30/08/2019

Estável até agora, PIB agropecuário não cresce no segundo semestre

Estável até agora, PIB agropecuário não cresce no segundo semestre

A pecuária se mantém favorável, mas safras de trigo e de cana não evoluem bem.

O PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário praticamente não evoluiu neste ano. De janeiro a junho, em relação a igual período de 2018, teve crescimento de apenas 0,1%.
 
Ao contrário dos bons anos anteriores, quando a agropecuária dava sustentação ao PIB geral do país, 2019 deverá ser um período de pouca cooperação do setor com a economia.
 
Após uma queda no primeiro trimestre, a taxa do PIB da agropecuária subiu no segundo: mais 1%, segundo dados desta quinta-feira (29) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 
O algodão, que teve aumento de área de 37% nesta safra, e atingirá uma produção recorde, foi um dos responsáveis por essa alta.

 

Outro destaque é o milho, cuja safra total do ano deverá ficar próxima de 100 milhões de toneladas. Ao contrário do algodão, o cereal obteve aumento de 26% na produtividade na chamada safrinha.
 
Soja, café e arroz vão na contramão e registram quedas na produção. As estimativas iniciais para a soja, contudo, eram mais pessimistas do que se verificou após a colheita.
 
O cenário que vem pela frente para o agronegócio não é promissor.
 
O clima desfavorável deverá provocar uma queda de 7% na produtividade do trigo, importante cultura do segundo semestre, derrubando a produção do país em 5%.
 
Cana-de-açúcar e florestas plantadas, outros dois setores de peso na economia agrícola, não mostram bons sinais.
 
A moagem de cana acumulada nesta safra até a segunda quinzena deste mês, em São Paulo, é 2,5% menor do que a de igual período anterior. O estado é o principal produtor nacional neste setor.
 
No setor florestal, a produção de celulose recuou 3,7% no período de janeiro a junho de 2019, em comparação aos mesmos meses de 2018. Há uma queda nas importações feitas por alguns dos principias mercados do Brasil.
 
Já a citricultura tem uma safra maior neste ano, mas com preços e renda menores para o setor.
 
Um dos destaques positivos é a pecuária, principalmente a bovina. O mercado externo é favorável às carnes, incentivando a produção no setor.

A deficiência de proteínas na China, devido aos efeitos da peste suína sobre o rebanho daquele país, abre as portas para as carnes suína, bovina e de frango do Brasil.
 
Os chineses devem comprar mais carne, mas terão um apetite menor pela soja brasileira. Esse produto tem o maior VBP (Valor Bruto de Produção) interno e é o de maior receita nas exportações brasileiras.
 
Segundo o IBGE, as atividades da agropecuária adicionaram R$ 87 bilhões no PIB no segundo trimestre, abaixo dos R$ 90 bilhões do trimestre imediatamente anterior. 
 
O valor adicionado é o que a atividade agrega aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo (Folha de S.Paulo, 30/8/19)