EUA lançam ofensiva contra JBS, MBRF e mais 2 empresas por suposto cartel
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, o diretor de Comércio e Manufatura, Peter Navarro, e membros da indústria da carne bovina realizam uma coletiva de imprensa no Departamento de Justiça nesta segunda-feira, 4 Foto: Kevin Dietsch/AFP
A prioridade econômica da Casa Branca é o combate à inflação, especialmente na carne bovina, diz Navarro, arquiteto da guerra tarifária de Trump; procuradas, a JBS e a MBRF afirmaram que não iriam comentar
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 4, uma ampla investida contra as quatro maiores processadoras de carne que operam no país: JBS, National Beef (subsidiária da Marfrig, controladora que com a BRF formou o conglomerado MBRF), Tyson Foods e Cargill.
Procuradas pelo Estadão, a JBS e a MBRF afirmaram que não iriam comentar a iniciativa da Casa Branca. A Cargill e a Tyson Foods, multinacionais com sede nos EUA, não responderam.
Durante entrevista coletiva, o conselheiro sênior de Comércio e Manufatura — e arquiteto da guerra tarifária de Donald Trump —, Peter Navarro, afirmou que a prioridade econômica da Casa Branca é o combate à inflação, especialmente na carne bovina. Navarro afirmou que o nível de concentração de 85% convida a um conluio e criticou a influência estrangeira na cadeia de suprimentos.
O conselheiro sênior relatou que, após a imposição de tarifas contra o Brasil, o lobby da carne teria ameaçado a Casa Branca, desviando produtos que deveriam abastecer os mercados americanos para a China nesta temporada. Como medida imediata para baixar custos, Navarro informou que o governo está agindo para liberar milhões de acres de terras de pastagem que haviam sido retidos pelo governo Biden.
O procurador-geral em exercício, Todd Blanche, afirmou que o Departamento de Justiça (DOJ) está tornando efetiva a ordem executiva do presidente Donald Trump para interromper a formação de cartéis na cadeia de suprimentos de alimentos.
Blanche afirmou que o órgão revisou cerca de 3 milhões de documentos e entrevistou centenas de pecuaristas e produtores, resultando em um acordo que será anunciado no fim desta semana e que deve afetar diretamente os preços de proteínas como frango, carne suína e peru nesta temporada.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que a concentração de mercado no setor de abate de bovinos saltou de 25% em 1977 para os atuais 85%. Segundo Rollins, as “Big Four” detêm hoje 70 empresas subsidiárias, o que reduz as opções dos pecuaristas para vender seus animais e enfraquece o poder de negociação no campo.
A secretária ressaltou que metade dessas gigantes, incluindo a JBS e a National Beef, são de propriedade brasileira, classificando essa dependência externa como uma ameaça não apenas aos produtores, mas à própria segurança nacional dos EUA.
Rollins também associou a propriedade estrangeira a históricos de corrupção internacional e citou incidentes recentes de trabalho escravo e cartéis como prejudiciais aos consumidores americanos nesta temporada (Estadão, 6/5/26)
Secretária de Agricultura dos EUA acusa JBS de histórico de corrupção internacional e atividades ilícitas

Montagem Brasilagro com Imagem Reprodução Instagram
A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins em pronunciamento feito nesta 3ª feira (5) afirmou que a consolidação da indústria de carne no país resultou em apenas 4 gigantes frigoríficos: JBS, uma empresa de propriedade brasileira, Cargill, Tyson Foods e National Beef, outra empresa brasileira (MBRF).
“Essas quatro empresas monopolizam hoje até 85% do mercado de processamento de carne nos Estados Unidos e isso criou um cenário assustador para os pecuaristas. A consolidação da indústria reduz as opções para nossos pecuaristas que buscam vender seu gado e enfraquece seu poder de negociação e cria o risco de dependência de um único comprador”.
Ela também afirmou que “com o passar do tempo, fica cada vez mais claro que a segurança alimentar e, de fato, a segurança nacional estão em risco”. A secretária da Agricultura americana, com status de ministra disse que “com o passar do tempo, fica cada vez mais claro que a segurança alimentar e, de fato, a segurança nacional estão em risco”.
Em seu pronunciamento ela também denunciou que “uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de ¼ do mercado e tem histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas. A dura realidade é que essa propriedade estrangeira de frigoríficos está associada não apenas a corrupção, mas também a cartéis e, tão recente quanto na semana passada, a trabalho escravo, o que já é grave por si só, mas também porque prejudica pecuaristas independentes e consumidores americanos”.
Brooke Rollins destacou ainda que “quando apenas 4 empresas controlam um mercado, fornecedores e preços de alimentos são fortemente abalados quando ocorrem disrupções. O presidente Trump está bem ciente desses desafios, como evidenciado por sua diretriz no Truth Social em novembro ordenando que o Departamento de Justiça investigue os “Big Four” por possível manipulação de preços. Garantir que essas práticas não ocorram protegerá tanto produtores quanto consumidores” (Instagram, 5/5/26)
JBS e National Beef/Marfrig na mira do governo dos Estados Unidos

Donald Trump, presidente dos EUA e a secretária de Agricultura Brooke Rollins. Fotos Reprodução Youtube
Brooke Rollins, citada como secretária de Agricultura do governo Trump, criticou abertamente a JBS e outras grandes processadoras de carne (frequentemente referidas como "Big Four", que inclui a National Beef, braço da brasileira Marfrig) em maio de 2026. [1, 2, 3]
Principais pontos das críticas e contexto (maio de 2026):
· Concentração de Mercado: Rollins afirmou que apenas quatro grandes frigoríficos, incluindo a JBS, controlam cerca de 85% do abate de gado nos EUA, reduzindo o poder de negociação dos pecuaristas.
· Segurança Nacional e Controle Estrangeiro: A secretária classificou a forte presença de empresas brasileiras (JBS e National Beef/Marfrig) no processamento de carne americano como um risco à segurança nacional, dada a alta concentração.
· Investigação de Cartel: Rollins mencionou que a JBS tem um "histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas" e citou investigações sobre conluio e manipulação de preços.
· Investigações do DoJ: O Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA abriu investigações sobre essas empresas devido à alta de preços da carne no país.
Nota sobre a MBERB/Marfrig: As críticas focam na concentração de mercado pelas "Big Four", citando especificamente a JBS e a National Beef (que é uma subsidiária da brasileira Marfrig, referida como "braço da MBRF" em algumas notícias) (IA Google, 5/5/26)

