Exportações de café em agosto bateram recorde para o mês
Embarques de café subiram no ano-safra e caíram no ano civil — Foto: Freepik
Os embarques somaram 4,155 milhões de sacas de 60 quilos; receita dos exportadores totalizou US$ 1,331 bilhão, 19,8% a mais que um ano antes.
As exportações de café do Brasil tiveram o melhor desempenho da história para um mês de agosto. É o que mostra o relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado nesta quinta-feira (10/9).
Os embarques somaram 4,155 milhões de sacas de 60 quilos, 31% a mais que em agosto de 2025 (3,171 milhões de sacas). A receita dos exportadores totalizou US$ 1,331 bilhão no mês passado, 19,8% a mais que um ano antes.
O aumento do volume foi determinante do resultado mensal, apontam os dados do Cecafé. O preço médio de exportação foi de US$ 320,38 por saca de 60 quilos, 8,6% a menos que em agosto de 2025, quando a média foi de US$ 350,44 a saca.
"Esse desempenho foi puxado pela maior disponibilidade de cafés arábicas nesta safra, que chegaram o mercado após atrasos na colheita ocasionados por chuvas", diz o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, no relatório.
Houve avanço nas vendas de todas as variedades. No café em grão, as exportações de arábica cresceram 25,7% e somaram 2,866 milhões de sacas no mês. As de robusta e conilon aumentaram 53,6% em comparação com agosto do ano passado e totalizaram 953,592 mil sacas.
Entre os produtos industrializados, os embarques de café solúvel somaram 332,192 mil sacas, alta de 24,3% em agosto. No torrado e moído, as exportações subiram 6,4% e chegaram a 3,816 mil sacas.
Exportação aumentou no ano-safra e caiu no ano civil
As exportações brasileiras de café nos dois primeiros meses do ano-safra 2026/27 (julho e agosto), somaram 7,294 milhões de sacas de café, considerando todas as variedades. É um crescimento de 21,5% em relação ao primeiro bimestre da safra passada. A receita caiu 4,1%, para US$ 2,242 bilhões.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o Brasil exportou 25,073 milhões de sacas de café para 119 países. O volume é 1,2% inferior ao do mesmo intervalo em 2025. Os exportadores faturaram 9,3% a menos na mesma comparação: US$ 8,787 bilhões.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, vincula o resultado à menor disponibilidade de produto no primeiro semestre do ano.
“Viemos de um ano anterior com bom volume de embarques e de safra menor, o que diminuiu os estoques e, consequentemente, a oferta de café para o primeiro semestre", diz ele.
O setor também sofreu consequências negativas de gargalos de infraestrutura nos principais portos do Brasil, afirma Ferreira. Ele explica que atrasos em embarques geram prejuízos e custos extras com rolagem de carga e armazenagem.
O tarifaço dos Estados Unidos também impediu uma performance ainda melhor das vendas externas, avalia o executivo. A medida vigorou até meados de julho, quando o governo de Donald Trump anunciou retirada da cobrança sobre o café solúvel.
"O tarifaço dos EUA gerou incertezas desde seu anúncio, em abril do ano passado, até julho. A partir de agora, a insegurança quanto à política comercial americana deve diminuir e já é possível notarmos uma retomada dos negócios”, comenta.
Apesar da tensão, os Estados Unidos foram o principal destino do café brasileiro de janeiro a agosto. Os americanos compraram 3,158 milhões de sacas de 60 quilos, 12,6% do total. A Alemanha ocupa a segunda posição, com 2,824 milhões de sacas (11,3% do total). Na sequência, vêm Itália, Bélgica e Japão.
De tudo o que o Brasil exportou nos oito primeiros meses do ano, 17,863 milhões de sacas foram de café arábica, o equivalente a 71,2% do total. Conilon e robusta vêm na sequência, com 4,339 milhões (17,3% do total).
O segmento do café solúvel embarcou 2,829 milhões de sacas (11,3% do geral) e o de café torrado e moído, 43.124 sacas (0,2%) (Globo Rural, 10/9/26)

