Fachin e o poder da redenção! – Por Marco Aurélio S. Ramos
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A atual crise institucional do STF não é obra do acaso, muito menos de desavença pessoal de dois de seus integrantes.
O embate entre os ministros Mendonça X Moraes é o fruto indigesto de uma construção pensada, arquitetada e levada a efeito pelo ‘Establishment’ há tempos. Efeito indesejado e colateral do projeto de poder.
Tudo tem início ainda em 2021 quando a despeito de inúmeros pronunciamentos anteriores do próprio STF, o ministro Fachin, em inusitada decisão, anula as condenações de Lula, recolocando-o no cenário político.
A despeito do absurdo jurídico, o ‘descondenado’ agora está elegível de novo e é o candidato escolhido pelo sistema para derrotar o Bolsonarismo!
O povo, indignado, inconformado e estupefato, protestava genuinamente - a exemplo de 2014- em frente aos quartéis de todo Brasil. Mas será possível?
Os desdobramentos daquela decisão, noticiados, gota a gota para não causar espanto e reação, mais do que previsíveis, eram inevitáveis.
O desmonte da operação Lava-Jato com igual anulação dos processos de agentes públicos, políticos e empreiteiras que, reconhecendo a culpa, já haviam devolvido bilhões aos cofres públicos.
Com Lula reeleito, porém, o sistema já tinha a receita certa para impedir qualquer manifestação popular.
Sob a esfarrapada justificativa da ‘defesa da democracia’ inaugurava-se o inquérito das ‘Fake News’, monstro jurídico inventado por Alexandre de Moraes no qual se calavam opositores sob censura da imprensa, o exílio de jornalistas e prisão do principal líder da oposição.
De quebra, o aparelhamento das instituições, em especial da Polícia Federal a nova ‘Gestapo’ a serviço de Xandão e Andrei com seus inquéritos fabricados, instrumento imprescindível do projeto de poder, a dar inveja a qualquer regime autoritário que se preste na implacável perseguição a quem se opusesse.
Tudo isso sob os aplausos da mídia cooptada e do silêncio obsequioso do Congresso refém.
Viva Moraes!
É amigo, o sistema sabe se auto proteger.
Eis que, e passado algum tempo, estoura o escândalo do Banco Master escancarando as espúrias relações do ‘salvador da democracia’ e seus comparsas de toga Tóffoli e Dino, igualmente envolvidos com o banqueiro corrupto.
Este o estopim final e o momento em que Fachin é relançado ao centro da crise.
Não tivesse o atual presidente do STF feito o que fez, nada disso teria acontecido!
O monstro (ops: o salvador!) não teria se criado.
Não existiria o inquérito do ‘Fim do Mundo’.
Não haveria censura e perseguição política.
Não haveria onze Supremos, ditadura do Judiciário e as outras mazelas do projeto.
E não haveria, principalmente, nenhuma crise institucional a ser desfeita; muito menos o falso embate entre Moraes e Mendonça.
Que ironia da história!
Cabe agora ao ministro Fachin a solução de todo o imbróglio que ele mesmo criou.
Quem sabe ele possa, finalmente, se redimir de seu pecado original! (Marco Aurélio S. Ramos é advogado; 10/9/26)
Fachin tenta pôr a bola no chão no jogo sujo do STF – Por William Waack

O ministro Flávio Dino celebremente já chamou o STF (Supremo Tribunal Federal) de "Supremo Futebol Clube".
Foi quando ele e colegas, no começo do ano, resolveram não fazer nada quando as primeiras investigações do escândalo Master apontaram o envolvimento de colegas de time com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Pareciam jogar juntos, no esforço de manter no alto os Supremos Poderes e por baixo as investigações. Ainda assim, elas fizeram muita coisa mudar. O clube se desfez e virou uma arena de luta livre, tipo vale tudo, com chute nas partes íntimas e fura olho.
Principalmente por parte de quem se achava na condição de escolher qual a modalidade esportiva do clube e como atuar. Hoje, o presidente dessa agremiação, Edson Fachin, resolveu tentar pôr a bola no chão.
Reagiu depois de ter sido, na prática, apeado do cargo pelo mesmo Flávio Dino, que já o criticara em público no domingo (6) por querer encerrar o instrumento de exceção conhecido como inquérito das Fake News.
Entre as decisões que Fachin anunciou nesta quarta-feira (9) está a de tirar o ministro Alexandre de Moraes da relatoria desse inquérito e submeter ao Plenário a decisão de abrir ou não uma investigação contra esse rompedor de área do Supremo, que personaliza e é o principal símbolo agora de uma crise institucional e política de grande – e imprevisível – alcance.
Fachin pretende resolver também quem de fato vai mandar na Polícia Federal, a dona das destruidoras investigações do escândalo Master, mas o "Supremo Futebol Clube" provavelmente passou da fase em que tomava decisões sozinho.
O mundo de fora está detestando o espetáculo, e dizendo que assim não dá mais (CNN, 9/9/26)
Análise: Fachin tenta retomar comando de faroeste sem xerife

Sessão plenária do STF. Foto Gustavo Moreno STF
Por Thais Heredia
Dino e Mendonça estão em campos opostos, mas têm algo em comum: não quiseram esperar Fachin.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin retira o inquérito das fake news do ministro Alexandre de Moraes e derruba decisões de Flávio Dino e André Mendonça, numa tentativa de retomar o comando do Supremo.
O STF virou um faroeste sem xerife. A demora do presidente da Corte em agir abriu espaço para uma guerra de decisões inéditas e questionáveis.
Dino e Mendonça estão em campos opostos, mas têm algo em comum: não quiseram esperar Fachin. O resultado é um processo de autodestruição institucional que o presidente do STF agora tenta conter falando grosso com os pares.
Há outra coincidência entre os ministros. As ações de Dino beneficiam o campo de Lula. As de Mendonça, o de Flávio Bolsonaro. Ninguém mais fala sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro.
Dino está do lado mais forte do Supremo, e ainda tem o Dark Horse contra Flávio Bolsonaro. Mendonça luta contra o isolamento, mas detém duas relatorias explosivas: INSS e Master.
Os dois lados têm munição. Os dois têm trincheira. E, no meio desse fogo cruzado, estamos todos nós (CNN, 9/9/26)

