústria nacional já projeta os menores estoques de passagem de sua história.

 

A escassez de fósforo para a produção de fertilizantes levou a indústria nacional a quase paralisar atividades. A afirmação foi feita, nesta quinta-feira (5/11), pelo country manager da Mosaic no Brasil, Eduardo Monteiro. Ele avaliou que esse problema ainda está pouco dimensionado, dada a sua gravidade.

 

Monteiro destacou que a indústria nacional já projeta os menores estoques de passagem de sua história. As guerras no leste europeu e no Oriente Médio levaram a uma desestruturação logística que praticamente inviabilizou, por exemplo, a produção de fosfatados.

 

"A importação de enxofre cai 50%. Isso é um indicativo de que a produção vai cair mais de 50%. Precisamos entender como minimizar o risco da escassez de fósforo no Brasil, que ainda é pouco dimensionada. A indústria está com atividades paralisadas", afirmou, em painel de debates durante o Vozes do Agro, evento promovido por Globo Rural e Valor Econômico, em São Paulo.

 

Monteiro avaliou que a indústria brasileira - altamente dependente de importações - não deve atingir a autossuficiência na produção, mas precisa de apoio e suporte para reduzir a demanda por insumos de fora do país.

 

"A indústria precisa de apoio para investimentos, de um marco regulatório de concessões minerais mais claro. Temos uma questão tributária que nos tira competitividade", disse o executivo.

 

Ele pontuou que o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) prevê linhas de crédito para o setor. No entanto, o acesso ainda é burocrático e, com os juros elevados, a indústria fica mais cautelosa em investir.

 

E, diante do cenário atual, a iniciativa ainda é insuficiente para resolver o desequilíbrio no quadro de oferta e demanda por insumos.

 

"Esse ano, o Brasil vai aplicar 22% menos P2O5 do que aplicou no ano passado. O agricultor tomou essa decisão consciente e reduziu os volumes que foram cabíveis", disse Monteiro, em referência à molécula que serve de base para a composição de adubos fosfatatos.

 

"Os bioinsumos vêm ajudando a compensar essa redução nas taxas de adubação. Minimiza o problema, mas não resolve. O marco legal dos bioinsumos está parado no Ministério da Agricultura e a indústria não consegue lançar fertilizantes biológicos", acrescentou (Globo Rural, 5/11/26)